O projeto da Omoda & Jaecoo apresenta eficiência térmica inédita, compressão de 26:1 e pressões internas de 350 bar, desafiando os limites conhecidos da engenharia automotiva e reacendendo o debate sobre o futuro dos motores a combustão.
A Omoda & Jaecoo, marcas do Grupo Chery, apresentaram na China um projeto de motor a gasolina que promete eficiência térmica de 48% e adota soluções pouco usuais na engenharia automotiva.
O conjunto, voltado para aplicações híbridas, combina taxa de compressão de 26:1, recirculação de gases de escape de 35% e um mecanismo triplo de bielas hiperbólicas, segundo informações divulgadas pela empresa durante um evento do grupo.
Os detalhes foram repercutidos por veículos especializados do setor automotivo.
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Avanço técnico e conceito
De acordo com engenheiros e publicações técnicas, o desenvolvimento busca reduzir perdas energéticas comuns em motores a gasolina.
Três aspectos principais foram destacados pela fabricante.
O primeiro é a compressão consideravelmente mais alta do que a usada em motores convencionais de aspiração natural, que geralmente operam até 13:1; há exceções, como o Mazda Skyactiv-X, que trabalha com cerca de 16:1.
O segundo é a alta taxa de recirculação de gases de escape (EGR), que chega a 35%, utilizada para reduzir a temperatura da combustão e, segundo a marca, evitar detonações mesmo sob compressão elevada.
Por fim, o uso de bielas hiperbólicas teria como objetivo controlar com maior precisão o movimento do pistão e reduzir atritos internos.
Eficiência térmica e comparação com o mercado

A eficiência de 48% anunciada colocaria o motor acima do nível dos motores a gasolina de ciclo Otto atualmente disponíveis, cuja eficiência térmica fica entre 38% e 45% em configurações híbridas, conforme estudos de fabricantes e institutos de engenharia automotiva.
A empresa atribui o resultado ao conjunto de tecnologias aplicadas, que incluem compressão e expansão mais amplas, EGR em alta proporção e ciclo de funcionamento ajustado para regimes Miller/Atkinson, comuns em sistemas híbridos.
Segundo especialistas, ganhos nessa faixa poderiam representar redução direta no consumo de combustível e nas emissões de CO₂, caso se confirmem em testes independentes.
Entre o laboratório e a produção
A Omoda & Jaecoo também destacaram o Super Hybrid System (SHS), sistema já em produção, composto por um motor 1.5 TDGI de ciclo Miller, dois motores elétricos e uma transmissão híbrida dedicada.
Nesse arranjo, a empresa informa eficiência térmica de 44,5%, consumo médio de 6 litros a cada 100 km e autonomia total superior a 1.200 km, considerando o tanque de combustível e a bateria carregada.
Segundo analistas do setor, esses números indicam o esforço da Chery em aproximar resultados experimentais do uso cotidiano, mantendo o foco em eficiência energética.
Compressão e pressão elevadas
A taxa de compressão declarada de 26:1 chama atenção entre engenheiros, por ser muito superior à faixa usual em motores a gasolina.
Em motores convencionais, esse nível poderia gerar detonação e sobrecarga mecânica, mas a fabricante indica que o uso de mistura pobre, EGR intenso e controle de válvulas do tipo Miller tornariam a operação viável.
Já o dado de 350 bar de pressão nas câmaras de combustão foi citado por veículos especializados, mas ainda não consta de documentação técnica oficial divulgada pela empresa.
Por isso, especialistas tratam o número com cautela até a publicação de medições detalhadas.
Aplicação e cenário energético
O projeto surge em um contexto no qual, apesar do crescimento de veículos 100% elétricos, a infraestrutura de recarga ainda é limitada em regiões fora dos grandes centros chineses.
Nesse cenário, analistas afirmam que os híbridos de alta eficiência continuam a ser uma alternativa viável para ampliar a autonomia sem depender de recargas frequentes.
A estratégia se alinha à política industrial chinesa de incentivar tecnologias de transição energética, que mantenham competitividade internacional no curto e médio prazo.
Europa e o debate sobre 2035
Enquanto a China avança com soluções híbridas, a União Europeia mantém o objetivo de reduzir em 100% as emissões de CO₂ de carros e vans novos a partir de 2035.
A norma, aprovada em 2023, será revista em 2026 e segue em debate entre os países-membros.
Alemanha e Itália têm defendido ajustes ou exceções para veículos movidos a combustíveis sintéticos (e-fuels), enquanto outros países, como França e Espanha, apoiam a manutenção da meta.
Em resposta às pressões competitivas e à entrada de fabricantes asiáticos no mercado europeu, França reativou programas de bônus para veículos elétricos produzidos na Europa, e Espanha prorrogou o programa MOVES, que concede incentivos para compra de carros elétricos e instalação de pontos de recarga.
As medidas buscam preservar empregos e manter produção automotiva no bloco, segundo autoridades nacionais e comunicados da Comissão Europeia.
Expectativas e próximos passos
De acordo com engenheiros consultados por publicações técnicas, o próximo passo será avaliar testes independentes que confirmem a durabilidade do motor sob compressão extrema e o comportamento térmico em condições reais.
Também será necessário verificar custos de produção e a compatibilidade com padrões internacionais de emissões, como os estabelecidos na Europa e nos Estados Unidos. Até o momento, a Chery não informou quando o motor poderá chegar à linha de produção.

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