Projeto desenvolvido pelo SENAI CIMATEC, na Bahia, utiliza células animais cultivadas em laboratório e bioimpressão 3D para ampliar alternativas de proteína e reduzir impactos ambientais
Uma iniciativa científica de grande relevância ganhou destaque nacional ao apresentar uma nova abordagem para a produção de alimentos. Pesquisadores do SENAI CIMATEC, em Salvador, na Bahia, desenvolvem, há dois anos, um projeto de carne produzida em impressora 3D, criada a partir de células animais cultivadas em laboratório, sem necessidade de abate. A proposta posiciona o Brasil no debate global sobre proteínas alternativas e inovação alimentar.
O projeto, batizado de CELLMEAT 3D, recebeu reconhecimento em 2025, ao vencer o Prêmio Finep Nordeste de Inovação, na categoria Agroindústrias Sustentáveis. Com isso, passou a disputar a etapa nacional da premiação, ampliando sua visibilidade e reforçando o papel da ciência brasileira no desenvolvimento de tecnologias de ponta.
Tecnologia celular substitui processos tradicionais de produção
Diferentemente da carne convencional, a carne cultivada do CELLMEAT 3D nasce a partir de células animais coletadas por biópsia, portanto, sem abate ou sofrimento animal. Segundo a pesquisadora Keina Dourado, responsável pelas atividades científicas do projeto, o processo ocorre em ambiente controlado, com fornecimento preciso de nutrientes.
-
Por mais de 400 anos, marinheiros relataram cruzar um oceano que brilhava no escuro como neve, sem ondas e sem reflexos, apenas um brilho uniforme se estendendo até o horizonte, e em 2019 um satélite registrou o fenômeno cobrindo mais de 100.000 km² por mais de 40 noites seguidas ao sul de Java, mas os cientistas ainda não sabem exatamente o que desencadeia o processo
-
Japão vira referência com processo genial que recicla 100 toneladas de plástico por dia usando técnica que remove contaminantes, sensores ópticos que separam PP e PE em segundos e linhas industriais que transformam toneladas de resíduos em paletes reutilizáveis.
-
China criou máquina ‘impossível’ que muda a agricultura ao combinar drones, tratores autônomos com navegação centimétrica, sensores e inteligência artificial
-
A cidade flutuante movida a 2 reatores nucleares que abandona o vapor, usa campos eletromagnéticos para lançar aeronaves ao céu e inaugura uma nova era dos porta-aviões de guerra
Inicialmente, as células se multiplicam de forma monitorada. Em seguida, elas são estimuladas a se diferenciar, originando tecidos que podem se transformar em músculo ou gordura. Esse controle técnico permite reproduzir estruturas essenciais da carne, mantendo coerência biológica e previsibilidade no desenvolvimento do produto.
Bioimpressão 3D entra em cena para formar textura e estrutura
Após a etapa celular, a impressora 3D assume papel central no processo. A tecnologia é utilizada para dar forma, textura e organização estrutural semelhantes às da carne tradicional. Depois da impressão, o produto ainda passa por um período de maturação, fase necessária para consolidar suas características físicas.
Esse conjunto de etapas demonstra como a bioimpressão 3D atua como elo entre a ciência celular e o alimento final. Assim, o projeto busca aproximar o produto cultivado das referências conhecidas pelo consumidor, sem recorrer aos métodos tradicionais de produção pecuária.
Ampliação das alternativas de proteína orienta o projeto
De acordo com Keina Dourado, o objetivo do CELLMEAT 3D não é substituir a carne convencional, mas ampliar as opções de produção de proteínas. A pesquisadora destaca que a demanda global por proteínas tende a crescer nos próximos anos, o que exige soluções complementares com menor impacto ambiental.
Além disso, a tecnologia abre espaço para ajustes futuros na composição nutricional da carne, permitindo adaptações a necessidades alimentares específicas. Dessa forma, o projeto também aponta para possibilidades de alimentos mais personalizados e alinhados a demandas de saúde e nutrição.
Produto ainda segue em fase de desenvolvimento
Apesar dos avanços e do reconhecimento institucional, o produto ainda não está pronto para o mercado. Atualmente, o projeto segue em fase de desenvolvimento, sem dados consolidados sobre perfil nutricional completo ou características sensoriais, como sabor e textura. Essas avaliações fazem parte das próximas etapas planejadas.
Mesmo assim, estudos conduzidos por grupos internacionais indicam que a carne cultivada pode apresentar composição nutricional semelhante à da carne convencional, além de boa aceitação do público. Em alguns países, inclusive, esse tipo de produto já é comercializado em pequena escala.
Alto custo permanece como principal desafio
Atualmente, um dos maiores entraves para a expansão da carne cultivada é o alto custo da tecnologia. Isso ocorre porque muitos dos insumos utilizados ainda têm origem na indústria farmacêutica, o que eleva significativamente o custo de produção.
Segundo a equipe do projeto, o desenvolvimento de insumos mais acessíveis é fundamental para tornar o produto economicamente viável em larga escala. Esse desafio técnico e industrial é considerado decisivo para o futuro da tecnologia.
Regulamentação avança, mas exige ajustes
No campo regulatório, o Brasil deu um passo importante em 2024, com a entrada em vigor da Resolução RDC 839/2023, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A norma moderniza as regras para avaliação de segurança e autorização de novos alimentos e ingredientes.
Apesar disso, especialistas apontam que ainda são necessárias definições adicionais para regulamentar especificamente a produção e a comercialização da carne cultivada em laboratório. O diálogo entre pesquisadores e órgãos reguladores segue como parte essencial desse processo.
Reconhecimento reforça papel da ciência brasileira
O Prêmio Finep Nordeste de Inovação 2025 reforça a importância da ciência aplicada e da inovação tecnológica desenvolvidas no Brasil. O reconhecimento fortalece a confiança de parceiros, da indústria e da sociedade no potencial do país para enfrentar desafios globais ligados à alimentação e à sustentabilidade.
Diante desse avanço científico, você acredita que a carne cultivada em laboratório pode se tornar, no futuro, uma alternativa relevante no cardápio dos brasileiros ao lado da carne tradicional?
-
Uma pessoa reagiu a isso.