Em Treze de Maio, no Sul de Santa Catarina, padre e pai de 82 anos ergueram um castelo de 1.500 m² com 13 dormitórios, capela, chácara produtiva, biodigestor e visitas guiadas para turistas.
A primeira impressão é de cena de filme: em meio a uma paisagem agrícola no pequeno município de Treze de Maio, no Sul de Santa Catarina, um castelo de pedra se impõe entre jardins, fontes de água e animais. No centro dessa história estão padre e pai, parceiros de longa data que, desde 1999, transformaram 300 caminhões de pedras em uma construção de 1.500 m² que hoje recebe visitantes, celebra missas e abriga uma família inteira.
Segundo eles contam, tudo começou como um sonho: em vez de escrever um livro ou compor uma poesia, o padre decidiu erguer um castelo. O pai, aposentado de uma mineradora de carvão e hoje com 82 anos, embarcou na ideia sem pestanejar. Padre e pai venderam outros terrenos, compraram a área no alto do morro e, com muito esforço, foram levantando pedra por pedra até transformar o projeto em realidade.
Um castelo que parece cartão-postal

De qualquer lado que se olhe, o castelo parece pronto para virar cartão-postal. São paredes totalmente em pedra, jardins amplos, fontes, animais circulando pela chácara e a construção principal dominando o topo do morro.
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O resultado é um casarão que foge totalmente do padrão de uma casa comum, com visual de fortaleza europeia encaixada no interior catarinense.
A paisagem agrícola ao redor reforça o contraste: máquinas, plantações e estradas rurais servem de moldura para uma obra que, à primeira vista, ninguém imagina ter sido tocada basicamente por padre e pai com ajuda pontual de outras mãos.
Como padre e pai tiraram o projeto do papel
O projeto do castelo, com salas, quartos e demais ambientes, foi pensado em conjunto por padre e pai. Eles contam que, antes de qualquer pedra ser colocada, houve muita conversa, rascunho e planejamento para cada divisão da casa.
A compra do terreno também exigiu sacrifício. Para conseguir ficar com a área no alto do morro, padre e pai venderam outros terrenos que tinham, concentrando tudo nessa aposta.
A partir daí, o sonho virou rotina pesada de obra, decisão por decisão, sempre com as pedras como protagonistas.
300 caminhões de pedra e 11 anos de obra pesada
A construção começou em 1999. Foram utilizados 300 caminhões de pedras, o equivalente, segundo eles, a cerca de 300 mil metros cúbicos de material, até o castelo ganhar forma.
O padre conta que sempre foi apaixonado por pedra e que esse elemento, para ele, faz toda a diferença em qualquer construção.
O “grosso” da obra levou aproximadamente 11 anos. Depois disso, detalhes foram sendo acrescentados com o tempo: ajustes internos, acabamentos, melhorias na área externa e novos espaços.
Antes de partir para o castelo principal, o pai ainda “treinou” construindo um castelo menor; quando algo não ficava bom, desmanchava e recomeçava.
Ele próprio destaca que levantar um castelo de pedra é muito diferente de trabalhar com tijolos comuns, o que exigiu paciência e repetição.
Um lar completo: chácara, animais e vida simples

Mais do que ponto turístico, o castelo é casa. Ali vivem o padre, o pai de 82 anos, outros familiares e o filho adotivo, que ganhou destaque quando o padre ficou conhecido como um dos poucos “pais de batina” autorizados pelo bispo da região. A nora Carla ajuda hoje na organização das visitas ao local.
O dia a dia é de chácara ativa: há gado, galinhas, porcos, peixes e produção de alimentos para consumo da família.
O próprio padre se define como alguém com alma de agricultor. Entre missas, atendimentos e compromissos, ele segue cuidando da terra, dos animais e da rotina rural, numa combinação pouco comum entre vida religiosa e agricultura.
Biodigestor transforma esterco em gás para a cozinha
Uma das partes mais curiosas do projeto é o cuidado com sustentabilidade. Na área da chácara, um biodigestor transforma o esterco do gado em gás usado na cozinha do castelo.
Isso ajuda a reduzir custos, dá destino adequado aos resíduos e reforça a proposta de uma vida mais autossuficiente.
Além do biodigestor, boa parte dos alimentos consumidos pela família é produzida ali mesmo, o que completa o ciclo: animais, plantio, gás e comida saem da mesma propriedade.
A rotina, segundo eles, mistura tecnologia simples com tradição, mostrando que é possível manter um castelo funcionando sem abrir mão da lógica de sítio.
Capela, missas diárias e pinturas no teto

Dentro do castelo, um dos espaços que mais chama atenção é a capela. As pinturas ricas em detalhes tomam as paredes e o teto, onde há a representação da ordenação do padre Nivaldo.
Ali, a família participa de missa todos os dias por volta das 6h15 da manhã. Aos domingos, a celebração das 9h30 é aberta à comunidade, que pode participar da liturgia no próprio castelo.
Até cerca de três meses atrás, as missas eram celebradas inteiramente em latim; hoje, há uma mistura de latim com português, mantendo o clima tradicional, mas mais acessível aos fiéis.
Nova igreja de pedra para 300 pessoas
Os planos de padre e pai não pararam no castelo. Já está em andamento o projeto de uma nova igreja, também de pedra, com capacidade para cerca de 300 pessoas.
Dessa vez, o pai atua mais como consultor, por causa da idade, mas deixa claro que, se pudesse, estaria novamente no meio da obra.
Mesmo com mais de 80 anos, ele afirma que quer seguir trabalhando “até onde der”, sonhando ver a nova igreja pronta.
A ideia é ampliar o espaço de celebração para comportar melhor a comunidade e os visitantes, mantendo a mesma identidade visual em pedra que marca toda a propriedade.
Visitas ao castelo: quanto custa e como funciona

Com o tempo, o lugar se transformou em atração turística de Treze de Maio. A propriedade, que não foi construída inicialmente com essa finalidade, hoje já é um dos pontos mais diferentes da região.
As visitas são abertas ao público. Segundo a família, há uma contribuição sugerida de 25 reais por adulto, enquanto crianças de até 12 anos não pagam.
O passeio dentro do castelo dura de 30 a 45 minutos e é sempre acompanhado por uma guia, que conta a história da construção, explica detalhes e mostra os principais ambientes.
Ao final, muitos visitantes conseguem ainda ouvir relatos diretamente de quem colocou o sonho de pé: padre e pai costumam conversar com quem chega, relembrar as dificuldades da obra e reforçar a sensação de gratidão ao ver o projeto, antes apenas no papel, hoje completamente erguido em pedra.
Para você, o que mais impressiona nessa história: o castelo gigantesco no interior de Santa Catarina ou a determinação de padre e pai de seguir sonhando e trabalhando mesmo depois de tantos anos?
Se todos os homens atendessem ao chamado de Deus o mundo seria um verdadeiro paraíso! Assim se fez a Europa Medieval.
A determinação dos dois.Parabens