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China enterra linhas de alta tensão, instala mais de 1 quilômetro de asfalto com painéis solares em áreas urbanas, cria avenidas verdes e avança com recarga sem fio para carros elétricos em movimento

Escrito por Noel Budeguer
Publicado el 22/01/2026 a las 20:04
China enterra linhas de alta tensão, instala mais de 1 quilômetro de asfalto com painéis solares em áreas urbanas, cria avenidas verdes e avança com recarga sem fio para carros elétricos em movimento
Em Jinan, na China, cidades chinesas implantaram um trecho de 1.080 metros com painéis solares no chão para gerar energia e preparar recarga em movimento, provocando novas avenidas verdes e chamando atenção do setor de mobilidade elétrica.
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Em Jinan, na China, cidades chinesas implantaram um trecho de 1.080 metros com painéis solares no chão para gerar energia e preparar recarga em movimento, provocando novas avenidas verdes e chamando atenção do setor de mobilidade elétrica.

A China vem colocando em prática uma mudança que altera o visual das cidades e também o planejamento de energia e mobilidade. Em vez de postes e cabos aéreos dominando o céu urbano, projetos recentes passam a enterrar linhas de alta tensão e reorganizar a rede elétrica.

Com isso, o espaço acima das vias fica livre para um novo desenho urbano, com corredores verdes, árvores, ciclovias e estruturas preparadas para receber soluções ligadas a energia renovável e carros elétricos.

As informações foram divulgadas por Bloomberg, agência de notícias e serviço de informações financeiras.

Ao mesmo tempo, testes já apontam um próximo passo ainda mais chamativo: ruas e rodovias que podem recarregar carros elétricos enquanto eles seguem em movimento, com tecnologia instalada sob o asfalto.

O que aconteceu nas cidades chinesas e por que isso virou assunto nas avenidas

A proposta central é simples de entender e difícil de ignorar. Enterrar cabos de alta tensão muda a paisagem, reduz a presença de estruturas aéreas e abre espaço para avenidas mais largas e verdes.

O detalhe que mais chamou atenção é que essas avenidas deixam de ser apenas corredores de tráfego. Elas passam a ser planejadas como eixos de energia, conectividade e mobilidade elétrica, com áreas arborizadas, calçadas mais amplas, ciclovias e infraestrutura preparada para novas tecnologias.

Essa reconfiguração aparece ligada a uma agenda de sustentabilidade projetada para 2026, quando projetos urbanos tendem a ser avaliados também por impacto climático, qualidade do ar e capacidade de atrair investimentos associados a critérios ESG.

Como funcionam as avenidas verdes com infraestrutura enterrada e espaço para tecnologia

Quando linhas de alta tensão deixam de ficar expostas, as prefeituras ganham mais margem para reorganizar o espaço urbano. A liberação do céu urbano facilita a instalação de iluminação mais eficiente, sensores e mobiliário urbano inteligente, além de criar condições para integrar energia renovável ao desenho das vias.

Na prática, a avenida verde vira um corredor multifuncional. Ela combina mobilidade, paisagismo e infraestrutura elétrica mais protegida, criando um ambiente que pode receber, de forma mais organizada, elementos que antes disputavam espaço com postes, cabos e estruturas antigas.

A ideia conversa com a expansão de finanças verdes e com a pressão por projetos que entreguem, ao mesmo tempo, obra urbana e ganho ambiental mensurável.

A rodovia inteligente em Jinan com 1.080 metros e o que a estrada solar entrega

Rodovia na China recebe trecho piloto com painéis solares integrados ao asfalto, testando uma nova geração de estradas capazes de gerar energia e apoiar a recarga de veículos elétricos em movimento

Um exemplo citado é um trecho piloto na cidade de Jinan, no leste da China. Ali foi construída uma rodovia inteligente com aproximadamente 1.080 metros, usando painéis solares embutidos sob uma camada de concreto transparente.

O objetivo é transformar o asfalto em uma matriz de geração de energia. Esse tipo de estrada pode fornecer eletricidade para a própria iluminação da via e para centenas de residências, segundo a descrição do projeto.

Além da geração, entram sensores integrados ao pavimento para monitorar tráfego, clima e condições da pista. O resultado é uma via que tenta operar como rodovia, usina solar linear e plataforma de dados para veículos conectados e até autônomos.

A recarga sem fio em movimento, o que é DwPT e por que reduz a ansiedade de autonomia

A tecnologia por trás da recarga em movimento é conhecida como Dynamic Wireless Power Transfer, DwPT. Ela usa sistemas de transmissão de energia sem fio instalados sob o asfalto.

O princípio é direto: bobinas enterradas na pista criam um campo eletromagnético que transfere energia para receptores na parte inferior do carro, recarregando a bateria enquanto o veículo passa pela faixa preparada.

Testes e descrições do conceito indicam que a faixa pode operar como um corredor elétrico, permitindo que veículos equipados com receptores rodem em velocidade normal com menor consumo da própria bateria. Também é citado que a eficiência da transferência, do asfalto ao veículo, já se aproxima da eficiência de estações de recarga rápida convencionais.

Há ainda a integração com internet das coisas, IoT, com envio de dados em tempo real sobre tráfego e consumo de energia, além do potencial de apoiar funções de direção autônoma em cenários conectados.

Por que enterrar cabos muda a capacidade da rede e o que pode acontecer agora

Enterrar linhas de alta tensão não aparece apenas como estética. O ponto é preparar a infraestrutura para uma demanda maior ligada a milhões de carros elétricos, além de facilitar novas conexões de geração distribuída, como estradas solares, telhados fotovoltaicos e estacionamentos com painéis.

Também entra na discussão a recarga bidirecional, V2G. Nessa lógica, carros podem injetar energia de volta na rede em horários de pico, com testes citados em nove cidades chinesas, envolvendo 30 estações e uma meta de 5 mil até 2027.

Mesmo com o entusiasmo, o avanço para escala enfrenta desafios. O custo por quilômetro tende a ser maior do que o de uma via convencional por exigir pavimento especial, painéis, bobinas e eletrônica integrada. A durabilidade também é um ponto sensível, já que tráfego pesado, variações de temperatura e manutenção podem afetar a performance.

E para gerar impacto real na autonomia, é necessário equipar trechos mais longos e ampliar a compatibilidade de receptores nos veículos, o que exige coordenação entre montadoras, governo e operadores.

No fim, o recado que fica para outras cidades é que a transição para veículos elétricos pode exigir mais do que trocar motores. Ela pode significar redesenhar ruas, energia e dados ao mesmo tempo, transformando o chão em fonte de eletricidade e conectividade.

A combinação de cabos enterrados, avenidas verdes, estradas solares e recarga em movimento chama atenção porque junta obra urbana, geração de energia e mobilidade elétrica em uma mesma faixa de asfalto, com metas e testes que já apontam para 2026 e 2027.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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