No Universo, uma equipe liderada por Yvette Cendes, acompanhou por mais de 2000 dias, o buraco negro AT2018hyz – 100 trilhões de vezes mais poderoso que a Estrela da Morte de Star Wars, para entender por que sua emissão de rádio aumentou 50 vezes e não para de crescer
Buraco negro, 100 trilhões de vezes mais poderoso que a ‘Estrela da Morte de Star Wars? Isso mesmo, o buraco negro AT2018hyz, supermassivo, destruiu uma estrela inteira em 2018. O que parecia apenas mais um evento extremo do Universo acabou se transformando em um dos fenômenos mais intrigantes da astronomia moderna.
Quatro anos depois de engolir a estrela, o objeto conhecido como AT2018hyz continua aumentando sua emissão de rádio e já está cerca de 50 vezes mais brilhante do que quando começou a ser detectado nesse comprimento de onda. Os modelos indicam que o pico pode acontecer em 2027.
O caso não chama atenção apenas pela violência cósmica, mas pelo impacto direto na tecnologia de observação espacial e na forma como grandes eventos energéticos são monitorados.
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O que aconteceu no espaço
Em 2018, o sistema automatizado de varredura do céu All-Sky Automated Survey for SuperNovae identificou um brilho incomum vindo de uma galáxia distante. Tratava-se de um evento de disrupção de maré, conhecido pela sigla TDE.
Esse fenômeno ocorre quando uma estrela passa perto demais de um buraco negro supermassivo e é despedaçada pela força gravitacional. Parte do material é sugado. Outra parte é lançada para o espaço.
Até então, tudo estava dentro do padrão esperado pela comunidade científica.
O comportamento mudou anos depois.
O sinal que apareceu quase três anos depois
O AT2018hyz foi visto inicialmente em luz visível. No entanto, a emissão em rádio só apareceu 972 dias após a destruição da estrela.
O mais surpreendente é que, em vez de enfraquecer, o sinal continua crescendo.
Observações realizadas ao longo de mais de dois mil dias mostram que o brilho em rádio segue aumentando em todas as frequências analisadas. Esse comportamento foge do padrão típico, no qual a energia liberada tende a diminuir com o tempo.
A equipe liderada pela astrônoma Yvette Cendes acompanha o fenômeno para entender o motivo dessa escalada tardia.
As duas explicações mais prováveis
Existem dois cenários principais sendo analisados.
O primeiro envolve a liberação tardia de um grande volume de material, chamado de outflow esférico. Nesse caso, o buraco negro teria lançado matéria para o espaço mais de um ano após a destruição da estrela, gerando a emissão crescente em rádio.
O segundo cenário aponta para a formação de um jato relativístico, composto por partículas viajando a velocidades próximas à da luz. Se esse jato estiver fora do nosso campo direto de visão, o brilho pode demorar a aparecer. À medida que desacelera e se expande, o sinal aumenta rapidamente.
Eventos com jatos desse tipo podem alcançar níveis de energia comparáveis aos de uma gamma-ray burst, considerada uma das explosões mais poderosas do Universo.
Energia em escala extrema do buraco negro, 100 trilhões de vezes mais poderoso que a ‘Estrela da Morte de Star Wars’
As estimativas indicam que a energia liberada pelo AT2018hyz está na mesma ordem de grandeza das explosões de raio gama.
Para ilustrar a dimensão, comparações populares indicam que o fenômeno pode liberar trilhões de vezes mais energia do que estimativas fictícias atribuídas à arma da franquia Star Wars.
Mesmo considerando as incertezas naturais de medições feitas a distâncias cósmicas, os números impressionam.
O impacto na tecnologia e na engenharia espacial
O caso pode provocar mudanças importantes na forma como eventos desse tipo são acompanhados.
O tempo de observação em radiotelescópios é limitado e altamente disputado. Quando um evento não apresenta emissão inicial em rádio, muitas vezes ele deixa de ser monitorado com prioridade.
O AT2018hyz mostra que isso pode ser um erro estratégico.
Se outros eventos apresentarem comportamento semelhante, será necessário rever protocolos, ampliar o tempo de acompanhamento e investir em estratégias de monitoramento de longo prazo.
O que pode acontecer em 2027 com o Buraco negro, 100 trilhões de vezes mais poderoso que a ‘Estrela da Morte de Star Wars’
Os modelos atuais indicam que o brilho continuará aumentando até atingir um pico previsto para 2027. Se essa previsão se confirmar, o AT2018hyz poderá se tornar um dos principais estudos de caso sobre como buracos negros supermassivos liberam energia de forma tardia e prolongada.
A grande dúvida agora é quantos fenômenos semelhantes podem ter passado despercebidos simplesmente porque ninguém continuou observando por tempo suficiente.
O Universo pode não revelar seus eventos mais energéticos no momento da explosão. Em alguns casos, como este, o espetáculo começa anos depois.
Você acha que esse fenômeno é um caso isolado ou pode ser mais comum do que imaginamos? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre o futuro do monitoramento de buracos negros.
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