Estrutura modular criada em Bangladesh propõe moradia desmontável para áreas sujeitas a enchentes e erosão fluvial, utilizando bambu e montagem manual. Projeto Khudi Bari ganhou reconhecimento internacional ao apresentar solução adaptável para comunidades que precisam se deslocar diante do avanço das águas.
Uma casa projetada para ser desmontada e transportada, em vez de permanecer fixa no terreno, passou a atrair atenção internacional a partir de Bangladesh, país onde enchentes e erosão fluvial frequentemente alteram o traçado das margens e forçam deslocamentos de moradores.
Batizado de Khudi Bari, expressão em bengali associada à ideia de “casa pequena”, o sistema foi desenvolvido pelo escritório Marina Tabassum Architects como resposta a comunidades que vivem em áreas ribeirinhas sujeitas a cheias e ao desaparecimento gradual do solo.
Segundo informações divulgadas pelo próprio escritório e por materiais do Aga Khan Award for Architecture, o projeto foi concebido para permitir montagem manual com ferramentas simples e desmontagem rápida, possibilitando que a estrutura seja reinstalada em outro ponto quando necessário.
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Em Bangladesh, grande parte da população rural vive próxima a sistemas fluviais extensos e dinâmicos, especialmente nas chamadas chars, ilhas e bancos de areia formados por sedimentos, onde a erosão pode destruir moradias e obrigar famílias a se deslocarem diversas vezes.
Diante desse contexto, o modelo propõe tratar a mobilidade como parte do planejamento arquitetônico, e não como exceção emergencial, estruturando a casa em módulos reaproveitáveis que reduzem perdas materiais quando há necessidade de mudança.
Estrutura modular de bambu e montagem manual simplificada
A configuração do Khudi Bari utiliza bambu estrutural combinado a conectores metálicos, formando um conjunto leve e rígido, descrito nos documentos do projeto como uma estrutura espacial capaz de distribuir cargas de maneira eficiente.
De acordo com dados apresentados pelo escritório e por publicações ligadas ao prêmio Aga Khan, a montagem pode ser realizada em poucos dias por pequenos grupos, enquanto a desmontagem tende a ocorrer em prazo mais curto, sem necessidade de maquinário pesado.

Esse desempenho está relacionado à eliminação de etapas comuns em obras convencionais, como cura de concreto e longos períodos de secagem, o que, segundo os responsáveis pelo projeto, favorece reconstruções em cenários de perda súbita de moradia.
A planta prevê dois níveis sobrepostos, ampliando a área útil e oferecendo alternativa de abrigo temporário em casos de alagamento, além de favorecer ventilação cruzada, considerada essencial em regiões de clima quente e úmido.
Materiais locais, reaproveitamento e adaptação às enchentes
O bambu foi escolhido por ser amplamente disponível no país e por apresentar boa relação entre resistência e peso, desde que haja seleção adequada e tratamento preventivo contra umidade e pragas, conforme descrito nos relatórios do projeto.
As laterais podem receber diferentes tipos de fechamento, como tecidos de juta ou chapas reaproveitadas, permitindo adaptações conforme disponibilidade de materiais e orçamento das famílias, sem comprometer a integridade da estrutura principal.
Já a cobertura costuma utilizar chapas metálicas leves, adotadas por sua durabilidade e facilidade de remoção, enquanto a elevação da casa em relação ao solo reduz contato direto com lama e umidade durante períodos de cheia.

Além disso, a organização modular possibilita a substituição de peças danificadas sem exigir reconstrução integral, estratégia que, segundo os idealizadores, contribui para reduzir desperdícios e facilitar manutenção em áreas com recorrência de eventos extremos.
Reconhecimento internacional e premiação de arquitetura
O projeto passou a circular em exposições e eventos internacionais de arquitetura, incluindo apresentação vinculada à Royal Academy of Arts, em Londres, ampliando a visibilidade da proposta fora do sul da Ásia.
Em 2025, o Khudi Bari foi incluído entre os vencedores do Aga Khan Award for Architecture, premiação que destacou a integração entre técnicas locais e soluções de baixo custo voltadas a populações vulneráveis.
Segundo dados divulgados pelo prêmio, o custo estimado de um kit básico gira em torno de US$ 450, e mais de setenta unidades haviam sido construídas até o início de 2025, com acompanhamento para avaliar desempenho e durabilidade.

Para especialistas em habitação resiliente citados em materiais institucionais do prêmio, o sistema dialoga com debates atuais sobre adaptação climática, ao propor alternativas que priorizam reaproveitamento de componentes e rapidez de reinstalação.
O reconhecimento internacional ocorre em meio ao aumento de discussões sobre moradia em áreas sujeitas a enchentes, fenômeno que afeta diferentes regiões do planeta e pressiona governos e organizações a buscar soluções compatíveis com contextos de risco recorrente.
Ao transformar a casa em um conjunto desmontável e transportável, o Khudi Bari se insere nesse debate global como exemplo de abordagem baseada em materiais locais e logística simplificada, voltada a territórios onde a permanência prolongada nem sempre é possível.
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