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Carne feita em impressora 3D avança no Brasil e abre caminho para proteínas sem abate animal em um cenário de inovação científica e sustentabilidade

Escrito por Caio Aviz
Publicado el 17/12/2025 a las 16:01
Carne cultivada em laboratório sendo produzida em impressora 3D, com células animais organizadas em ambiente controlado, sem necessidade de abate.
Tecnologia de bioimpressão 3D utiliza células animais para formar carne cultivada em laboratório, sem abate e com foco em inovação alimentar.
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Projeto desenvolvido pelo SENAI CIMATEC, na Bahia, utiliza células animais cultivadas em laboratório e bioimpressão 3D para ampliar alternativas de proteína e reduzir impactos ambientais

Uma iniciativa científica de grande relevância ganhou destaque nacional ao apresentar uma nova abordagem para a produção de alimentos. Pesquisadores do SENAI CIMATEC, em Salvador, na Bahia, desenvolvem, há dois anos, um projeto de carne produzida em impressora 3D, criada a partir de células animais cultivadas em laboratório, sem necessidade de abate. A proposta posiciona o Brasil no debate global sobre proteínas alternativas e inovação alimentar.

O projeto, batizado de CELLMEAT 3D, recebeu reconhecimento em 2025, ao vencer o Prêmio Finep Nordeste de Inovação, na categoria Agroindústrias Sustentáveis. Com isso, passou a disputar a etapa nacional da premiação, ampliando sua visibilidade e reforçando o papel da ciência brasileira no desenvolvimento de tecnologias de ponta.

Tecnologia celular substitui processos tradicionais de produção

Diferentemente da carne convencional, a carne cultivada do CELLMEAT 3D nasce a partir de células animais coletadas por biópsia, portanto, sem abate ou sofrimento animal. Segundo a pesquisadora Keina Dourado, responsável pelas atividades científicas do projeto, o processo ocorre em ambiente controlado, com fornecimento preciso de nutrientes.

Inicialmente, as células se multiplicam de forma monitorada. Em seguida, elas são estimuladas a se diferenciar, originando tecidos que podem se transformar em músculo ou gordura. Esse controle técnico permite reproduzir estruturas essenciais da carne, mantendo coerência biológica e previsibilidade no desenvolvimento do produto.

Bioimpressão 3D entra em cena para formar textura e estrutura

Após a etapa celular, a impressora 3D assume papel central no processo. A tecnologia é utilizada para dar forma, textura e organização estrutural semelhantes às da carne tradicional. Depois da impressão, o produto ainda passa por um período de maturação, fase necessária para consolidar suas características físicas.

Esse conjunto de etapas demonstra como a bioimpressão 3D atua como elo entre a ciência celular e o alimento final. Assim, o projeto busca aproximar o produto cultivado das referências conhecidas pelo consumidor, sem recorrer aos métodos tradicionais de produção pecuária.

Ampliação das alternativas de proteína orienta o projeto

De acordo com Keina Dourado, o objetivo do CELLMEAT 3D não é substituir a carne convencional, mas ampliar as opções de produção de proteínas. A pesquisadora destaca que a demanda global por proteínas tende a crescer nos próximos anos, o que exige soluções complementares com menor impacto ambiental.

Além disso, a tecnologia abre espaço para ajustes futuros na composição nutricional da carne, permitindo adaptações a necessidades alimentares específicas. Dessa forma, o projeto também aponta para possibilidades de alimentos mais personalizados e alinhados a demandas de saúde e nutrição.

Produto ainda segue em fase de desenvolvimento

Apesar dos avanços e do reconhecimento institucional, o produto ainda não está pronto para o mercado. Atualmente, o projeto segue em fase de desenvolvimento, sem dados consolidados sobre perfil nutricional completo ou características sensoriais, como sabor e textura. Essas avaliações fazem parte das próximas etapas planejadas.

Mesmo assim, estudos conduzidos por grupos internacionais indicam que a carne cultivada pode apresentar composição nutricional semelhante à da carne convencional, além de boa aceitação do público. Em alguns países, inclusive, esse tipo de produto já é comercializado em pequena escala.

Alto custo permanece como principal desafio

Atualmente, um dos maiores entraves para a expansão da carne cultivada é o alto custo da tecnologia. Isso ocorre porque muitos dos insumos utilizados ainda têm origem na indústria farmacêutica, o que eleva significativamente o custo de produção.

Segundo a equipe do projeto, o desenvolvimento de insumos mais acessíveis é fundamental para tornar o produto economicamente viável em larga escala. Esse desafio técnico e industrial é considerado decisivo para o futuro da tecnologia.

Regulamentação avança, mas exige ajustes

No campo regulatório, o Brasil deu um passo importante em 2024, com a entrada em vigor da Resolução RDC 839/2023, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A norma moderniza as regras para avaliação de segurança e autorização de novos alimentos e ingredientes.

Apesar disso, especialistas apontam que ainda são necessárias definições adicionais para regulamentar especificamente a produção e a comercialização da carne cultivada em laboratório. O diálogo entre pesquisadores e órgãos reguladores segue como parte essencial desse processo.

Reconhecimento reforça papel da ciência brasileira

O Prêmio Finep Nordeste de Inovação 2025 reforça a importância da ciência aplicada e da inovação tecnológica desenvolvidas no Brasil. O reconhecimento fortalece a confiança de parceiros, da indústria e da sociedade no potencial do país para enfrentar desafios globais ligados à alimentação e à sustentabilidade.

Diante desse avanço científico, você acredita que a carne cultivada em laboratório pode se tornar, no futuro, uma alternativa relevante no cardápio dos brasileiros ao lado da carne tradicional?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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