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Brasil transforma bactéria do Cerrado em fertilizante biológico, reduz dependência de fosfato importado e leva tecnologia nacional para milhões de hectares de soja e milho

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 12/02/2026 às 09:17
Atualizado em 12/02/2026 às 09:19
Brasil transforma bactéria do Cerrado em fertilizante biológico, reduz dependência de fosfato importado e leva tecnologia nacional para milhões de hectares de soja e milho
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Desenvolvido pela Embrapa e lançado comercialmente pela Bioma, o BiomaPhos usa bactérias do Cerrado para solubilizar fósforo no solo e reduzir dependência de fertilizantes importados.

Em 2019, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou oficialmente o desenvolvimento de uma nova tecnologia biológica capaz de aumentar a eficiência do fósforo no solo agrícola. O produto, batizado de BiomaPhos, foi resultado de mais de uma década de pesquisas conduzidas principalmente pela Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG), em parceria com outras unidades da instituição. O lançamento comercial ocorreu em 2020 pela empresa brasileira Bioma, especializada em insumos biológicos. Desde então, a tecnologia passou a ser utilizada em milhões de hectares no Brasil, especialmente nas culturas de soja e milho.

O diferencial do BiomaPhos está no uso de microrganismos isolados do próprio Cerrado brasileiro, capazes de transformar fósforo insolúvel do solo em formas assimiláveis pelas plantas, aumentando a eficiência do fertilizante já aplicado.

O que é o BiomaPhos e como ele funciona no solo agrícola

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O fósforo é um dos principais nutrientes das plantas. Ele é essencial para o desenvolvimento radicular, floração e formação de grãos. O problema é que, nos solos tropicais brasileiros, grande parte do fósforo aplicado como fertilizante fica “retido” e indisponível às plantas devido à alta capacidade de fixação do solo.

O BiomaPhos utiliza duas bactérias selecionadas pela Embrapa:

  • Bacillus subtilis
  • Bacillus megaterium

Esses microrganismos atuam solubilizando formas de fósforo que já estão no solo, liberando o nutriente para absorção radicular. Em vez de substituir completamente o fertilizante químico, o produto aumenta sua eficiência.

Segundo dados técnicos divulgados pela Embrapa, o uso do BiomaPhos pode permitir redução parcial da adubação fosfatada em determinadas condições, mantendo produtividade equivalente.

Por que o fósforo é estratégico para o Brasil

O Brasil é altamente dependente da importação de fertilizantes fosfatados. Uma parcela significativa do fósforo utilizado no país vem de reservas externas, especialmente do Norte da África.

Vídeo do YouTube

A dependência se tornou ainda mais sensível após 2022, quando crises geopolíticas afetaram cadeias globais de fertilizantes.

Nesse contexto, tecnologias que aumentem a eficiência do uso do fósforo já disponível no solo ganham importância estratégica.

O BiomaPhos surge como alternativa nacional baseada em ciência local e biodiversidade brasileira.

Resultados técnicos observados em campo

Ensaios conduzidos pela Embrapa indicaram:

  • Aumento de produtividade em áreas com limitação de fósforo
  • Melhor desenvolvimento radicular
  • Maior eficiência no aproveitamento do adubo aplicado

Os estudos foram realizados em diferentes estados produtores, incluindo Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná. A tecnologia é aplicada via tratamento de sementes ou aplicação no sulco de plantio.

Escala de adoção e impacto no agronegócio brasileiro

Vídeo do YouTube

Desde o lançamento comercial em 2020, o produto passou a ser adotado por produtores de soja e milho em diversas regiões do país.

De acordo com dados divulgados pela empresa Bioma, a tecnologia já alcançou milhões de hectares tratados.

O Brasil cultiva atualmente mais de 40 milhões de hectares de soja e cerca de 20 milhões de hectares de milho. Mesmo uma adoção parcial representa impacto significativo em escala nacional.

Biotecnologia agrícola baseada na biodiversidade do Cerrado

O Cerrado é um dos biomas mais biodiversos do planeta. A pesquisa que originou o BiomaPhos partiu da coleta e seleção de microrganismos adaptados às condições tropicais brasileiras.

Essa abordagem reforça uma tendência crescente na agricultura moderna: substituir parte dos insumos químicos por soluções biológicas baseadas em microrganismos.

O mercado de bioinsumos no Brasil vem crescendo em ritmo acelerado nos últimos anos, impulsionado por sustentabilidade, redução de custos e pressão ambiental.

Limitações e contexto técnico

O BiomaPhos não substitui totalmente a adubação fosfatada convencional. Seu uso depende de condições específicas de solo, manejo e cultura.

A recomendação técnica deve ser feita por engenheiros agrônomos com base em análise de solo.

A tecnologia aumenta eficiência, mas não cria fósforo novo — ela libera o que já está presente em formas insolúveis.

O papel da Embrapa e da inovação nacional

A Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, é responsável por diversas inovações que moldaram o agronegócio brasileiro, incluindo tecnologias para cultivo no Cerrado.

O BiomaPhos integra uma nova geração de produtos biológicos desenvolvidos no país.

Em um cenário global de volatilidade de fertilizantes e pressão ambiental, soluções que aumentam eficiência e reduzem dependência externa tendem a ganhar protagonismo.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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