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Cesta básica dispara em capitais do Brasil e carne volta a pesar no bolso

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 10/03/2026 às 20:31
Atualizado em 10/03/2026 às 20:32
Preço da cesta básica sobe em 14 capitais do Brasil; carne e feijão pressionam a alimentação enquanto café e óleo ficam mais baratos.
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Preço da cesta básica sobe em 14 capitais do Brasil; carne e feijão pressionam a alimentação enquanto café e óleo ficam mais baratos.

O preço da cesta básica voltou a subir em diversas regiões do Brasil. Em fevereiro de 2026, o custo do conjunto de alimentos essenciais aumentou em 14 capitais brasileiras, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O levantamento foi apresentado na segunda-feira (9) e aponta mudanças importantes no custo da alimentação das famílias.

De acordo com o estudo, enquanto algumas cidades registraram aumento, outras apresentaram queda no valor médio da cesta básica. Ainda assim, a elevação observada em parte das capitais do Brasil foi puxada principalmente pelo aumento da carne bovina e do feijão, itens essenciais na dieta brasileira.

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Cesta básica sobe em capitais do Brasil no mês de fevereiro

A pesquisa mostra que o valor da cesta básica subiu em 14 capitais entre janeiro e fevereiro de 2026. As maiores altas ocorreram em:

  • Natal: 3,52%
  • João Pessoa: 2,03%
  • Recife: 1,98%
  • Maceió: 1,87%
  • Aracaju: 1,85%
  • Vitória: 1,79%
  • Rio de Janeiro: 1,15%
  • Teresina: 1,07%

Por outro lado, o levantamento também identificou queda no preço da cesta básica em 13 cidades. As reduções mais expressivas ocorreram em Manaus (-2,94%), Cuiabá (-2,10%) e Brasília (-1,92%).

Quando se analisa o acumulado do ano, o cenário mostra que 25 capitais do Brasil registraram aumento no custo da alimentação, enquanto poucas cidades tiveram redução.

Capitais com a cesta básica mais cara do Brasil

O estudo também identificou diferenças significativas no custo da cesta básica entre as regiões do Brasil.

Em fevereiro, as cidades com maior custo médio foram:

  • São Paulo – R$ 852,87
  • Rio de Janeiro – R$ 826,98
  • Florianópolis – R$ 797,53
  • Cuiabá – R$ 793,77

Essas capitais lideram o ranking nacional de preços, refletindo custos logísticos, demanda elevada e dinâmica econômica local.

Enquanto isso, nas regiões Norte e Nordeste — onde a composição da cesta básica é diferente — os menores valores médios foram observados em:

  • Aracaju – R$ 562,88
  • Porto Velho – R$ 601,69
  • Maceió – R$ 603,92
  • Recife – R$ 611,98

Mesmo com valores menores, especialistas alertam que o impacto na alimentação das famílias pode ser significativo, principalmente para quem depende do salário mínimo.

Carne e feijão pressionam o preço da cesta básica

Entre os itens que mais influenciaram o aumento do preço da cesta básica, a carne bovina teve papel importante.

O valor da carne de primeira subiu em 20 capitais do Brasil, com variações que foram de 0,14% em Brasília até 2,93% em Rio Branco. Segundo os pesquisadores, a valorização ocorreu devido à menor disponibilidade de animais prontos para o abate e ao bom desempenho das exportações, que mantiveram a proteína animal com preços elevados.

Outro alimento essencial da alimentação brasileira que registrou alta significativa foi o feijão.

O preço do grão subiu em 26 capitais, com destaque para:

  • Campo Grande: alta de 22,05%
  • Belém: alta de 18,63%

Nas cidades onde o feijão preto é pesquisado, como no Sul e no Rio de Janeiro, os aumentos variaram entre 1,38% e 13,83%. A única queda registrada ocorreu em Boa Vista (-2,41%).

Segundo os especialistas, a elevação está relacionada à oferta restrita, dificuldades na colheita e redução da área plantada em comparação com 2025.

Café, arroz e óleo ajudam a reduzir custos da alimentação

Apesar da alta de alguns produtos, outros alimentos importantes ficaram mais baratos nas capitais do Brasil.

O preço do café em pó caiu em 21 cidades, com reduções mais expressivas em Florianópolis (-4,30%) e Cuiabá (-3,86%). De acordo com os analistas, a queda está relacionada à expectativa de safra recorde e menor volume de exportações, o que aumentou a oferta no mercado interno.

Além disso, o óleo de soja apresentou queda em 26 capitais, com variações de -7,05% em Boa Vista até -0,27% em Brasília. Esse movimento foi influenciado pelo excesso de oferta do grão e pela desvalorização do dólar frente ao real, que reduziu a competitividade da soja brasileira no mercado externo.

Outros alimentos também registraram recuo nos preços, como arroz e leite.

O arroz agulhinha ficou mais barato em 16 cidades, enquanto o leite integral apresentou queda em 15 capitais. Mesmo com o início da entressafra da produção leiteira, a importação de derivados lácteos contribuiu para reduzir os preços no varejo.

Salário mínimo ideal deveria ser mais de quatro vezes maior

Com base no valor da cesta básica mais cara do país, registrada em São Paulo, o Dieese calcula mensalmente qual deveria ser o salário mínimo ideal para cobrir despesas básicas no Brasil.

Segundo a entidade, considerando gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, lazer e previdência, o salário mínimo necessário em fevereiro deveria ser de R$ 7.164,94.

O valor corresponde a 4,42 vezes o salário mínimo atual, fixado em R$ 1.621,00.

Esse cálculo reforça o impacto direto do preço da cesta básica no orçamento das famílias brasileiras e mostra como a variação nos alimentos continua sendo um dos principais fatores que influenciam o custo de vida nas capitais do Brasil.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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