Variedade brasileira de mandioca desenvolvida pela Embrapa começa a ganhar espaço no Distrito Federal ao combinar alta produtividade, polpa amarela intensa e manejo tecnológico, despertando interesse de produtores que buscam maior rendimento por hectare e padronização da raiz para atender melhor ao mercado consumidor.
Uma nova cultivar de mandioca de mesa desenvolvida pela Embrapa Cerrados vem ganhando espaço entre produtores do Distrito Federal e do Entorno por reunir características valorizadas no campo e no mercado: polpa amarela intensa, cozimento rápido, textura macia e alto potencial produtivo.
Recomendada para a região desde 2022, a BRS 429 pode alcançar até 100 toneladas por hectare em condições favoráveis de manejo, embora resultados recentes em áreas de validação no DF tenham ficado, em média, em 71,5 toneladas por hectare, acima do padrão observado nas variedades mais comuns cultivadas localmente.
O avanço da variedade ocorre num momento em que a mandiocultura regional passa por modernização.
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Dados divulgados pela Agência Brasília mostram que a produção do alimento no Distrito Federal cresceu 108,4% entre 2019 e 2023, impulsionada pela adoção de novas cultivares e pelo uso mais frequente de correção de solo, adubação e tecnologias de manejo.
Nesse cenário, a BRS 429 aparece como uma alternativa de maior rentabilidade para o produtor, que busca padronização da raiz e melhor aceitação comercial.
Características da mandioca BRS 429 chamam atenção no campo e no mercado

A cultivar foi desenvolvida para atender ao segmento de mandioca de mesa e se destaca por um conjunto de atributos agronômicos e culinários.
Segundo materiais técnicos da Embrapa, a BRS 429 apresenta precocidade, arquitetura de planta favorável ao plantio mecanizado e resposta positiva à irrigação.
Além disso, possui baixos teores de compostos cianogênicos nas raízes, sabor característico e tempo reduzido de cocção, fatores valorizados tanto na comercialização quanto no consumo doméstico.
A coloração mais amarela da polpa também é apontada como diferencial, associada à presença de betacaroteno, composto precursor da vitamina A.
Na prática, o desempenho da variedade depende da combinação entre genética e manejo agrícola adequado.
Em unidades acompanhadas por técnicos da Emater-DF, o cultivo em canteiros, com cobertura plástica do solo, adubação equilibrada e irrigação por gotejamento, elevou de forma expressiva a produtividade.
Em 2025, uma área de validação no Núcleo Rural Taquara registrou média de 71,5 toneladas por hectare, mais que o dobro do rendimento normalmente obtido com variedades usadas no Distrito Federal, que gira entre 30 e 35 toneladas por hectare.
Em outra vitrine tecnológica apresentada na AgroBrasília, o sistema com mulching agrícola alcançou 64 toneladas por hectare.
Ainda que o potencial máximo de 100 toneladas por hectare seja frequentemente mencionado em eventos de divulgação técnica, esse patamar está ligado a condições de cultivo altamente controladas e não deve ser tratado como resultado automático em qualquer propriedade.
A própria rede de validação conduzida por Embrapa e Emater-DF mostra que a produtividade varia conforme fertilidade do solo, irrigação, cobertura do canteiro e acompanhamento agronômico.

O ganho, portanto, não vem apenas da cultivar, mas do pacote tecnológico aplicado ao longo de todo o ciclo produtivo.
Tecnologia no campo ajuda a explicar o aumento da produtividade
Entre as práticas que vêm sendo adotadas pelos produtores do DF, a irrigação localizada e a fertirrigação aparecem como pontos centrais para o desempenho da cultura.
O uso de pequenos controladores, válvulas e setores automatizados permite aplicar água e nutrientes com maior precisão, reduzindo desperdícios e evitando perdas por excesso de irrigação.
Ao mesmo tempo, a cobertura plástica do solo ajuda a conservar a umidade, controlar plantas daninhas, reduzir erosão e diminuir a demanda por mão de obra na capina.
Esses fatores impactam diretamente no custo final da produção e na eficiência do sistema agrícola.
Esse modelo também favorece a rotação de culturas em áreas antes ocupadas por hortaliças de maior exigência nutricional, como tomate, pimentão e pepino.
Técnicos da Emater-DF relatam que muitos produtores aproveitam a estrutura de irrigação já instalada e o resíduo de adubação dessas lavouras para introduzir o cultivo da mandioca.
Essa estratégia reduz custos iniciais e melhora o aproveitamento agronômico do solo, ampliando a rentabilidade da propriedade rural.
A multiplicação da BRS 429, porém, ainda exige planejamento.
Como a disponibilidade de ramas e manivas-semente não cresce no mesmo ritmo do interesse do mercado, a expansão da área plantada depende da capacidade de o produtor formar material propagativo a partir dos próprios caules.
Nos cultivos de mandioca, é esse pedaço da rama, conhecido como maniva, que dá origem às novas plantas.
Por isso, mesmo com aceitação crescente, a difusão da cultivar tende a avançar gradualmente, acompanhando a oferta de mudas e o trabalho de assistência técnica no campo.
Mandioca mantém importância econômica e diversidade genética no Brasil
A mandioca segue entre os alimentos mais presentes na mesa brasileira e mantém enorme diversidade genética.
Publicações da Embrapa registram que o país reúne mais de 4 mil variedades catalogadas, conservadas em coleções e bancos de germoplasma.
Essa base ampla sustenta programas de melhoramento genético voltados tanto ao consumo in natura quanto ao uso industrial.
As pesquisas buscam ampliar produtividade, resistência a doenças, qualidade culinária e adaptação regional, fatores considerados estratégicos para o avanço da cultura no país.
A BRS 429 se insere nesse movimento de modernização de uma cultura tradicional da alimentação brasileira, aliando desempenho agronômico e qualidade gastronômica.
Além do interesse agronômico, a mandioca mantém relevância nutricional e comercial.
No Distrito Federal, o cultivo mobilizou 1.920 produtores em 2023, ocupou 883,25 hectares e gerou 19.754 toneladas de produção, segundo dados divulgados pela extensão rural local.
Também por isso, variedades com melhor padrão de raiz, facilidade de preparo e estabilidade de cozimento tendem a ganhar espaço no mercado com maior rapidez.
No caso da BRS 429, a combinação entre desempenho no campo e aceitação do consumidor ajuda a explicar por que a cultivar deixou de ser apenas uma novidade experimental e passou a ser observada como uma alternativa concreta de expansão produtiva na região.

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