Integração financeira dos BRICS avança com moedas locais, reduz dependência do dólar e pressiona países a atualizar sistemas de pagamento, segundo análise divulgada nesta terça-feira (09) no programa Fast Money.
Os países do BRICS intensificam a articulação para ampliar o uso de moedas locais nas transações internacionais, movimento que ganhou novo impulso segundo análise apresentada nesta terça-feira (09) pelo economista e sociólogo César Bergo, professor da Universidade de Brasília, durante participação no programa Fast Money, do canal CNBC.
Conforme destacou, o avanço das liquidações diretas reduz custos, diminui a dependência do dólar e pressiona por uma adaptação regulatória e tecnológica entre os sistemas financeiros nacionais.
De acordo com um relatório recente do Banco Central do Brasil, três frentes se sobressaem.
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A autarquia aponta o aumento de eficiência, a redução do risco cambial e os desafios de infraestrutura necessários para garantir interoperabilidade entre plataformas de pagamento.
Esses fatores, explicou o professor no programa, ajudam a entender por que Brasil, Rússia e China aceleram o desenho de um sistema próprio de compensação.
Pagamentos em moedas locais e redução de custos
Bergo ressaltou que o Brasil já utiliza mecanismos semelhantes dentro do Mercosul, o que facilita a transição para um modelo mais amplo no âmbito do BRICS.
Ele lembrou que o país mantém acordos de liquidação com Argentina, Uruguai e Paraguai, enquanto a China opera arranjos semelhantes com mais de 140 parceiros comerciais e a Rússia realiza operações diretas em moeda chinesa.
Segundo o economista, a expansão desse tipo de acordo reflete uma mudança estrutural do comércio global.
Ele explicou que, no modelo tradicional, exportadores e importadores precisam converter suas moedas para o dólar, enfrentando spreads elevados e oscilações frequentes.
Nesse ponto, observou que a operação direta elimina etapas e reduz custos para empresas dos dois lados.
“A negociação passa a ser imediata, sem a compra do dólar caro e posterior venda barata”, afirmou durante o programa.
Ainda conforme analisou, o dólar permanece como principal referência internacional, mas a busca por menor exposição ao ciclo de política monetária dos Estados Unidos e às decisões geopolíticas americanas vem impulsionando alternativas.
A disputa comercial entre Washington e Pequim, somada às tarifas impostas nos últimos anos, reforça a percepção de que o centro de gravidade do comércio global se desloca.
Reações dos EUA e impacto na hegemonia global
Ao comentar a irritação demonstrada por Donald Trump em momentos recentes, Bergo ponderou que o avanço das transações em moedas locais não representa um ataque ao dólar.
Para ele, trata-se de um processo natural de adaptação às necessidades dos países emergentes.
Ele observou no Fast Money que é comum que manchetes sugiram uma ruptura, mas insistiu que o dólar não está em risco de extinção.
Ainda assim, frisou que parceiros comerciais tendem a priorizar arranjos que lhes tragam menor volatilidade e maior previsibilidade.
O professor avaliou que a preocupação norte-americana decorre também do crescimento econômico chinês e da ampliação da influência do BRICS.
“Os Estados Unidos precisam observar esse movimento com atenção, mas é uma evolução que veio para ficar”, completou.
Como empresas brasileiras serão afetadas
Na prática, empresas brasileiras devem perceber ganhos diretos de eficiência.
Bergo explicou que, hoje, ao firmar um contrato com um comprador chinês, por exemplo, o exportador precisa converter reais em dólar e lidar com taxas distintas, como a comercial, a de turismo e a Ptax, referência definida pelo Banco Central.
Ao receber recursos do exterior, enfrenta o processo inverso, também sujeito a custos e spreads.
Ele detalhou que, com a compensação direta, o banco brasileiro envia o valor em reais à instituição financeira no exterior, que faz a conversão automática para a moeda local do parceiro.
O professor afirmou que essa dinâmica aproxima o comércio internacional do modelo de transferências instantâneas.
“A rapidez do pagamento é decisiva. Isso se aproxima do que fazemos com o Pix”, comentou.
Obstáculos técnicos e desafios de interoperabilidade
Ao explicar os entraves técnicos, Bergo lembrou que as operações internacionais dependem hoje do sistema Swift, que utiliza códigos padronizados e intermediários globais.
Entretanto, países como China e Rússia já testam arranjos próprios, especialmente após sanções que dificultaram o acesso russo a redes tradicionais.
Conforme disse ao canal, sistemas diretos entre bancos diminuem vulnerabilidades e ampliam a segurança das transações.
Apesar dos avanços, ele ponderou que será necessário harmonizar regras, padrões tecnológicos e protocolos de mensagens.
A interoperabilidade entre sistemas nacionais segue como uma das etapas mais complexas para a consolidação do novo modelo.
O que empresas precisam fazer agora
Questionado sobre ajustes imediatos nas companhias brasileiras, Bergo afirmou que não há mudanças drásticas no curto prazo.
“Os bancos farão a adaptação. As empresas permanecem com seus fluxos normais”, observou, acrescentando que gestores financeiros devem ficar atentos às oportunidades geradas pela eventual redução de custos.
Pix como modelo de inovação e integração global
Durante a entrevista, o professor voltou a mencionar o Pix como demonstração da capacidade tecnológica do sistema financeiro nacional.
Ele relatou que encontrou estabelecimentos na França que já aceitavam o método de pagamento brasileiro, exemplo do potencial de integração futura.
Para Bergo, experiências como essa reforçam que soluções de liquidação instantânea tendem a se expandir globalmente, contribuindo para a adoção de sistemas de moedas locais.
Papel geopolítico do BRICS e impacto no comércio mundial
Bergo também refletiu sobre o impacto geopolítico do grupo.
Segundo ele, o BRICS se tornou espaço estratégico para países emergentes e hoje acumula pedidos de ingresso.
Ele afirmou no Fast Money que a atuação conjunta de China, Índia, Brasil e Rússia fortalece o bloco e amplia seu peso político, especialmente em um momento de reposicionamento global.
Na avaliação do professor, o BRICS funciona como alternativa aos fóruns tradicionais, como ONU e OEA, ao construir uma agenda própria e apoiar seus membros por meio de instrumentos como o Banco de Desenvolvimento do grupo.
Esse ambiente, completou, favorece a consolidação de mecanismos financeiros independentes e novos modelos de cooperação.
Por fim, Bergo destacou que a integração monetária e tecnológica em curso deve redefinir fluxos comerciais e padrões de pagamento.
À medida que o sistema amadurece, o economista avalia que o BRICS se torna peça-chave no desenho da próxima etapa das finanças internacionais.
Diante dessa transformação, até que ponto países fora do bloco acelerarão iniciativas próprias para não perder relevância?

Eis que vemos o Império Estadunidense ruir.
Asistimos a historia ser escrita, cotidianamente.
EUA já nao tem esse poder todo mais , o problema na Venezuela é um pretexto da tua decadência, a EUR já era , o grande exemplo é a indústria automobilística Chinesa , quem nao se aliar a ela vai quebrar!!!
Vamos ver quem correrá o risco de trocar dólar por real ou yuan, mantendo-os como ativos de investimentos…?