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Desde 2015, carros coloridos são proibidos por lei e apenas veículos brancos podem circular em Asgabate, capital do Turcomenistão

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 20/12/2025 às 11:46
Entenda por que Asgabate, no Turcomenistão, só permite carros brancos e como essa lei curiosa mudou a paisagem da capital.
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Entenda por que Asgabate, no Turcomenistão, só permite carros brancos e como essa lei curiosa mudou a paisagem da capital.

Quem chega a Asgabate, capital do Turcomenistão, logo percebe que algo foge completamente do padrão observado em outras grandes cidades do mundo. No trânsito, não há variedade de cores, estilos chamativos ou tons escuros: praticamente todos os carros são brancos.

A cena, curiosa à primeira vista, é resultado de uma lei rigorosa em vigor desde meados da década passada.

Desde 2015, normas municipais passaram a restringir a circulação de veículos de determinadas cores na capital.

Com o tempo, a exigência ficou ainda mais severa, alterando não apenas o visual urbano, mas também o cotidiano dos moradores e o mercado automotivo local.

Asgabate: Uma capital onde o branco domina tudo

Localizada na Ásia Central, Asgabate já era conhecida antes mesmo da regra dos carros por seu visual singular.

A cidade abriga uma quantidade impressionante de edifícios revestidos de mármore branco, o que lhe rendeu um lugar no Guinness World Records como a capital com a maior concentração desse material no mundo.

Esse visual quase futurista é reforçado por avenidas largas, monumentos grandiosos e espaços urbanos planejados para causar impacto.

Entenda por que Asgabate, no Turcomenistão, só permite carros brancos e como essa lei curiosa mudou a paisagem da capital.

Próximo à cidade, outro contraste chama atenção: a famosa cratera de gás conhecida como “Portão do Inferno”, que queima ininterruptamente há mais de cinco décadas, atraindo curiosos do mundo todo.

Como surgiu a proibição de carros coloridos

A origem da regra remonta ao governo de Gurbanguly Berdimuhamedow, que presidiu o país entre 2006 e 2022.

Em 2015, a primeira medida determinou o bloqueio da importação de carros pretos, abrindo caminho para uma padronização visual no trânsito da capital.

Três anos depois, em 2018, a restrição foi ampliada: apenas veículos brancos ou, em alguns casos, prateados passaram a ser permitidos nas ruas de Asgabate. Carros de outras cores deixaram de circular legalmente.

Segundo relatos publicados pelo jornal El País, autoridades chegaram a apreender veículos fora do padrão, liberando-os somente após os proprietários assinarem um compromisso formal de repintura.

As explicações nunca confirmadas oficialmente

Apesar do impacto da medida, nenhuma justificativa oficial detalhada foi divulgada pelo governo. Isso abriu espaço para diversas interpretações e especulações dentro e fora do país.

Uma das teorias mais difundidas afirma que Berdimuhamedow era supersticioso e acreditava que a cor branca simbolizava sorte, pureza e prosperidade.

Outra hipótese aponta fatores práticos: em um país com temperaturas extremas, carros claros absorveriam menos calor do que veículos escuros.

Há ainda quem associe a decisão ao gosto pessoal do ex-presidente, conhecido por demonstrar preferência pela cor branca em eventos públicos e símbolos oficiais.

Impacto direto na vida dos moradores

Independentemente da motivação, a regra provocou efeitos imediatos na economia local.

Oficinas e serviços de pintura passaram a registrar alta demanda por repintura, o que elevou significativamente os preços do serviço.

Para muitos moradores, adaptar-se à norma tornou-se uma questão de necessidade, já que circular fora do padrão pode resultar em multas e retenção do veículo.

Assim, o branco deixou de ser uma escolha estética e passou a ser uma exigência legal.

Vídeo do YouTube

A regra permanece mesmo após mudança de poder

Em 2022, Gurbanguly Berdimuhamedow deixou a presidência, transferindo o comando do país para seu filho, Serdar Berdimuhamedow.

Apesar da troca no poder, a política dos carros brancos foi mantida intacta.

Hoje, Asgabate segue exibindo ruas tomadas por veículos da mesma cor, reforçando a identidade visual singular da capital turcomena e mostrando que a mudança de liderança não alterou esse aspecto do cotidiano urbano.

Com sua arquitetura reluzente, avenidas quase impecáveis e trânsito uniformemente branco, Asgabate ganhou fama internacional como uma “cidade cenográfica”.

Para muitos visitantes, a capital parece mais uma maquete gigante do que uma metrópole habitada.

Enquanto desperta curiosidade e estranhamento fora do país, dentro de Asgabate a vida segue normalmente — desde que tudo permaneça dentro do tom permitido. Afinal, por lá, até a cor do carro faz parte da lei.

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Markos souza
Markos souza
22/12/2025 00:29

Maluquice de um provável Despota, não esclarecido.

Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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