Em Mexico Beach, na Flórida, Margaret Clayton construiu uma casa em formato de domo em 2015 capaz de suportar ventos de até 260 km por hora, e durante o furacão Michael em 2018 a estrutura permaneceu intacta, provocando surpresa entre especialistas e moradores diante da destruição em massa ao redor.
Em 2018, o furacão Hurricane Michael entrou para a história ao se tornar o primeiro de categoria cinco a atingir o Panhandle da Flórida. Os ventos chegaram a 160 milhas por hora, cerca de 260 km por hora, e o cenário foi devastador.
Prédios inteiros foram arrancados das fundações. Quase 50 mil estruturas sofreram impacto direto. Bairros inteiros ficaram irreconhecíveis.
Mas, no meio do caos, uma construção chamou atenção. Uma casa em formato arredondado, semelhante a um domo alongado, permaneceu praticamente intacta enquanto imóveis vizinhos simplesmente desapareceram.
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O que aconteceu em Mexico Beach e por que a casa Golden Eye virou destaque
A residência conhecida como Golden Eye pertence a Margaret Clayton e foi projetada em 2015 com a empresa Monolithic Domes.
Enquanto a casa ao lado “explodiu” com o impacto do vento, lançando até um transformador contra a parede da Golden Eye, a estrutura resistiu.
O contraste foi impressionante. Casas destruídas ou inabitáveis ao redor e um domo praticamente intacto no centro da devastação.
Imagens aéreas do bairro reforçaram o impacto visual. A diferença estrutural ficou evidente e despertou debate sobre arquitetura resistente a furacões.

Por que casas redondas enfrentam melhor ventos extremos
Especialistas explicam que o formato circular é mais aerodinâmico. Ao contrário das casas tradicionais com quinas e telhado plano, o domo permite que o vento circule ao redor da estrutura.
Com menos resistência frontal, a pressão externa diminui. A energia do vento é distribuída de forma mais equilibrada, independentemente da direção da rajada.
Empresas como a Deltec apostam nesse conceito há mais de três décadas. Segundo registros da própria companhia, das 5.500 casas arredondadas construídas, apenas uma sofreu danos significativos por ventos fortes.
Essas construções já enfrentaram furacões históricos como Hurricane Katrina, Hurricane Irma, Hurricane Dorian e mais recentemente Hurricane Milton.
O resultado chamou atenção: dezenas de proprietários relataram não ter sofrido danos estruturais mesmo após tempestades severas.

Engenharia, materiais e números que explicam a resistência
A Deltec desenvolveu modelos projetados para suportar ventos de até 190 milhas por hora, o equivalente a 307 km por hora.
As casas utilizam Southern yellow pine, madeira considerada mais resistente que outras comuns na construção civil, como o Douglas fir. Além disso, a fabricação ocorre em ambiente controlado, o que aumenta o padrão de qualidade estrutural.
Os custos variam. A estrutura base, chamada de shell, representa cerca de um terço do valor total da casa. Os preços começam em 45.900 dólares para um modelo de 48 metros quadrados e podem chegar a 132.500 dólares para versões com 192 metros quadrados.
Já os domos da Monolithic são construídos com concreto e aço. A técnica inclui uma membrana inflável, aplicação de espuma de célula fechada e camadas de concreto projetado. Segundo representantes da empresa, o custo inicial pode ser semelhante ao de uma casa personalizada tradicional, mas manutenção, seguro e eficiência energética podem gerar economia no longo prazo.
Furacões cada vez mais intensos e o desafio da adaptação
Nos Estados Unidos, furacões são o evento climático extremo que mais causa mortes e prejuízos.
Desde 1980, o país registrou 363 desastres climáticos bilionários. Os furacões acumulam mais de 1,3 trilhão de dólares em danos, com média de 22,8 bilhões por evento e 6.890 mortes até 2023.
E os eventos continuam. Em 2024, Hurricane Helene deixou 780 mil pessoas sem energia, enquanto o Hurricane Milton provocou enchentes, chuvas torrenciais e bilhões em prejuízos.
Especialistas alertam que as tempestades estão se tornando mais intensas devido às mudanças climáticas. Mesmo furacões de categoria um já são capazes de gerar destruição severa.
O detalhe que muitos ignoram: água pode ser mais perigosa que o vento
Embora o formato arredondado ajude contra ventos extremos, o maior risco durante furacões costuma ser a água.
Enchentes e marés de tempestade são as principais causas de mortes. Uma casa construída ao nível do solo pode ser destruída pela inundação, independentemente do formato.
Por isso, imóveis em regiões costeiras como Flórida, Louisiana e Texas precisam ser elevados e ter fundações reforçadas.
Outro ponto crucial é a integridade da estrutura externa. Se houver abertura, o vento entra, aumenta a pressão interna e pode arrancar o telhado.
Códigos de construção rigorosos fazem diferença. A Flórida possui algumas das normas mais exigentes dos Estados Unidos, e casas que seguiram esses padrões apresentaram maior resistência inclusive fora do estado.
O que explica a baixa adesão às casas em formato de domo
Se a tecnologia existe, por que não é padrão?
Especialistas apontam dois fatores principais: cultura e custo. A maioria das pessoas está acostumada ao modelo tradicional de casa retangular.
Além disso, financiamento pode ser um desafio. Bancos nem sempre oferecem crédito com facilidade para construções não convencionais.
Do ponto de vista técnico, a engenharia já permite criar imóveis altamente resistentes. A questão central é quanto custa e quem pode pagar.
O caso da Golden Eye mostra que é possível enfrentar ventos de 260 km por hora com danos mínimos. Em um cenário de mudanças climáticas e eventos extremos cada vez mais frequentes, esse tipo de arquitetura chama atenção e pode indicar um caminho para o futuro da construção em áreas vulneráveis.
Você moraria em uma casa em formato de domo para enfrentar furacões? Acredita que esse modelo poderia ser aplicado no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.
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