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China inicia construção do maior trem submarino de alta velocidade do planeta: túnel terá 123 km sob o mar, conectará dois continentes em 40 minutos, custará US$ 36 bilhões e enfrentará zonas sísmicas com engenharia de ponta

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 26/11/2025 a las 14:50
Megatúnel chinês de 123 km promete viagem de 40 minutos sob o mar e exige engenharia inédita em área sísmica. Veja os detalhes do projeto.
Megatúnel chinês de 123 km promete viagem de 40 minutos sob o mar e exige engenharia inédita em área sísmica. Veja os detalhes do projeto.
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O megatúnel submarino chinês promete redefinir o transporte e unir duas regiões estratégicas com alta velocidade, engenharia inédita e impacto logístico bilionário.

A China deu mais um passo em sua estratégia de ampliar a infraestrutura de transporte ao confirmar o avanço do projeto de um túnel ferroviário submarino de 123 quilômetros sob o Estreito de Bohai, pensado para encurtar drasticamente o tempo de viagem entre o nordeste e o leste do país e reforçar a integração logística de uma das áreas mais dinâmicas da economia chinesa.

O corredor, que prevê investimento da ordem de 220 bilhões de yuans, cerca de US$ 36 bilhões, deverá permitir uma travessia em cerca de 40 minutos, integrando-se à malha de trens de alta velocidade já existente.

Conexão estratégica no Estreito de Bohai

O chamado Túnel do Estreito de Bohai foi concebido para ligar as cidades portuárias de Dalian, na península de Liaodong, e Yantai, na península de Shandong, ambas localizadas na costa norte da China.

Embora parte da cobertura internacional apresente o empreendimento como uma ligação entre “dois continentes”, na prática o projeto conecta duas penínsulas do mesmo território continental chinês, atravessando uma das rotas marítimas internas mais movimentadas do país.

Hoje, quem precisa se deslocar entre Dalian e Yantai por terra enfrenta um longo contorno pela baía, em um trajeto de cerca de 1.400 quilômetros de rodovias, ou depende de balsas que levam aproximadamente oito horas para cruzar o estreito.

A futura conexão ferroviária submarina foi pensada justamente para substituir essas alternativas mais lentas e vulneráveis a condições climáticas adversas, garantindo previsibilidade maior para passageiros, cargas e cadeias logísticas.

Mapa do Estreito de Bohai exibindo o traçado do túnel submarino entre Dalian e Yantai, ilustrando o megaprojeto chinês. (Imagem: Wikimedia Commons)
Mapa do Estreito de Bohai exibindo o traçado do túnel submarino entre Dalian e Yantai, ilustrando o megaprojeto chinês. (Imagem: Wikimedia Commons)

Além de facilitar a mobilidade regional, o túnel é visto por autoridades chinesas como peça de um corredor mais amplo, que pretende reforçar o elo entre polos industriais, centros de consumo e grandes portos do norte e do leste do país.

A expectativa é de que o novo eixo reduza gargalos no transporte e ajude a redistribuir fluxos de mercadorias hoje concentrados em rotas terrestres e marítimas já saturadas.

Estrutura e engenharia do megatúnel submarino

De acordo com os estudos de planejamento já divulgados, o túnel terá cerca de 123 quilômetros de extensão total, dos quais aproximadamente 90 quilômetros serão inteiramente submersos sob o Estreito de Bohai.

Isso o colocaria, quando concluído, à frente da soma dos dois túneis subaquáticos mais longos em operação hoje, o japonês Seikan e o Eurotúnel.

O desenho estrutural é baseado em três galerias paralelas.

  • Duas dedicadas aos trilhos de alta velocidade.
  • Uma terceira, central, destinada a manutenção, sistemas técnicos e rotas de fuga.

Os trens projetados para operar nessa ligação deverão alcançar velocidades de até 250 km/h, integrando diretamente o túnel às redes de alta velocidade do norte e do leste da China.

Em alguns cenários de operação, está prevista também a possibilidade de carregar veículos em vagões específicos, permitindo que carros e caminhões cruzem o estreito sobre trilhos em vez de depender exclusivamente de balsas.

Com isso, o trajeto entre Dalian e Yantai, hoje medido em horas, passaria a ser feito em algo como 40 minutos, sem necessidade de contornar o mar nem enfrentar interrupções frequentes por causa de tempestades ou neblina intensa.

Desafios sísmicos e ambientais no Estreito de Bohai

Embora o projeto esteja inserido em uma tradição chinesa recente de megainfraestruturas, a construção de um túnel desse porte sob o Estreito de Bohai é tratada por especialistas como um desafio de engenharia sem precedentes no país.

A obra terá de atravessar trechos com alta complexidade geológica e próximos a zonas de falha sísmica historicamente associadas a eventos de grande magnitude.

Os planos preliminares indicam que o túnel deve ser construído a pelo menos 30 metros abaixo do leito marinho, em camadas predominantemente rochosas.

Essa profundidade busca reduzir o risco de danos diretos provocados por terremotos e, ao mesmo tempo, minimizar a pressão exercida pela coluna d’água sobre a estrutura.

A solução estrutural envolve anéis de revestimento segmentados, juntas de dilatação capazes de acomodar pequenos deslocamentos e monitoramento contínuo de deformações.

Linha costeira da península de Liaodong em Dalian (China), ponto de partida planejado para o túnel submarino do Estreito de Bohai. (Imagem: banco de imagens)
Linha costeira da península de Liaodong em Dalian (China), ponto de partida planejado para o túnel submarino do Estreito de Bohai. (Imagem: banco de imagens)

Além da estabilidade sísmica, o controle de infiltrações e alagamentos é outro ponto central.

No Bohai, o projeto prevê sistemas redundantes de drenagem, bombeamento e impermeabilização, combinados a sensores distribuídos ao longo de todo o traçado para detectar variações de pressão, presença de água e alterações estruturais.

A segurança operacional também exige ventilação de alta capacidade, controle rigoroso de fumaça em caso de incêndio e pontos de refúgio conectados ao túnel central de serviço, permitindo evacuação gradual em situações de emergência.

Impacto econômico e projeções logísticas

Para além do simbolismo tecnológico, o túnel do Estreito de Bohai é tratado por autoridades regionais como um investimento de impacto direto na competitividade da região.

Estudos citados pela imprensa chinesa estimam receita anual em torno de 20 bilhões de yuans após a entrada em operação, combinando venda de passagens e tarifas cobradas pelo transporte de veículos e cargas.

Ao encurtar a ligação entre dois grandes portos, o corredor pretende oferecer um caminho mais previsível para o deslocamento de mercadorias entre parques industriais do nordeste, polos de consumo do leste e rotas marítimas que conectam a China à Coreia do Sul e ao Japão.

Para operadores logísticos, a promessa é de redução de custos, menor dependência do clima e maior flexibilidade para combinar transporte marítimo, ferroviário e rodoviário em um mesmo fluxo.

O projeto também dialoga com a estratégia chinesa de consolidar corredores internos de transporte alinhados a iniciativas externas ligadas ao comércio com a Europa e outros mercados asiáticos.

Video de YouTube

O que falta para o início da construção

Apesar de existir há décadas em versões sucessivas, o Túnel do Estreito de Bohai ganhou novo impulso após ser incluído em documentos de planejamento e encaminhado ao órgão responsável pela avaliação de grandes obras de infraestrutura.

Propostas atualizadas foram remetidas à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, e reportagens recentes descrevem o empreendimento como em fase de estudos detalhados e de viabilidade, com horizonte de 10 a 15 anos para conclusão a partir do início efetivo das obras.

Isso significa que o cronograma concreto de escavações, contratos e etapas de implantação ainda depende de decisões regulatórias e de engenharia.

Em paralelo, grupos de pesquisa continuam avaliando impactos ambientais sobre o Estreito de Bohai e sobre o arquipélago de Changshan, incluindo efeitos sobre ecossistemas, tráfego de navios e áreas de proteção.

À medida que o projeto avança, cresce o interesse em entender como a China pretende equilibrar ambição tecnológica e mitigação de riscos em uma das obras mais ousadas planejadas para as próximas décadas.

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ZaneE
ZaneE
29/11/2025 18:20

This is a disaster waiting to happen. I think ALL of the members of the CCP should be the first one to ride this future disaster movie

Joshoua Waldhorn
Joshoua Waldhorn
29/11/2025 11:20

I wish hem best best luck and sucsess

Paul
Paul
29/11/2025 06:30

Your illustration shows the train literally ON the seabed, but the article states that it will run in a tunnel at least 30 meters BELOW the seabed. Which is it?

Santhakumari
Santhakumari
Em resposta a  Paul
29/11/2025 18:08

Destroying the nature n the seismic.tat s why flooding rises thru South East Asia.Previously no such floods.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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