Parceria entre Brasil e China para cultivo de grãos pode alterar o cenário do agronegócio, trazendo investimentos, tecnologia e novo protagonismo ao campo brasileiro.
Brasil e China firmaram neste ano uma parceria inédita para o início do plantio de soja e milho em território brasileiro, com o objetivo de fortalecer a cooperação no agronegócio e ampliar os fluxos comerciais bilaterais.
O acordo, firmado entre a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e o grupo estatal chinês Hulunbuir State Farm Group, prevê investimentos em tecnologia agrícola, logística e sustentabilidade, além da busca por terras agricultáveis já em andamento no país.
Um dos focos principais está na conversão de áreas de pastagens degradadas, sem necessidade de desmatamento, com potencial para utilização de até 30 milhões de hectares.
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Acordo Brasil-China no agronegócio
Segundo informações oficiais, os avanços tecnológicos brasileiros e o potencial das terras agricultáveis chamaram a atenção do governo chinês para essa parceria estratégica.
Atualmente, o Brasil é considerado o maior exportador mundial de soja, enquanto a China é o maior importador global do produto.
A partir deste acordo, os chineses passaram a demonstrar interesse não apenas na compra, mas também na produção direta em solo brasileiro, com foco em eficiência e sustentabilidade.
A iniciativa reforça a busca por áreas de pastagens degradadas para conversão agrícola, sem ampliar o desmatamento.
Produção chinesa de grãos no Brasil
O movimento ocorre em um contexto de mudanças na dinâmica do comércio internacional de grãos.
Em 2024, a participação da China nas exportações brasileiras de milho caiu para 5,8%, com receita de US$ 478 milhões, segundo dados oficiais.
No mesmo período, o país asiático manteve-se como principal destino da soja nacional, sendo responsável por cerca de 75% das exportações brasileiras do produto no primeiro semestre de 2025, de acordo com informações do setor.

Sustentabilidade no agronegócio brasileiro
O acordo também determina diretrizes para práticas agrícolas sustentáveis, alinhadas às exigências do mercado internacional.
Em julho de 2025, Brasil e China anunciaram a iniciativa “Soy China”, destinada à produção e rastreamento de soja certificada e sustentável, em conformidade com legislações ambientais brasileiras e padrões exigidos pela China.
A estatal COFCO, outra gigante chinesa do setor, reafirmou o compromisso com a moratória da soja, não adquirindo grãos provenientes de áreas desmatadas na Amazônia.
Investimentos chineses em logística
A presença direta da produção chinesa de grãos no Brasil inclui investimentos logísticos em portos e ferrovias.
Destaca-se o aumento da capacidade operacional no Porto de Santos.
A Cofco, empresa de capital chinês, investe na ampliação do terminal portuário para atingir uma capacidade anual de 14 milhões de toneladas até 2026, favorecendo o escoamento das safras.
Regulação de terras e segurança alimentar
A regulamentação para aquisição de terras por estrangeiros permanece sob análise das autoridades brasileiras.
A SNA informa que o setor jurídico acompanha de perto a legislação para garantir que todas as operações estejam de acordo com as normas nacionais e não comprometam a segurança alimentar ou a autonomia produtiva do país.
Inovação e tecnologia no campo
Especialistas do setor afirmam que a participação estrangeira pode contribuir para a modernização, inovação e expansão do agronegócio brasileiro.
Entretanto, representantes de entidades agrícolas destacam a necessidade de acompanhamento regulatório rigoroso, para preservar o controle nacional sobre recursos estratégicos e atender às demandas internas por alimentos.
O intercâmbio tecnológico entre Brasil e China também contempla a adoção de práticas sustentáveis e a promoção de modelos produtivos eficientes, com monitoramento ambiental, rastreabilidade e redução do impacto ecológico das atividades agrícolas.
Exportações brasileiras de soja para a China
De acordo com informações oficiais, a tendência para o segundo semestre de 2025 é de aumento na fatia da China como destino das exportações brasileiras de soja, podendo chegar a 85% do volume total, segundo projeções do setor.

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