1. Inicio
  2. / Economia
  3. / BRICS desafia o império do dólar com união entre Brasil, China, Rússia e outros: bloco testa token lastreado em ouro, bypassa SWIFT e acelera criação de sistema financeiro que ameaça reservas cambiais dos EUA
Tiempo de lectura 5 min de lectura Comentarios 5 comentarios

BRICS desafia o império do dólar com união entre Brasil, China, Rússia e outros: bloco testa token lastreado em ouro, bypassa SWIFT e acelera criação de sistema financeiro que ameaça reservas cambiais dos EUA

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 18/01/2026 a las 15:14
Actualizado el 18/01/2026 a las 15:21
BRICS acelera testes de sistemas financeiros alternativos ao dólar, com ouro, yuan e blockchain, desafiando SWIFT e a hegemonia dos EUA.
BRICS acelera testes de sistemas financeiros alternativos ao dólar, com ouro, yuan e blockchain, desafiando SWIFT e a hegemonia dos EUA.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
176 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Debate no BRICS ganha força com propostas de sistemas de pagamento alternativos, críticas ao petrodólar e análises sobre ouro, yuan e blockchain, em meio à queda da participação do dólar nas reservas globais e ao avanço de iniciativas financeiras fora da órbita dos Estados Unidos.

A intensificação dos debates sobre alternativas ao dólar no comércio internacional ganhou novo fôlego dentro do BRICS, bloco que reúne Brasil, China, Rússia, Índia, África do Sul e países recém-incorporados.

Segundo Pepe Escobar, jornalista e correspondente de diversas publicações internacionais, trata-se de um movimento estrutural que vai além de ajustes técnicos no sistema financeiro global.

As análises foram apresentadas em artigo publicado em sua coluna no portal Brasil247, no qual o autor interpreta a atual conjuntura como um desafio direto à hegemonia do dólar.

De acordo com Escobar, o chamado petrodólar é um dos pilares centrais da ordem econômica liderada pelos Estados Unidos desde o pós-Segunda Guerra Mundial.

Nesse modelo, o comércio global de energia é precificado majoritariamente em dólares, o que sustenta a demanda permanente por títulos do Tesouro norte-americano e viabiliza déficits elevados.

Conforme o jornalista, qualquer tentativa de escapar desse circuito tende a provocar sanções financeiras, congelamento de ativos ou exclusão de sistemas de pagamento dominantes.

Ainda segundo o articulista, esse arranjo enfrenta hoje uma restrição inédita.

Manter simultaneamente gastos militares crescentes e o controle do sistema financeiro internacional exige recursos cada vez mais difíceis de sustentar.

Escobar cita, como exemplo, propostas de orçamentos trilionários para a área de defesa nos Estados Unidos, apontando que o custo da hegemonia passou a pressionar a própria estabilidade do sistema.

Congelamento de ativos e o ponto de inflexão geopolítico

Video de YouTube

Na avaliação de Pepe Escobar, o congelamento de reservas russas no exterior após o início da guerra na Ucrânia marcou um divisor de águas.

A exclusão da Rússia do sistema SWIFT, segundo ele, evidenciou para diversos países que reservas em dólar podem se tornar vulneráveis em cenários de tensão geopolítica.

Como destacou o jornalista, a reação foi imediata.

Bancos centrais intensificaram a compra de ouro, ampliaram acordos bilaterais em moedas locais e passaram a considerar, de forma mais concreta, sistemas de pagamento alternativos.

Ele argumenta que não se trata de derrubar abruptamente a ordem vigente, mas de construir caminhos paralelos capazes de reduzir riscos.

BRICS como laboratório de alternativas ao dólar

Conforme o artigo, o BRICS surge como um espaço de coordenação dessas iniciativas, especialmente para países do chamado Sul Global.

Escobar observa que o bloco passou a funcionar como um “laboratório” de testes financeiros, no qual diferentes modelos são avaliados para viabilizar o comércio internacional sem a intermediação do dólar.

Entre esses modelos, ele destaca a proposta de uma unidade de conta não soberana, baseada em blockchain, conhecida como Unidade.

Segundo o jornalista, essa estrutura não seria uma moeda tradicional, mas um instrumento de liquidação comercial, inspirado em mecanismos como os Direitos Especiais de Saque do Fundo Monetário Internacional, porém restrito ao ecossistema do BRICS.

Unidade, mBridge e BRICS Pay em análise

De acordo com Escobar, a Unidade poderia ser lastreada em uma cesta de commodities ou moedas, reduzindo o peso de qualquer país individual.

Ele ressalta que a proposta ainda está em estágio conceitual, mas simboliza a tentativa de criar um meio “apolítico” de liquidação.

O jornalista também menciona o mBridge, um projeto de moeda digital compartilhada entre bancos centrais, liderado por instituições asiáticas, e que inspirou o chamado BRICS Bridge.

Conforme sua análise, o objetivo central é permitir transações diretas entre moedas nacionais, sem a conversão prévia em dólares.

Outro eixo citado é o BRICS Pay, descrito por Escobar como uma infraestrutura de pagamentos voltada inicialmente para usos cotidianos, como turismo e pequenas transações.

Ele observa, no entanto, que o desafio permanece nas operações de maior valor, que ainda dependem de sistemas como o SWIFT e de bandeiras ocidentais de cartões.

Ouro, reservas cambiais e enfraquecimento do dólar

Pepe Escobar aponta que o contexto favorece essas iniciativas.

Segundo ele, a participação do dólar nas reservas cambiais globais caiu para menos de 40%, o menor nível em pelo menos duas décadas.

O ouro, por sua vez, teria superado moedas como euro, iene e libra esterlina quando consideradas em conjunto.

Na interpretação do jornalista, esses números reforçam a percepção de que o sistema atual perdeu neutralidade e passou a ser visto como instrumento de pressão política.

Video de YouTube

Yuan, CIPS e o debate acadêmico internacional

O artigo recorre também às análises do economista Michael Hudson, citado por Escobar como um dos principais estudiosos da hegemonia do dólar.

Hudson, conforme o texto, defende que o caminho de menor resistência estaria na ampliação do uso do yuan e do sistema chinês de pagamentos internacionais, o CIPS.

Escobar lembra que o CIPS já opera em mais de uma centena de países, o que lhe confere uma vantagem prática.

Ainda assim, Hudson avalia que uma nova instituição internacional, nos moldes do Bancor proposto por Keynes em 1944, poderia oferecer maior equilíbrio no longo prazo.

Proposta brasileira para uma nova moeda internacional

O jornalista também cita o economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, que defende a criação de uma nova moeda internacional restrita a transações externas.

Segundo Escobar, Batista Jr. avalia o sistema do dólar como ineficiente e vulnerável a usos políticos.

De acordo com essa proposta, a moeda seria lastreada em uma cesta ponderada das moedas dos países participantes, com pesos definidos pelo PIB em paridade de poder de compra.

O autor observa que o peso da economia chinesa seria central para conferir credibilidade ao arranjo.

Riscos, sanções e o horizonte do BRICS

Pepe Escobar ressalta que tanto Hudson quanto Batista Jr. reconhecem o risco de retaliações por parte do Ocidente, incluindo sanções e pressões diplomáticas.

Ainda assim, conforme o jornalista, o custo de não agir tende a crescer à medida que a ordem atual se torna mais instável.

Por fim, ele observa que o BRICS chega às próximas cúpulas anuais diante de um cenário que pode marcar uma inflexão histórica no sistema financeiro internacional.

A questão central, como ele sugere, é se os países envolvidos conseguirão coordenar interesses econômicos e políticos suficientes para sustentar uma alternativa viável ao dólar sem desencadear conflitos de maior escala.

Inscreva-se
Notificar de
guest
5 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Didil
Didil
20/01/2026 10:39

O governo do amor só se alia a gente boa …
Enquanto não ver o Brasil virar uma Venezuela não vão sossegar 🤬

Diones racinghelmets
Diones racinghelmets
19/01/2026 09:52

Tudo tem origem.em um » não» no pós guerra se dividia de um lado o comunismo liderados pela URSS.e de outro o capitalismo liderado pelos EUA. Os EUA criaram a OTAN.para se opor militarmente URSS.e está criou o Pacto de Varsóvia com o mesmo propósito.em 89 a URSS.implementaram a glasnost.e a perestroika.que terminou com o fim da URSS.a devolução dos países ocidentais. E o fim do pacto de Varsóvia.em contrapartida a OTAN. Tbm deveria ser extinta. Mas não cumpriu ainda assim para tranquilizar a Rússia o ocidente havia feito a promessa de não avançar nem um metro sequer sobre a Rússia.( mas não cumpriu) então a Rússia pediu para ser aceita na OTAN. E recebeu um não! E com o avanço da OTAN em volta da Rússia ficou claro suas intenções. E ao tentarem cooptar a Ucrânia para a OTAN. Isso foi a gota d’água. Era questão de sobrevivência evitar a OTAN.tao perto. É igual trump.hj querer fazer o mesmo na groenlandia. Por medo de esta ilha ser usada como base de ataque aos EUA. Logo se os EUA tivessem incluído a Rússia na OTAN em 1991 não haveria sanções nem BRICS. Nem O NDB.e o sistema de pagtos nBRIDGE. Nem Hugo chaves.maduro.. PT é outra se os EUA tbm não tivessem sido gananciosos ao liderar a debandada de empresas ocidentais para produzir barato na China o que desindustrializou o Brasil. A china jamais seria essa potência que se tornou hoje.enfim tudo que está aí hoje.foi decisões tomadas lá atrás.de maneira egoísta e unilateral.plantou agora está colhendo. Agora com o acordo Mercosul X união europeia temos a chance de oferecer a zona franca aos industriais europeus e ter aqui a nossa shenzen. Se o brasil não fizer isso rápido as indústrias irão todas para o Paraguai. É a nossa chance de atrair multinacionais e não ser apenas o fazendão do mundo.É a nossa última chance!!

Joselito Carvalho Fonseca
Joselito Carvalho Fonseca
19/01/2026 08:40

Vocês e o Lula estão doidos para jogtem muito mais ar o Brasil em um ma guerra contra os USA, senão vejamos: No BRICS a Rússia está praticamente quebrada, e quem falou isto foi o próprio BC deles… a India não vai se meter em confusão com os USA… a China sabe que se entrar em uma guerra tem muito mais a perder no momento… o resto do BRICS, é o resto… sobra para quem??? BRASIL… todo mundo que falou em derrubar o dolar, se lascou… exemplos mais recentes foram Afeganistão, Líbia e Iraque… fica a dica… …

Célio Telles
Célio Telles
Em resposta a  Joselito Carvalho Fonseca
19/01/2026 21:22

O Petro dólar é um erro monumental, tem que acabar e os países vão fazer negócios entre si nas suas respectivas moedas. O BRICs está aí para isso, quem for mais competitivo e competente fará os melhores negócios e terá os melhores ganhos.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartir en aplicaciones
5
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x