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Cientistas descobrem que o rangido dos sapatos pode criar minúsculos “raios” invisíveis toda vez que você pisa no chão

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado el 27/02/2026 a las 23:56
Estudo científico revela nova explicação para o rangido dos sapatos ao deslizar sobre superfícies rígidas e chama atenção da comunidade científica.
Estudo científico revela nova explicação para o rangido dos sapatos ao deslizar sobre superfícies rígidas e chama atenção da comunidade científica.
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Novo estudo científico publicado em 25 de fevereiro investigou o conhecido rangido dos sapatos observado em quadras esportivas e superfícies rígidas, revelando que o fenômeno envolve processos físicos microscópicos complexos que desafiam explicações tradicionais sobre atrito e movimento entre materiais macios e sólidos

O rangido produzido por sapatos ao deslizar sobre superfícies rígidas foi investigado por pesquisadores em estudo publicado em 25 de fevereiro na revista Nature, indicando que o som não resulta apenas do atrito, mas de movimentos microscópicos extremamente rápidos na borracha.

Pesquisa identifica novo mecanismo físico por trás do rangido dos sapatos

O estudo mostrou que os sapatos não deslizam de forma uniforme sobre o chão. Em vez disso, pequenas regiões da sola se desprendem e reconectam rapidamente à superfície, formando estruturas chamadas pulsos de deslizamento de abertura.

Esses pulsos se comportam como frentes rápidas semelhantes a rugas que percorrem a área de contato. O processo ocorre repetidamente e gera vibrações que são percebidas pelo ouvido humano como o rangido característico dos sapatos.

Segundo os pesquisadores, esse comportamento desafia a explicação tradicional baseada apenas no atrito de aderência-deslizamento, modelo amplamente utilizado para explicar ruídos em sistemas rígidos, como dobradiças ou freios.

Materiais macios, como a borracha presente nos sapatos, apresentam dinâmica distinta quando entram em contato com superfícies duras, exigindo novos modelos físicos para explicar o fenômeno.

Experimentos com borracha revelam pulsos rápidos e descargas elétricas microscópicas

Para analisar o comportamento dos sapatos, cientistas da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas John A. Paulson de Harvard trabalharam em conjunto com pesquisadores da Universidade de Nottingham e do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica.

A equipe utilizou imagens ópticas de alta velocidade combinadas com gravações de áudio sincronizadas para observar o movimento da borracha deslizando rapidamente sobre vidro liso.

Os experimentos demonstraram que o movimento não ocorre de maneira contínua. Ele acontece em ciclos de arrancadas e paradas concentradas em pequenas áreas, enquanto outras partes permanecem totalmente aderidas ao solo.

Em alguns testes, os pesquisadores observaram pequenos flashes gerados pelo atrito. Essas descargas elétricas foram descritas como minúsculas faíscas semelhantes a relâmpagos.

Embora não sejam a principal fonte do som, essas faíscas mostraram que energia elétrica pode se acumular quando os sapatos entram em movimento sobre superfícies rígidas, influenciando o comportamento dos pulsos de deslizamento.

Formato da borracha influencia diretamente o som produzido pelos sapatos

Os resultados indicaram que o formato da borracha exerce papel mais importante que o próprio movimento no tom do ruído produzido pelos sapatos.

Quando blocos planos de borracha deslizaram sobre o vidro, os pulsos ocorreram de forma irregular, produzindo um som mais amplo e semelhante a um zumbido.

Ao adicionar ranhuras finas na superfície da borracha, os pesquisadores conseguiram confinar os pulsos de deslizamento. Isso fez com que eles se repetissem em intervalos regulares, estabilizando a frequência sonora.

As saliências funcionaram como guias que canalizam o movimento, fixando o rangido em um tom específico. A frequência observada passou a depender principalmente da altura dessas estruturas na borracha.

O padrão mostrou-se tão previsível que a equipe construiu blocos com diferentes alturas e utilizou o sistema para reproduzir manualmente o tema da Marcha Imperial, da franquia Star Wars.

De acordo com o primeiro autor do estudo, Adel Djellouli, foram necessários três dias consecutivos de ensaios para sincronizar ritmo e técnica durante a gravação realizada no laboratório.

Fenômeno observado nos sapatos apresenta semelhanças com terremotos

Além de explicar o rangido dos sapatos, o estudo apontou conexões entre o comportamento observado e processos geológicos associados a terremotos.

Os pulsos de deslizamento identificados compartilham características com frentes de ruptura presentes em falhas geológicas, onde partes da crosta terrestre se rompem repentinamente e deslizam em velocidades muito elevadas.

Segundo o coautor Shmuel Rubinstein, o atrito em materiais macios costuma ser considerado lento. No entanto, os experimentos mostraram que o rangido de um tênis pode se propagar tão rápido quanto, ou até mais rápido, que rupturas geológicas.

A semelhança sugere que estudos envolvendo sapatos e borracha podem contribuir para ampliar a compreensão da física envolvida em terremotos.

Descobertas podem orientar o desenvolvimento de superfícies aderentes ajustáveis

Os pesquisadores afirmam que os resultados possuem aplicações que vão além do design de sapatos.

A compreensão de como a geometria da superfície controla os pulsos de deslizamento pode permitir o desenvolvimento de materiais capazes de alternar entre estados escorregadios e aderentes conforme a necessidade.

Segundo Katia Bertoldi, professora de mecânica aplicada em Harvard, ajustar o comportamento de fricção em tempo real representa um objetivo antigo da engenharia.

A nova análise abre caminho para a criação de metamateriais friccionais ajustáveis, capazes de transitar entre baixo atrito e alta aderência sob demanda, utilizando o controle geométrico das superfícies.

Assim, o estudo que investigou o simples rangido dos sapatos revelou mecanismos físicos complexos envolvendo movimento supersônico, vibração localizada e acúmulo de energia elétrica em escalas microscópicas.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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