China celebra marca de 50 mil km em trens de alta velocidade com a nova rota Xi’an Yan’an a 350 km/h, reduzindo viagem a 68 minutos e impulsionando um megaprojeto de transporte que integra ferrovias, rodovias, portos, aeroportos e inovação digital até 2025 com recordes de passageiros e carga nacional
A China deu mais um passo na corrida dos trilhos nesta sexta feira, 26, ao inaugurar um novo eixo de trem de alta velocidade entre Xi’an e Yan’an, na província de Shaanxi. Com a abertura da linha projetada para operar a até 350 km/h, a rede chinesa de trens rápidos chegou a cerca de 50 mil quilômetros em operação, segundo a estatal China Railway e a mídia pública CCTV. O trecho de 299 quilômetros poderá ser percorrido em apenas 68 minutos, encurtando viagens que antes levavam bem mais de 1 hora.
Na terça feira, 23, o Escritório de Informação do Conselho de Estado da China apresentou em Pequim o balanço anual do setor de transportes em 2025, detalhando como a malha ferroviária de alta velocidade foi expandida em 32 por cento desde 2020 e integrada a um pacote mais amplo de obras, que inclui rodovias expressas, hidrovias, aeroportos, sistemas urbanos sobre trilhos e um plano agressivo de digitalização e uso de inteligência artificial em todo o sistema de mobilidade.
Rede de alta velocidade da China passa dos 50 mil quilômetros
Com a nova ligação entre Xi’an e Yan’an, a rede de trens de alta velocidade da China alcança cerca de 50 mil quilômetros de linhas em operação.
-
Em uma cidade da Europa, o maior entroncamento ferroviário do país foi modernizado sem fechar as portas, manteve trens circulando durante anos de obras, passou a atender até 60 mil passageiros por dia e adotou painéis solares que geram cerca de 30% da energia
-
Famosa ferrovia brasileira pode virar estacionamento
-
O país do “pontual como trem” admite que perdeu o controle: trens rápidos atrasam, param, somem do mapa e fazem viagens de 6 horas virarem 10, enquanto a Deutsche Bahn promete reestruturação em 2026, mas enfrenta infraestrutura do século XIX, falta de pessoal e trechos fechados por meses
-
Com investimento de R$ 700 milhões em uma das principais malhas ferroviárias do país, a VLI reforça a infraestrutura, recebe 8 novas locomotivas e amplia o corredor que conecta 7 estados, impulsionando empregos e o transporte de grãos, minério e derivados de petróleo até o Porto de Santos
De acordo com a China Railway, isso representa uma expansão de 32 por cento em relação a 2020, consolidando o país como referência em projetos ferroviários de grande escala.
A linha Xi’an Yan’an foi desenhada para trens que podem rodar a 350 km/h, padrão que a China vem adotando em seus corredores mais modernos.
No novo trecho, o percurso de 299 quilômetros poderá ser feito em 68 minutos, o que reduz significativamente o tempo de deslocamento dentro da província de Shaanxi e reforça a integração entre centros industriais, regiões turísticas e polos de serviços.
Xi’an Yan’an encurta viagens e reorganiza a região de Shaanxi
A rota entre Xi’an, um dos principais centros históricos e tecnológicos da China, e Yan’an, cidade simbólica na trajetória política do país, é apresentada pelo governo como peça estratégica para redistribuir fluxos de passageiros e cargas na região.
Com o trem de alta velocidade, viagens que antes demandavam longas horas em estradas passam a ser concentradas em um eixo ferroviário de alto padrão.
A expectativa é de que a linha alivie rodovias, incentive turismo regional, fortaleça cadeias produtivas locais e conecte ainda mais o interior à malha nacional de trem de alta velocidade da China.
Investimentos trilionários em ferrovias, rodovias e hidrovias até 2025
No balanço apresentado em Pequim, o vice ministro dos Transportes, Li Yang, afirmou que a operação econômica do setor de transportes se manteve estável ao longo do ano, com avanços graduais nos principais indicadores.
A projeção oficial indica que o investimento em ativos fixos do setor deve ultrapassar RMB 3,6 trilhões até o fim de 2025.
Dentro desse pacote, a China pretende adicionar cerca de 2.000 quilômetros de ferrovias de alta velocidade, aproximadamente 8.000 quilômetros de rodovias expressas e perto de 900 quilômetros de hidrovias de alto padrão.
Além disso, cinco novos aeroportos civis de transporte já receberam certificação, ampliando a capacidade de conexão aérea doméstica e internacional.
Explosão de passageiros, cargas e comércio exterior
O relatório mostra que o volume de deslocamentos interregionais de passageiros superou 66 bilhões ao longo do ano, enquanto o transporte comercial de cargas ultrapassou 58 bilhões de toneladas.
Ambos os indicadores registraram crescimento anual próximo de 3,5 por cento, sinalizando demanda forte e estável.
O comércio exterior também ajudou a puxar o setor. A movimentação de contêineres nos portos da China cresceu cerca de 9,6 por cento, o transporte aéreo internacional de cargas avançou 20 por cento e o volume de encomendas expressas aumentou aproximadamente 13,5 por cento.
Esses números reforçam o papel do país como hub logístico global ao mesmo tempo em que a malha de trem de alta velocidade da China encurta prazos em rotas internas.
Feriados, viagens em massa e recordes históricos
A capacidade de prestação de serviços de transporte também foi ampliada. Durante o Festival da Primavera, um dos maiores períodos de deslocamento do planeta, o sistema de transportes garantiu o movimento de cerca de 9 bilhões de pessoas.
Já nos feriados do Dia Nacional e do Festival do Meio do Outono, o número de viagens chegou a 2,4 bilhões, de acordo com o balanço do governo.
Ambos os volumes são descritos como recordes históricos para esses períodos, e ajudam a explicar por que a China segue ampliando trens de alta velocidade, rodovias e aeroportos em ritmo acelerado.
Transporte urbano: metrôs, trens e prioridade para idosos
No transporte urbano, 54 cidades chinesas já contam com sistemas de metrô e trens urbanos em funcionamento, somando mais de 11 mil quilômetros de linhas.
A média diária ultrapassa 90 milhões de passageiros, o que reforça o peso da mobilidade sobre trilhos nas grandes metrópoles da China.
Outro destaque é a integração entre aeroportos e ferrovias. Segundo o governo, a taxa de integração ferroviária em aeroportos hub chegou a 83,3 por cento, facilitando conexões entre voos e trens em corredores de alta demanda.
Para atender à população idosa, foram implantadas cerca de 1.450 linhas de ônibus específicas e mais de 11 mil linhas de ônibus sob demanda nas principais cidades, com foco em acessibilidade e inclusão.
Inteligência artificial, rodovias digitais e o avanço do C919
No campo tecnológico, o Ministério dos Transportes avançou na digitalização da infraestrutura de mobilidade da China.
O governo publicou diretrizes para a iniciativa Inteligência Artificial + Transporte e iniciou a construção de um grande modelo integrado de transporte, que promete apoiar decisões em logística, planejamento de rotas e gestão de tráfego em tempo real.
Aproximadamente 1.700 quilômetros de rodovias e mais de 2.200 instalações rodoviárias e hidroviárias passaram por processos de transformação digital, incorporando sensores, monitoramento avançado e sistemas inteligentes de gestão.
Enquanto os trilhos de alta velocidade ganham notoriedade, o avião comercial C919 também aparece como símbolo da ambição tecnológica chinesa: a aeronave já ultrapassou a marca de 3 milhões de passageiros transportados com segurança, segundo o balanço oficial.
Com uma rede que combina 50 mil quilômetros de trem de alta velocidade, novas rodovias, portos, aeroportos e projetos de inteligência artificial, a China sinaliza que pretende manter vantagem na disputa global por eficiência logística e integração territorial.
Na sua opinião, a estratégia da China de apostar pesado em trem de alta velocidade deveria ser copiada por outros países ou o foco deveria ser em outro tipo de transporte?
-
Uma pessoa reagiu a isso.