China anuncia tarifas provisórias de 21,9 a 42,7 por cento sobre leite e queijos da União Europeia a partir de 23 de dezembro de 2025, atinge roquefort e gorgonzola, responde a tarifas europeias contra carros elétricos chineses e provoca reação dura da Comissão Europeia e chama medidas injustificadas e infundadas
Nesta segunda feira, 22 de dezembro de 2025, o Ministério do Comércio da China anunciou tarifas provisórias de 21,9 a 42,7 por cento sobre leite e queijos importados da União Europeia, com aplicação a partir de terça feira, 23 de dezembro. Segundo o governo chinês, a decisão é resultado de uma investigação que concluiu que produtos lácteos europeus recebem subsídios e causam “danos substanciais” à indústria de laticínios da China.
A nova rodada de sobretaxas atinge diretamente marcas tradicionais de lácteos do bloco europeu, em especial queijos de origem protegida, como o roquefort francês e o gorgonzola italiano. As tarifas sobre leite e queijo se somam a outras medidas já adotadas por Pequim em resposta às ações da União Europeia na disputa comercial em torno de carros elétricos chineses.
Tarifas entre 21,9 e 42,7 por cento
De acordo com o anúncio do Ministério do Comércio da China, as novas tarifas sobre produtos lácteos europeus terão caráter provisório neste primeiro momento.
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As alíquotas vão variar de 21,9 a 42,7 por cento, com a maioria das empresas pagando algo próximo de 30 por cento sobre o valor importado.
Essas sobretaxas valem para diferentes tipos de leite e queijos produzidos na União Europeia e vendidos no mercado chinês.
Pequim afirma que o objetivo é compensar o efeito de subsídios concedidos a produtores europeus, que, segundo a investigação chinesa, reduzem artificialmente os custos de produção e prejudicam a competitividade da indústria local de laticínios.
As medidas poderão ser revisadas no futuro, quando for divulgada a decisão final da investigação anti subsídios conduzida pela China.
Até lá, o setor de laticínios europeu passa a operar em um ambiente de incerteza em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Roquefort e gorgonzola entram na mira de Pequim
Entre os produtos atingidos, a China destacou queijos de origem protegida, como o roquefort da França e o gorgonzola da Itália, ícones da culinária europeia e de alto valor agregado.
Esses itens costumam ocupar o segmento premium nas gôndolas e cardápios, o que aumenta a sensibilidade de produtores e exportadores às novas tarifas.
Para os fabricantes europeus, a perda de competitividade na China pode pressionar margens, reduzir vendas e até forçar a busca de novos mercados compradores.
Já para o consumidor chinês, o encarecimento de queijos importados tende a reforçar a posição de produtores domésticos, que ganham espaço enquanto as importações da União Europeia ficam mais caras.
Ao mirar produtos conhecidos e simbólicos, a China envia também um sinal político.
A mensagem é de que a resposta de Pequim à União Europeia não ficará restrita a setores industriais, mas alcançará itens sensíveis para a imagem e a economia de países europeus.
Disputa por carros elétricos está no centro da crise
O anúncio das tarifas sobre leite e queijo não acontece no vazio.
Em 2023, a União Europeia abriu uma investigação anti subsídios contra veículos elétricos fabricados na China, alegando que montadoras do país asiático recebem apoio estatal que distorce a concorrência no mercado europeu de carros elétricos.
A investigação europeia resultou na imposição de tarifas sobre o setor automotivo chinês, o que elevou o tom da disputa.
Desde então, a China passou a reagir com medidas em série contra produtos europeus, incluindo importações de conhaque, carne suína e agora laticínios.
Cada novo anúncio aumenta a percepção de uma guerra comercial em escalada entre as duas maiores potências comerciais do planeta.
Para a China, a ofensiva da União Europeia contra carros elétricos ameaça uma indústria estratégica, que o país vem usando para ampliar sua influência tecnológica e industrial no mundo.
Para Bruxelas, os subsídios chineses ameaçam a sobrevivência de fabricantes europeus em um setor chave para a transição energética. O resultado é um conflito que transbordou do setor automotivo para a mesa do consumidor.
União Europeia critica investigação da China
A reação política da União Europeia veio rapidamente. A Comissão Europeia classificou a investigação da China como frágil e mal fundamentada.
Segundo o porta voz Olof Gill, citado pela imprensa internacional, a avaliação em Bruxelas é que o processo se baseia em alegações questionáveis e provas insuficientes, tornando as medidas “injustificadas e infundadas”.
A crítica reforça a percepção de que as tarifas chinesas sobre leite e queijo da Europa têm forte componente político.
Na visão de autoridades europeias, Pequim usa a estrutura de investigação anti subsídios como instrumento de pressão na disputa mais ampla sobre carros elétricos e sobre o acesso de produtos chineses ao mercado europeu.
Ao mesmo tempo, a China sustenta que está apenas defendendo sua indústria nacional.
Para o governo chinês, produtos subsidiados da União Europeia chegam ao mercado com preços artificialmente baixos, o que distorce a concorrência e ameaça empregos no setor de laticínios. Esse choque de narrativas aprofunda a desconfiança entre os dois lados.
Como subsídios mexem com preços e concorrência
Na prática, subsídios significam que governos assumem parte dos custos de produção das empresas, seja por meio de crédito barato, incentivos fiscais ou apoio direto.
Quando um produto subsidiado entra em outro mercado, tende a ser vendido por um preço menor do que concorrentes que não recebem o mesmo tipo de ajuda estatal.
É esse o argumento usado pela China contra a União Europeia no caso dos laticínios e também o raciocínio que a UE aplica à indústria chinesa de carros elétricos.
Os dois lados dizem defender a concorrência leal, mas divergem sobre quem, de fato, está distorcendo o jogo.
E você, acha que a China está só revidando a União Europeia ou está levando essa guerra comercial longe demais?

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