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Brasileiro cria aquecedor solar com garrafas PET e caixas de leite; ideia vira programa da Celesc, promete reduzir conta de luz em até 30% e revela o vilão oculto do consumo de energia no Brasil

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 15/12/2025 a las 16:45
Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.
Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.
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Banho quente costuma parecer apenas um hábito cotidiano.

Ainda assim, ele se conecta a dois temas que nem sempre aparecem juntos: o destino de resíduos domésticos e a pressão sobre a rede elétrica justamente no fim do dia, quando o consumo residencial costuma aumentar.

No Brasil, onde o chuveiro elétrico é amplamente utilizado para aquecer água, essa relação abre espaço para tecnologias que buscam reduzir o uso da resistência elétrica no momento do banho.

Nesse contexto, ganhou visibilidade a tecnologia criada por José Alcino Alano, catarinense de Tubarão, e posteriormente incorporada a uma iniciativa socioambiental da Celesc.

O aquecedor solar desenvolvido por ele reaproveita materiais normalmente descartados, como garrafas PET e embalagens cartonadas do tipo longa vida, para aproveitar a radiação solar e aquecer parte da água usada no banho.

Com isso, o sistema reduz a necessidade de acionar o chuveiro elétrico em toda a demanda térmica.

A Celesc estruturou a difusão do sistema no projeto “Energia do Futuro”.

A distribuidora também publicou um manual técnico com orientações sobre materiais, funcionamento e cuidados de instalação.

Segundo a própria companhia, a proposta envolve ainda a fabricação dos coletores em modelo associado ao reaproveitamento de resíduos e à geração de renda em comunidades atendidas.

Como funciona o aquecedor solar feito com garrafas PET e Tetra Pak

Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.
Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.

O princípio do equipamento é semelhante ao de coletores solares convencionais.

A ideia é elevar a temperatura da água antes de ela chegar ao ponto de uso, diminuindo a energia elétrica necessária na hora do banho.

A diferença está nos materiais empregados e no modo de montagem proposto.

Em vez de um conjunto metálico com placa absorvedora e cobertura de vidro, o projeto utiliza embalagens pós-consumo como parte estrutural do coletor.

No manual divulgado pela Celesc, o sistema é apresentado como alternativa de custo mais baixo em comparação com coletores solares convencionais.

O documento descreve o uso de tubos e conexões de PVC nas colunas de absorção térmica.

O próprio texto técnico registra que essa escolha é menos eficiente do que metais como cobre ou alumínio.

Ainda assim, a opção foi adotada para reduzir custos e facilitar a confecção.

Ao mesmo tempo, o manual indica que garrafas PET e caixas Tetra Pak substituem componentes presentes em coletores tradicionais, como caixa metálica, painel de absorção e vidro.

Dessa forma, embalagens descartadas passam a integrar a estrutura do equipamento.

O desempenho do sistema, segundo o documento, depende de fatores como dimensionamento do coletor, incidência solar, condições climáticas, hábitos de banho e qualidade da instalação.

Por esse motivo, a variação de resultados entre residências tende a ocorrer conforme essas diferenças e a potência do chuveiro utilizado.

Energia do Futuro e a atuação da Celesc

A Celesc descreve o “Energia do Futuro” como um projeto que viabiliza a construção de coletor solar com uso de produtos recicláveis.

Entre os materiais citados estão garrafas PET e caixas do tipo Tetra Pak.

A companhia associa a iniciativa a residências de famílias de menor renda.

Nos materiais institucionais, também aparece a possibilidade de geração de trabalho e renda vinculada à fabricação dos coletores.

Em relatório anual de 2006, a Celesc informa que o programa teve início quando a empresa passou a apoiar José Alcino Alano.

O documento aponta que esse apoio começou em 2005.

Na mesma publicação, a proposta é vinculada a ações de responsabilidade social e a metas de redução de consumo e de demanda no horário de ponta.

Já em relatório anual de 2008, a empresa afirma que a Celesc Distribuição iniciou o “Energia do Futuro” em 2006, por meio da parceria com o inventor.

Até o fim de 2008, segundo o texto, havia aquecedores instalados em instituições sociais.

O documento também menciona o reaproveitamento de embalagens que poderiam ser descartadas de forma inadequada.

Impacto social e reciclagem relatados em documentos oficiais

Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.
Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.

Relatórios de sustentabilidade detalham o desenho socioambiental do programa.

No relatório de 2012, a Celesc afirma que o “Energia do Futuro”, desenvolvido em parceria com a cooperativa Cooper Solar, tinha como objetivo distribuir aquecedores solares feitos com materiais descartáveis a famílias de baixa renda.

No mesmo trecho, o documento registra que a iniciativa contribuiu para reciclar mais de 500 mil garrafas PET e 500 mil caixas Tetra Pak.

Ainda segundo o relatório, a cooperativa reunia 24 mulheres chefes de família.

A remuneração mensal informada no período descrito foi de R$ 800,00.

Sobre a conta de luz, a empresa apresenta o dado como relato de experiência.

No relatório de 2012, a Celesc registra que famílias que instalaram o aquecedor relataram redução de aproximadamente 30% na fatura de energia elétrica.

O documento não detalha metodologia de medição.

Por isso, não permite comparações diretas entre residências com rotinas, potências de chuveiro e condições climáticas distintas.

Patente e formalização da invenção

A tecnologia também aparece em publicações oficiais ligadas à propriedade industrial.

A Revista da Propriedade Industrial publicou o pedido de patente PI 0402869-4, intitulado “Aquecimento solar composto de embalagens descartáveis”.

O resumo descreve a finalidade de retirar do meio ambiente materiais descartáveis.

Esses resíduos seriam convertidos em componentes de um aquecedor solar.

O texto técnico menciona simplicidade de confecção e instalação.

Também associa o sistema à economia de energia elétrica no aquecimento de água para uso doméstico.

Esse tipo de registro formaliza a descrição técnica da solução.

Ele não estabelece, por si só, padronização de desempenho em diferentes cenários de uso.

Chuveiro elétrico e peso no consumo residencial

A relação entre o aquecedor feito com recicláveis e a conta de luz passa por uma característica do consumo residencial brasileiro.

O chuveiro elétrico impacta não apenas o total mensal, mas também o horário em que a demanda se concentra.

Reportagem do Jornal da Unicamp, baseada em estudo de mestrado sobre curva de carga, relata que simulações indicaram participação em torno de 23% da carga no horário de pico do setor residencial.

O texto acrescenta que, nas regiões Sul e Sudeste, o equipamento chegou a responder por até 40% do consumo residencial no pico, entre 18h e 19h.

Na mesma reportagem, o autor citado afirma:

“O consumo de energia elétrica pelo chuveiro ao longo do ano por toda a população corresponde a praticamente 30% da energia gerada por Itaipu no mesmo período”.

Esses resultados ajudam a contextualizar por que programas de eficiência energética frequentemente tratam o banho como ponto relevante.

O tema ganha destaque sobretudo em períodos frios e no fim do dia, quando a demanda tende a aumentar.

Como o chuveiro opera com potência elevada por poucos minutos, o uso simultâneo em muitas residências influencia a curva de carga do sistema.

O que o manual técnico destaca sobre custo e desempenho

Video de YouTube

O manual técnico disponibilizado pela Celesc orienta materiais, cuidados de instalação e dimensionamento.

O documento enquadra o equipamento como reaproveitamento de resíduos, não como incentivo ao consumo de embalagens.

Ao mesmo tempo, explicita escolhas destinadas a reduzir custos e facilitar a montagem, como o uso de PVC.

O próprio texto reconhece que essa opção envolve limitações de eficiência quando comparada a materiais metálicos usados em coletores solares convencionais.

Na prática, os fatores apresentados indicam que o efeito do sistema varia conforme o tamanho do coletor, a incidência solar e o padrão de uso da água.

Dessa forma, o aquecedor aparece como alternativa de pré-aquecimento da água, capaz de reduzir parte do uso do chuveiro elétrico em determinados contextos.

A trajetória do inventor de Tubarão e do “Energia do Futuro” é frequentemente associada à combinação entre reaproveitamento de resíduos, aplicação doméstica direta e adoção institucional por uma distribuidora de energia.

Com o peso do chuveiro elétrico na demanda residencial e no horário de pico, que adaptações seriam necessárias na sua casa para testar um sistema de pré-aquecimento solar e avaliar, com medições, o impacto real na conta de luz?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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