Astutos, agressivos e cada vez mais presentes no cotidiano, javalis selvagens se espalharam por áreas rurais e urbanas da China, provocando mortes, prejuízos agrícolas milionários, medo entre moradores e uma reviravolta histórica na política ambiental do país
Astutos, agressivos e pesando até 200 quilos, javalis selvagens viraram um problema nacional na China, levando autoridades a convocar caçadores após mudanças legais recentes, diante de ataques, prejuízos agrícolas e riscos à população.
Expansão do problema no campo e nas cidades
Nos últimos anos, javalis se espalharam por áreas rurais e urbanas, devastando plantações inteiras em uma única noite e surpreendendo comunidades que tinham poucos meios legais de defesa.
Classificados por muito tempo como espécie protegida, os animais agiam quase impunemente, enquanto agricultores acumulavam prejuízos e moradores relatavam ataques a escolas e estabelecimentos comerciais.
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Em 2021, um funcionário público da província de Sichuan morreu após ser atacado por um javali, episódio que reforçou a gravidade do cenário enfrentado.
Mudança oficial na política de proteção
Diante da escalada dos danos, o governo central retirou os javalis da lista de espécies protegidas em 2023, abrindo caminho para uma nova estratégia de contenção populacional.
Em fevereiro, foi anunciado um plano nacional para abater javalis que causam danos, com o envio de mais de 100 equipes de caçadores às áreas afetadas.
A decisão marcou uma virada significativa na política ambiental, após anos de foco quase exclusivo na proteção irrestrita da espécie, mesmo com impactos crescentes.
Iniciativas locais e recompensas financeiras para a caça de javalis
Autoridades locais também passaram a agir. Em 23 de setembro, um condado da região autônoma de Ningxia Hui anunciou a contratação de caçadores de recompensas.
Os participantes receberão 2.400 yuans por pessoa, valor equivalente à cerca de metade do salário mensal de um funcionário do setor privado local.
Segundo o comunicado oficial, o objetivo é eliminar 300 javalis adultos, usando armadilhas, cães de caça ou outros métodos permitidos, sem armas de fogo ou veneno.
Além disso, o governo local oferecerá um bônus adicional de 200 yuans pelo descarte inofensivo de cada carcaça recolhida.
Reação pública e debate nas redes
O anúncio em Ningxia rapidamente viralizou nas redes sociais chinesas, tornando-se um dos assuntos mais comentados e gerando forte debate entre usuários.
Na plataforma Douyin, internautas questionaram a mudança de postura do governo, lembrando prisões anteriores por caça ilegal de javalis.
Comentários apontaram surpresa com a rapidez da reversão, destacando a contradição entre punições passadas e as atuais recompensas oficiais.
Histórico legal e explosão populacional
A caça de javalis foi proibida pela primeira vez em 2000, como parte de esforços para proteger a biodiversidade local, mesmo sem status nacional máximo.
A classificação garantia proteção por valor econômico ou científico, prevendo até três anos de prisão para quem caçasse sem permissão adequada.
Em 2020, regras ainda mais rígidas impediram agricultores de usar armadilhas, contribuindo para uma expansão descontrolada da população de javalis.
Cada fêmea pode parir até 16 leitões em pouco mais de um ano, enquanto machos atingem grande porte em seis anos, correndo até 40 quilômetros por hora.
Ataques, custos e avanço urbano dos javalis
Com o aumento populacional, 26 das 31 regiões provinciais relataram incidentes com javalis, segundo a agência estatal Xinhua.
Governos locais gastaram milhões de yuans indenizando agricultores por plantações destruídas, elevando a pressão por soluções mais eficazes e rápidas.
Os animais também passaram a circular em áreas urbanas, causando estragos em cidades como Hangzhou e Nanjing.
Relatos incluem invasões de escolas, corridas por ruas movimentadas e destruição de lojas, ampliando o temor entre moradores urbanos.
Críticas e busca por equilíbrio ecológico
A revogação do status de proteção e o abate geraram críticas de ativistas, que classificaram a medida como uma farsa barbará e pouco sustentável.
O especialista Xu Binrong afirmou à mídia local que o problema revela lacunas nos esforços de conservação e na gestão de espécies selvagens.
Ele citou exemplos internacionais, defendendo estratégias complementares como cercas e realocação, com o abate apenas como parte de um plano mais amplo.
Xu ressaltou que somente uma abordagem de conservação ecológica voltada ao equilíbrio sistêmico pode evitar ciclos repetidos de superpopulação e caça excessiva.
Outros conflitos com a vida selvagem
Os javalis não são caso isolado. A recuperação de populações animais tem levado espécies a invadir áreas humanas com maior frequência.
Incidentes recentes incluem um tigre siberiano em uma aldeia de Heilongjiang, um leopardo-das-neves em Qinghai e elefantes em Yunnan.
Esses episódios reforçam o desafio contínuo das autoridades chinesas em conciliar proteção ambiental, segurança pública e convivência sustentável.
Com informações de Sixthtone.
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