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Brasileiras no Japão desabafam sobre viver entre dois mundos, tentam driblar o rótulo de “gaijin”, mudam hábitos (e até o nome) e enchem a casa de comida brasileira para aguentar a saudade longe de casa

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 21/12/2025 a las 01:26
Actualizado el 21/12/2025 a las 01:34
Brasileiras no Japão relatam viver entre dois mundos, lidar com o rótulo de “gaijin”, mudar o nome e manter o Brasil em casa.
Brasileiras no Japão relatam viver entre dois mundos, lidar com o rótulo de “gaijin”, mudar o nome e manter o Brasil em casa.
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Cotidiano de brasileiras no Japão expõe adaptação, identidade e escolhas como nome e idioma em meio a dados oficiais de imigração e relatos reunidos por veículos internacionais e brasileiros, com presença forte de mercados, comida típica e redes comunitárias.

Dados oficiais do Japão indicam que, no fim de 2024, o país contabilizava 3.768.977 residentes estrangeiros.

Nesse total, brasileiros apareciam como o sexto maior grupo nacional, com 211.907 pessoas.

Em produções jornalísticas e análises sobre essa comunidade, a rotina de adaptação é descrita como um processo que envolve idioma, escola, trabalho e, em alguns casos, escolhas sobre como se apresentar socialmente, inclusive no uso do próprio nome.

Reportagem da BBC News e a questão do nome

A experiência de “viver entre dois mundos” também aparece em conteúdos audiovisuais brasileiros e em reportagens internacionais sobre a comunidade.

Segundo reportagem publicada pela BBC News, há brasileiros que, ao se naturalizarem no Japão, optam por “ajaponesar” o próprio nome como estratégia relatada para reduzir barreiras e estigmas associados à identificação como estrangeiro em situações do cotidiano.

Escola japonesa e adaptação familiar

Um registro associado ao programa Caminhos da Reportagem, da EBC/TV Brasil, menciona o episódio “Entre Dois Mundos, Brasil e Japão” e descreve uma entrevista feita em Joso, na província de Ibaraki, sobre escola japonesa e a vivência de uma família brasileira com um filho no sistema educacional local.

Esse tipo de recorte costuma concentrar atenção em pontos práticos do dia a dia, como comunicação em sala de aula, relação com professores e adaptações familiares.

Naturalização e identidade entre brasileiros

Brasileiras no Japão relatam viver entre dois mundos, lidar com o rótulo de “gaijin”, mudar o nome e manter o Brasil em casa.
Brasileiras no Japão relatam viver entre dois mundos, lidar com o rótulo de “gaijin”, mudar o nome e manter o Brasil em casa.

Outro tema recorrente em reportagens sobre brasileiros no Japão é a relação entre identidade e “nome”.

De acordo com apuração da BBC News, entrevistados relataram que a mudança pode ter motivações variadas, incluindo a tentativa de reduzir constrangimentos e facilitar interações em processos formais, cadastros e contatos profissionais.

O texto também registra que, em alguns casos, a decisão foi descrita como uma forma de evitar julgamentos prévios ligados à origem.

Nomes de filhos e rotina escolar

A mesma reportagem indica que a preocupação com nomes pode alcançar também a geração seguinte.

Ainda segundo a BBC News, algumas famílias relataram ter pesquisado com cuidado o nome dos filhos, com a expectativa de diminuir questionamentos e constrangimentos no ambiente escolar.

O tema aparece, nesse contexto, ligado a tarefas repetidas do cotidiano, como preenchimento de formulários e situações em que o nome circula em espaços coletivos.

Migração dekassegui e mudanças legais

Parte dessas experiências é contextualizada por estudos e textos de referência sobre a migração brasileira para o Japão.

Uma análise sobre os chamados dekasseguis lembra que, após mudanças na lei de imigração em 1990, o país passou a permitir a entrada por longos períodos de descendentes de japoneses e seus cônjuges para trabalhar, o que impulsionou a migração de brasileiros de ascendência japonesa.

No mesmo material, é descrito um paradoxo frequentemente apontado em depoimentos: muitos desses brasileiros têm aparência associada ao Japão, mas são culturalmente brasileiros, e nem sempre são percebidos como “de dentro” pela sociedade local.

A análise também chama atenção para impactos na vida de crianças e adolescentes, especialmente quando há dificuldades com idioma e integração escolar.

Termo gaijin e percepção de estrangeira

Em reportagens e estudos, o termo gaijin aparece como parte desse debate.

Video de YouTube

A palavra é descrita como uma forma coloquial de se referir a estrangeiros no Japão e surge, em alguns relatos, associada à sensação de ser percebida como “de fora” em interações cotidianas.

Em vez de um evento isolado, diferentes fontes descrevem que a percepção pode se formar por acúmulo de situações, como atendimentos em que a nacionalidade é presumida, necessidade de explicar repetidamente a própria origem ou episódios de tratamento desigual.

Discriminação e relatos citados em análises

A discussão sobre discriminação também é mencionada em textos de referência sobre a comunidade.

A análise sobre dekasseguis cita que estrangeiros podem enfrentar restrições e tratamento discriminatório em diferentes esferas, incluindo acesso a moradia e a estabelecimentos comerciais.

O material menciona um episódio em Hamamatsu no qual uma brasileira teria sido convidada a se retirar de uma joalheria após o proprietário descobrir sua nacionalidade.

Comunidade brasileira em cidades como Ōizumi

Ao mesmo tempo, algumas cidades aparecem em reportagens como locais em que a presença brasileira se torna visível no espaço urbano.

Em Ōizumi, uma matéria descreve a rua principal com mercados que vendem produtos de países latino-americanos e menciona a existência de supermercados brasileiros.

O texto apresenta ainda o relato de uma mulher nipo-brasileira que administra um mercado e compara o tratamento recebido ali com a experiência em outra cidade, onde, segundo ela, cumprimentos eram ignorados com frequência.

Comida brasileira, mercados e lembranças do Brasil

A comida é outro elemento documentado em reportagens sobre a presença brasileira no Japão.

Um texto da National Geographic relaciona a migração de nipo-brasileiros ao crescimento de restaurantes e lojas voltados a clientes brasileiros e descreve Hamamatsu como um polo associado a uma grande população de brasileiros, citando estabelecimentos que anunciam itens como pão de queijo e feijoada.

Brasileiras no Japão relatam viver entre dois mundos, lidar com o rótulo de “gaijin”, mudar o nome e manter o Brasil em casa.
Brasileiras no Japão relatam viver entre dois mundos, lidar com o rótulo de “gaijin”, mudar o nome e manter o Brasil em casa.

A partir desse cenário, outras reportagens e estudos apontam que mercados e restaurantes acabam se tornando pontos de apoio para a rotina de quem vive longe do Brasil, inclusive para famílias que procuram manter referências culturais dentro de casa.

Redes comunitárias e “comunidades-ilha”

A organização comunitária também é abordada em análises sobre o tema.

O texto de referência sobre dekasseguis descreve a concentração de brasileiros em determinadas áreas e menciona a formação do que chama de “comunidades-ilha”, associadas a redes de trabalho e moradia.

O mesmo material observa desafios de integração em uma sociedade com normas culturais específicas, especialmente para recém-chegados.

Nessas circunstâncias, diferentes fontes registram que escolhas domésticas, como idioma falado em casa, consumo de mídia brasileira e hábitos alimentares, podem funcionar como formas de manter vínculos culturais, enquanto a adaptação ao Japão continua ocorrendo em outras frentes, como escola e trabalho.

Hábitos, naturalização e o cotidiano dentro de casa

Dentro desse conjunto de relatos e registros, mudanças de hábitos aparecem em múltiplas camadas.

Em alguns casos, as alterações são descritas como ajustes de comportamento em espaços públicos e no trabalho; em outros, envolvem decisões formais, como a mudança de nome após a naturalização, apresentada por entrevistados como estratégia para reduzir barreiras.

Nesse ponto, a BBC News também apontou que a escolha de “ajaponesar” o nome foi descrita por alguns entrevistados como uma maneira de diminuir impactos de preconceitos no cotidiano.

Já a presença de alimentos e produtos brasileiros em casa surge em reportagens como um traço recorrente da rotina de quem busca preservar referências do Brasil enquanto lida com a experiência de ser percebida como estrangeira.

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Enéas Lourenço
Enéas Lourenço
25/12/2025 23:23

Sinceramente, se tem um lugar que não faço questão de ir é o JAPÃO

LUIZ MIHOCHI KOKURA
LUIZ MIHOCHI KOKURA
21/12/2025 08:02

Infelizmente existe discriminação dirigida aos dekasseguis. Vivi no Japão,entre os anos de 1992/93, Terra Natal de minha mãe, que nasceu em Kumamoto e em certa ocasião, voltando do trabalho, com um amigo, um transeunte ao perceber que éramos brasileiros, partiu literalmente para agressão física e ficamos ali no meio da rua, sem entendermos nada. Existiam anúncio nos mercados e shoppings, quando se percebiam a presença de brasileiros, para que se aumentasse a vigilância.

Maria Nazaré
Maria Nazaré
Em resposta a  LUIZ MIHOCHI KOKURA
22/12/2025 11:58

Por essas e outras, eu nunca quis sair do Brasil. Brasileiros descendentes de outros países serão sempre discriminados nas terras de origem de seus ascendentes.
Uma vez brasileiro, sempre brasileiro, independente de qualquer ascendência.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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