Desenvolvido pela Embrapa e lançado comercialmente pela Bioma, o BiomaPhos usa bactérias do Cerrado para solubilizar fósforo no solo e reduzir dependência de fertilizantes importados.
Em 2019, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou oficialmente o desenvolvimento de uma nova tecnologia biológica capaz de aumentar a eficiência do fósforo no solo agrícola. O produto, batizado de BiomaPhos, foi resultado de mais de uma década de pesquisas conduzidas principalmente pela Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG), em parceria com outras unidades da instituição. O lançamento comercial ocorreu em 2020 pela empresa brasileira Bioma, especializada em insumos biológicos. Desde então, a tecnologia passou a ser utilizada em milhões de hectares no Brasil, especialmente nas culturas de soja e milho.
O diferencial do BiomaPhos está no uso de microrganismos isolados do próprio Cerrado brasileiro, capazes de transformar fósforo insolúvel do solo em formas assimiláveis pelas plantas, aumentando a eficiência do fertilizante já aplicado.
O que é o BiomaPhos e como ele funciona no solo agrícola
O fósforo é um dos principais nutrientes das plantas. Ele é essencial para o desenvolvimento radicular, floração e formação de grãos. O problema é que, nos solos tropicais brasileiros, grande parte do fósforo aplicado como fertilizante fica “retido” e indisponível às plantas devido à alta capacidade de fixação do solo.
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O BiomaPhos utiliza duas bactérias selecionadas pela Embrapa:
- Bacillus subtilis
- Bacillus megaterium
Esses microrganismos atuam solubilizando formas de fósforo que já estão no solo, liberando o nutriente para absorção radicular. Em vez de substituir completamente o fertilizante químico, o produto aumenta sua eficiência.
Segundo dados técnicos divulgados pela Embrapa, o uso do BiomaPhos pode permitir redução parcial da adubação fosfatada em determinadas condições, mantendo produtividade equivalente.
Por que o fósforo é estratégico para o Brasil
O Brasil é altamente dependente da importação de fertilizantes fosfatados. Uma parcela significativa do fósforo utilizado no país vem de reservas externas, especialmente do Norte da África.
A dependência se tornou ainda mais sensível após 2022, quando crises geopolíticas afetaram cadeias globais de fertilizantes.
Nesse contexto, tecnologias que aumentem a eficiência do uso do fósforo já disponível no solo ganham importância estratégica.
O BiomaPhos surge como alternativa nacional baseada em ciência local e biodiversidade brasileira.
Resultados técnicos observados em campo
Ensaios conduzidos pela Embrapa indicaram:
- Aumento de produtividade em áreas com limitação de fósforo
- Melhor desenvolvimento radicular
- Maior eficiência no aproveitamento do adubo aplicado
Os estudos foram realizados em diferentes estados produtores, incluindo Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná. A tecnologia é aplicada via tratamento de sementes ou aplicação no sulco de plantio.
Escala de adoção e impacto no agronegócio brasileiro
Desde o lançamento comercial em 2020, o produto passou a ser adotado por produtores de soja e milho em diversas regiões do país.
De acordo com dados divulgados pela empresa Bioma, a tecnologia já alcançou milhões de hectares tratados.
O Brasil cultiva atualmente mais de 40 milhões de hectares de soja e cerca de 20 milhões de hectares de milho. Mesmo uma adoção parcial representa impacto significativo em escala nacional.
Biotecnologia agrícola baseada na biodiversidade do Cerrado
O Cerrado é um dos biomas mais biodiversos do planeta. A pesquisa que originou o BiomaPhos partiu da coleta e seleção de microrganismos adaptados às condições tropicais brasileiras.
Essa abordagem reforça uma tendência crescente na agricultura moderna: substituir parte dos insumos químicos por soluções biológicas baseadas em microrganismos.
O mercado de bioinsumos no Brasil vem crescendo em ritmo acelerado nos últimos anos, impulsionado por sustentabilidade, redução de custos e pressão ambiental.
Limitações e contexto técnico
O BiomaPhos não substitui totalmente a adubação fosfatada convencional. Seu uso depende de condições específicas de solo, manejo e cultura.
A recomendação técnica deve ser feita por engenheiros agrônomos com base em análise de solo.
A tecnologia aumenta eficiência, mas não cria fósforo novo — ela libera o que já está presente em formas insolúveis.
O papel da Embrapa e da inovação nacional
A Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, é responsável por diversas inovações que moldaram o agronegócio brasileiro, incluindo tecnologias para cultivo no Cerrado.
O BiomaPhos integra uma nova geração de produtos biológicos desenvolvidos no país.
Em um cenário global de volatilidade de fertilizantes e pressão ambiental, soluções que aumentam eficiência e reduzem dependência externa tendem a ganhar protagonismo.

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