A costureira e ex professora conta como voltou ao interior, manteve a própria renda e passou a tocar sozinha um sítio no Alto Vale do Itajaí. No relato, ela descreve luto, recomeço e rotina com plantio, frutas e ateliê dentro de casa. A história também dialoga com a busca crescente por vida no interior e mais autonomia.
A história de Marlene, uma ex professora e atual costureira, ganhou atenção após aparecer em um vídeo do canal jj88, gravado no interior de Ituporanga, em Santa Catarina, onde ela mostra a propriedade e relata por que escolheu viver na roça.
No depoimento, ela afirma que cuida de cerca de 13 hectares, mantém áreas de cultivo e um quintal com várias frutas, e usa a própria experiência para decidir o tempo de plantar, podar e colher.
Além do trabalho na terra, Marlene diz que sustenta a rotina com costura sob medida, atendendo clientes que vão até o sítio, algo que ela relaciona ao alcance da internet e ao boca a boca na região.
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O relato chama atenção por combinar dois temas que costumam aparecer separados, empreendedorismo no interior e permanência no campo, em um país onde a urbanização segue avançando e hoje a maior parte da população vive em áreas urbanas, segundo o Censo 2022.
Da infância sem escola ao concurso público que mudou a vida
No vídeo, Marlene conta que nasceu no interior e que não frequentou a escola na infância, aprendendo em casa a ler, escrever e fazer operações básicas. Ela atribui parte do repertório ao hábito do pai de levar jornais e revistas, mesmo antigos, para ela ler.
Ela também relata que começou cedo a lidar com responsabilidades práticas, como costurar e trabalhar em tarefas do sítio, e diz que chegou a dirigir caminhão ainda muito jovem. Mais tarde, afirma que fez formação para lecionar e atuou como professora por cerca de 20 anos.
Outro ponto central do relato é a aprovação em concurso logo na primeira tentativa, algo que ela descreve como uma virada por ter chegado à sala de aula para ensinar, não como aluna.
O luto, a volta para o sítio e a decisão de tocar a propriedade
Marlene diz que se casou e teve dois filhos, e que a família enfrentou perdas na lavoura antes de se mudar para uma área mais urbana, onde ela passou a trabalhar com costura. Com o tempo, conta que o marido quis voltar ao interior, e o casal comprou a área onde ela vive hoje.
A mudança definitiva ocorre depois de uma sequência de eventos difíceis. No vídeo, ela relata a morte do marido de forma repentina e afirma que, a partir daí, precisou reorganizar a vida, voltar ao sítio e assumir a rotina sozinha, incluindo melhorias na casa.

Costura sob medida e renda dentro de casa em um ateliê no interior
A parte mais incomum da história é como ela descreve a renda sem sair da roça. Marlene afirma que montou um espaço de trabalho em casa, com máquinas e materiais, para produzir peças sob medida e também itens de cama, mesa e banho.
No relato, ela diz que não depende de bater ponto, define os próprios horários e recebe clientes no sítio, destacando que a visibilidade aumentou com a internet. Essa lógica se apoia em um ponto simples, o serviço vai até onde a pessoa está, e não o contrário, na visão dela.
Ela também cita trabalhos temáticos ligados a festas regionais, como confecção de trajes para eventos locais, e descreve como desenvolve desenhos e propostas de figurino conforme a identidade de cada festa.
A narrativa reforça um contraste comum a quem busca morar no interior, que é reduzir deslocamentos e custos fixos, enquanto tenta preservar renda e autonomia. Para Marlene, esse equilíbrio é parte do motivo de permanecer na roça.
Ituporanga e o Alto Vale onde a agricultura ainda dita o ritmo
O cenário também ajuda a explicar por que a vida rural segue forte na região. Ituporanga integra o Alto Vale do Itajaí e é conhecida pela produção agrícola, com destaque para a cebola, segundo informações institucionais do próprio município.
Dados do IBGE apontam que Ituporanga tinha 26.525 habitantes no Censo 2022, com estimativa de 28.461 em 2025, indicando uma cidade de porte médio para padrões do interior catarinense. (IBGE)
A cadeia da cebola é tratada como estratégica no Alto Vale, e a Epagri mantém uma estação experimental em Ituporanga voltada a tecnologias para a cultura, mostrando como pesquisa e agricultura convivem no cotidiano regional.
Por que a roça voltou a entrar no radar de quem vive na cidade
A história de Marlene aparece em um momento em que cresce a curiosidade sobre como viver na roça sem abrir mão de renda, conectividade e serviços básicos. O tema ganha força especialmente quando relatos unem qualidade de vida, alimentação colhida no quintal e trabalho próprio.
No vídeo, Marlene defende que cultivar parte do alimento, evitar insumos químicos e ter contato diário com natureza trazem uma sensação de bem estar que ela considera difícil de comprar. Ela também descreve uma rotina de manejo do pomar, podas e colheitas ao longo do ano.
O conteúdo não é um manual de vida rural, mas funciona como retrato de um perfil específico, alguém que já tinha habilidades práticas, rede local e uma profissão que pode ser exercida de casa. Ainda assim, a narrativa levanta uma pergunta incômoda, viver no interior é alternativa real ou privilégio de poucos.
O que você acha dessa escolha, é coragem e liberdade ou romantização da roça que ignora dificuldades reais como acesso a saúde, renda estável e isolamento? Deixe seu comentário e diga se você trocaria a cidade pelo interior, e em quais condições isso faria sentido para você.
Atualmente moro na cidade de Manaus e sou professora. Pretendo morar brevemente no interior.
Viver na roça com qualidade de vida é muito bom.
Na verdade essa sra é muito forte e de uma coragem. Imensa..deixo aqui meus cumprimentos pelos trabalhos que executa..mulher de fibra..com garra pra manter seu lar. Um abração.. Deus a abencoe