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Chamados de sonhadores por tentar devolver vida a montanhas marrons após a guerra, eles plantaram milhões de árvores em um plano nacional que recuperou mais de 60% das florestas, reduziu erosão e virou referência da FAO mundial

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 16/02/2026 a las 16:20
Coreia do Sul recuperou mais de 60% das florestas após a guerra e virou referência global em reflorestamento e controle da erosão.
Coreia do Sul recuperou mais de 60% das florestas após a guerra e virou referência global em reflorestamento e controle da erosão.
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País devastado pela guerra transformou encostas erodidas em florestas consolidadas por meio de planos nacionais de reflorestamento contínuos, combinando metas oficiais, fiscalização e mobilização social, até superar 60% de cobertura florestal e se tornar referência internacional em recuperação ambiental.

A Coreia do Sul saiu da Guerra da Coreia com encostas expostas, rios carregados de sedimentos e uma crise florestal que ameaçava a reconstrução econômica, mas reverteu o quadro com planos nacionais de reflorestamento que levaram a cobertura florestal para mais de 60% do território.

A virada combinou plantio em larga escala, fiscalização e mobilização comunitária, e passou a ser citada em documentos e análises internacionais, inclusive da FAO, como um caso raro de recuperação ambiental sustentada e com efeitos práticos sobre solo, água e riscos naturais.

Paisagem degradada após a Guerra da Coreia

Durante décadas, a retirada de madeira e o uso intensivo de lenha enfraqueceram a proteção do solo, e a guerra acelerou o desgaste ao atingir áreas rurais e estruturas locais, deixando colinas nuas e aumentando a vulnerabilidade a enxurradas.

Com menos vegetação para amortecer a chuva, a água passou a escoar com mais força pela superfície, abrindo sulcos, carregando terra para os cursos d’água e elevando o assoreamento de reservatórios, o que encarecia obras e reduzia a segurança hídrica.

Reflorestamento como política de proteção territorial

Video de YouTube

Em vez de encarar o plantio como campanha simbólica, o governo passou a tratar a recuperação das florestas como uma política de proteção territorial, porque deslizamentos e erosão afetavam estradas, áreas agrícolas e comunidades em regiões montanhosas.

Nesse modelo, árvores e gramíneas funcionariam como “engenharia viva”, já que as raízes estabilizam encostas e a copa diminui o impacto direto das gotas no solo, favorecendo infiltração e reduzindo a quantidade de sedimento arrastada após temporais.

Planos nacionais de reflorestamento e metas decenais

A estratégia ganhou força com programas estruturados em etapas, especialmente a partir dos anos 1970, quando o país adotou planos decenais de reabilitação florestal, com metas de área a recuperar, calendário e responsabilidades distribuídas entre níveis de governo.

O primeiro grande ciclo, iniciado em 1973, estabeleceu um esforço de reflorestamento e manejo em escala nacional e foi acelerado por mecanismos de monitoramento e por ações complementares, como proteção de áreas plantadas e disciplina sobre o uso do recurso florestal.

Viveiros, produção de mudas e logística em larga escala

Para plantar em ritmo compatível com metas nacionais, foi necessário ampliar viveiros, garantir sementes e organizar a entrega de mudas em áreas íngremes, um gargalo clássico em projetos de restauração por exigir técnica, mão de obra e transporte difícil.

Coreia do Sul recuperou mais de 60% das florestas após a guerra e virou referência global em reflorestamento e controle da erosão.
Coreia do Sul recuperou mais de 60% das florestas após a guerra e virou referência global em reflorestamento e controle da erosão.

Ao conectar planejamento central com execução local, a política criou uma cadeia de operação capaz de sustentar volume contínuo de plantio, e os registros históricos do setor florestal sul-coreano apontam bilhões de árvores estabelecidas ao longo de décadas de programas sucessivos.

Fiscalização e mobilização social para evitar retrocessos

Outro ponto decisivo foi reduzir a pressão sobre as áreas em recuperação, porque a demanda por lenha e madeira costuma crescer em períodos de reconstrução, e qualquer corte ilegal poderia anular rapidamente o esforço de plantio em encostas frágeis.

Nesse contexto, fiscalização e regras de uso caminharam junto com campanhas de mobilização, envolvendo comunidades e instituições, de modo que o reflorestamento não dependesse apenas de equipes técnicas, mas também de adesão local e proteção cotidiana das áreas recém-plantadas.

Redução da erosão e impactos nas bacias hidrográficas

Os efeitos sobre rios e reservatórios tendem a aparecer cedo em regiões de montanha, e a recomposição de vegetação em áreas estratégicas de bacias ajuda a reduzir a carga de sedimentos em suspensão, sobretudo após chuvas intensas e repetidas.

Com mais cobertura no alto das encostas e proteção de margens, a tendência é diminuir a velocidade da enxurrada, reduzir o arraste de terra e aumentar a estabilidade do terreno, o que também colabora para menos danos em infraestrutura e perdas na agricultura.

Indicadores ambientais e reconhecimento internacional

Video de YouTube

Materiais técnicos citam que a restauração reduziu drasticamente áreas florestais “despidas” ao longo do tempo, com queda expressiva da proporção de terrenos sem cobertura arbórea em comparação com o cenário de 1960, reforçando a ideia de continuidade como fator-chave.

Além disso, estudos e relatórios apontam a ampliação do estoque florestal e a consolidação de extensas áreas de plantio e manejo, o que ajuda a explicar por que a experiência passou a aparecer em debates internacionais sobre restauração, risco de desastres e gestão hídrica.

Aprendizado institucional e gestão florestal sustentável

Uma operação desse porte exigiu padronização, capacitação de servidores, revisão de métodos e correção de falhas ao longo do caminho, porque a taxa de sobrevivência de mudas, a escolha de espécies e o cuidado inicial determinam o sucesso do plantio.

Com o acúmulo de experiência, o país fortaleceu rotinas de monitoramento e criou uma base técnica para outras frentes, como prevenção de incêndios, manejo sustentável e proteção de áreas sensíveis, mantendo o reflorestamento como política acompanhada e não como evento pontual.

A combinação entre metas de Estado, instrumentos de execução e participação social é citada como uma explicação para a rapidez relativa da transformação, quando comparada ao tempo que a degradação levou para se consolidar em décadas anteriores.

Ao mostrar que encostas erodidas podem voltar a cumprir função protetora com planejamento persistente, a trajetória sul-coreana passou a ser usada como referência em discussões sobre restauração de paisagens, especialmente onde erosão e assoreamento ameaçam abastecimento e produção agrícola.

Se a degradação de solos segue avançando em diferentes regiões do mundo, com eventos extremos pressionando rios e cidades, que tipo de compromisso político e social seria necessário para manter por décadas um reflorestamento capaz de mudar a paisagem de forma tão profunda?

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Terezinha Lohn
Terezinha Lohn
18/02/2026 09:17

Quando povo e governo trabalhar juntos, todos ganhamos…

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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