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Chineses levam a caça aos javalis a outro nível ao usar drones armados e modificados com câmeras térmicas, flechas metálicas e operações noturnas em zonas rurais da China

Publicado el 29/12/2025 a las 07:40
Actualizado el 29/12/2025 a las 07:41
Javalis, Drones
Imagem: Ilustração
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Drones modificados para caçar javalis passaram a operar em uma zona cinzenta legal na China, após a liberação da caça em 2023, ampliando conflitos rurais, crimes ambientais e pressionando autoridades por regras mais rígidas.

Expansão do uso após mudança regulatória

A liberação da caça ao javali em 2023 buscou proteger plantações rurais, após sucessivos prejuízos agrícolas e acidentes envolvendo animais que passaram a invadir áreas urbanas.

Com essa decisão, drones equipados com câmeras térmicas e projéteis metálicos surgiram como ferramenta eficiente para localizar e atingir javalis durante a noite.

Inicialmente, a tecnologia ficou restrita a equipes de caça aprovadas e supervisionadas pelo governo, voltadas a reduzir conflitos entre humanos e javalis em regiões afetadas.

Nos últimos anos, 26 regiões de nível provincial relataram ferimentos causados por javalis, incluindo episódios em que os animais circularam por ruas de cidades.

Governos locais gastaram milhões de yuans indenizando agricultores por perdas nas colheitas, reforçando a pressão por soluções rápidas e eficazes.

Histórico do controle populacional

A China proibiu a caça ao javali pela primeira vez em 2000, ao considerar que a espécie possuía valor benéfico, econômico ou científico relevante.

Apesar da proteção, a população cresceu rapidamente e saiu de controle, ampliando danos agrícolas e conflitos com comunidades rurais.

Em 2023, o governo central retirou o javali da lista de espécies protegidas, reabrindo oficialmente a possibilidade de abate controlado.

Em fevereiro de 2024, mais de 100 equipes de caça foram enviadas por todo o país para lidar com o crescimento populacional.

Na província de Shaanxi, autoridades florestais convidaram pilotos de drones para abater 200 javalis entre maio e outubro deste ano.

Foi oferecida recompensa de 1.500 yuans por carcaça, valor equivalente a US$ 210, segundo autoridades locais.

Características técnicas dos drones de caça

Drones de caça custam aproximadamente 40.000 yuans e são equipados com sistemas de imagem térmica para operações noturnas.

Muitos aparelhos são modificados para transportar flechas metálicas com cerca de 60 centímetros de comprimento, lançadas verticalmente sobre o alvo.

Após o travamento do alvo, as flechas podem atingi-lo a uma altura de até 40 metros, mesmo em condições de baixa visibilidade.

Autoridades relataram que o método causa menos danos às plantações do que a caça tradicional com cães.

Abusos e crimes associados

Desde o final de 2024, casos de uso indevido de drones passaram a surgir em diversas regiões da China.

Os episódios incluem ataques a animais selvagens protegidos e também a animais de criação pertencentes a agricultores locais.

Em outubro, um indivíduo caçava javalis quando, em meio a nevoeiro noturno intenso, matou acidentalmente um cavalo.

O responsável indenizou o dono do animal após um acordo judicial firmado entre as partes.

Em outro caso, dois indivíduos atiraram e roubaram cabras criadas soltas, sendo detidos sob acusação de furto.

Em muitos episódios, os processos ficam paralisados porque os operadores dos drones não conseguem ser identificados.

Casos envolvendo espécies protegidas

Na província central de Hunan, em setembro deste ano, flechas de metal foram encontradas sendo usadas para caçar cervos-muntjac, espécie protegida.

No mesmo estado, em novembro, a polícia descobriu que três criminosos utilizaram drones lançadores de redes.

Eles capturaram 31 animais protegidos, incluindo peneireiros-comuns, garças e lebres-chinesas, segundo a investigação.

Os casos reforçaram preocupações sobre a facilidade de adaptação da tecnologia para atividades ilegais.

Influência das redes sociais na caça com drones

A popularização da caça com drones foi impulsionada pela circulação de vídeos nas redes sociais, especialmente no Douyin.

A técnica ganhou visibilidade rápida, incentivando usuários sem autorização a replicar o método.

Levantamento da Sixth Tone mostrou que dispositivos de lançamento aéreo para drones custam apenas 100 yuans em plataformas como o Taobao.

Pontas e hastes de flechas metálicas são vendidas por valores entre 10 e 100 yuans, ampliando o acesso.

Em outubro, um suspeito preso em Jiangxi afirmou ter se inspirado em vídeos curtos antes de modificar seu drone.

Riscos à segurança pública

Um membro de equipe oficial de caça alertou à mídia local sobre os riscos desses dispositivos modificados.

Segundo ele, se hoje atingem javalis, amanhã podem ferir uma pessoa com a mesma facilidade, devido à precisão dos equipamentos.

A fala evidenciou preocupações com acidentes graves e uso criminoso em áreas povoadas.

Lacunas legais e debates jurídicos

Especialistas jurídicos passaram a pressionar reguladores por intervenção mais clara sobre o uso desses equipamentos.

O Código Penal da China prevê que a caça pode ser considerada ilegal quando utiliza ferramentas ou métodos proibidos.

Já a Lei de Proteção da Vida Selvagem, revisada pela última vez em 2022, lista apenas armas tradicionais como proibidas.

Drones e pontas de flecha não são mencionados explicitamente, criando uma brecha regulatória significativa.

Até o momento, apenas Liuyang, em Hunan, proibiu explicitamente drones lançadores de dardos ou flechas.

Propostas de regulamentação da caça com drones

Han Xiao, advogado do escritório Kangda, disse ao Beijing News que é difícil impor proibição geral às modificações de drones.

Segundo ele, adaptações também servem a usos legítimos, como agricultura e mapeamento, dificultando uma definição objetiva.

O desafio jurídico está em delimitar o que configura modificação para atividade ilegal e estabelecer penalidades claras.

Han sugeriu que todos os drones possuam gravadores de dados de voo invioláveis, permitindo rastrear incidentes ilegais.

A proposta busca facilitar a identificação de responsáveis e fornecer provas após ocorrências envolvendo caça ilegal ou roubos.

Com informações de Sixthtone.

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Romário Pereira de Carvalho

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