1. Inicio
  2. / Curiosidades
  3. / A 5.000 metros de profundidade no Oceano Pacífico, a CIA lançou um navio de 63 mil toneladas, construiu uma garra mecânica gigante e tentou resgatar secretamente um submarino nuclear soviético de 1.750 toneladas em uma das operações mais ousadas da Guerra Fria
Tiempo de lectura 6 min de lectura Comentarios 0 comentarios

A 5.000 metros de profundidade no Oceano Pacífico, a CIA lançou um navio de 63 mil toneladas, construiu uma garra mecânica gigante e tentou resgatar secretamente um submarino nuclear soviético de 1.750 toneladas em uma das operações mais ousadas da Guerra Fria

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado el 07/02/2026 a las 13:32
Actualizado el 07/02/2026 a las 13:34
A 5.000 metros de profundidade no Oceano Pacífico, a CIA lançou um navio de 63 mil toneladas, construiu uma garra mecânica gigante e tentou resgatar secretamente um submarino nuclear soviético de 1.750 toneladas em uma das operações mais ousadas da Guerra Fria
A 5.000 metros de profundidade no Oceano Pacífico, a CIA lançou um navio de 63 mil toneladas, construiu uma garra mecânica gigante e tentou resgatar secretamente um submarino nuclear soviético de 1.750 toneladas em uma das operações mais ousadas da Guerra Fria
  • Reação
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

 Em 1974, no Pacífico Norte, a CIA tentou resgatar o submarino soviético K-129 a 5.000 metros de profundidade usando o Hughes Glomar Explorer, em uma operação secreta que entrou para a história da Guerra Fria.

Em 4 de julho de 1974, enquanto os Estados Unidos celebravam o Dia da Independência, uma das operações mais ambiciosas e secretas da história da inteligência moderna estava em andamento no Oceano Pacífico Norte, a cerca de 1.800 quilômetros a noroeste do arquipélago do Havaí. Naquele ponto remoto, em águas internacionais com profundidade aproximada de 5.000 metros, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) iniciou oficialmente a Operação Azorian, uma missão destinada a recuperar partes do submarino nuclear soviético K-129, afundado seis anos antes, em março de 1968.

A operação permaneceu classificada por décadas e só teve seus principais detalhes confirmados após a liberação de documentos oficiais pela própria CIA, complementados por análises do National Security Archive, da Encyclopaedia Britannica e de estudos históricos do U.S. Naval Institute.

O desaparecimento do submarino K-129 em 1968

O ponto de partida da Operação Azorian remonta a 8 de março de 1968, quando o submarino soviético K-129, pertencente à Marinha da União Soviética, desapareceu durante uma missão de patrulha no Pacífico. O navio transportava mísseis balísticos nucleares, torpedos e equipamentos criptográficos sensíveis, segundo registros históricos analisados pela Britannica.

Video de YouTube

O afundamento ocorreu longe da costa soviética, em águas profundas e fora das rotas comerciais. Inicialmente, Moscou nunca divulgou oficialmente as causas do acidente. Análises posteriores sugerem falha estrutural, explosão interna ou colisão acidental, mas nenhuma versão foi confirmada de forma definitiva pelas autoridades soviéticas.

Como os Estados Unidos localizaram o submarino no fundo do oceano

Após o desaparecimento do K-129, a Marinha dos Estados Unidos iniciou uma varredura silenciosa utilizando sua rede de sensores acústicos submarinos, conhecida como SOSUS (Sound Surveillance System). Esses sensores, originalmente projetados para detectar submarinos inimigos, registraram um evento anômalo compatível com uma implosão submarina.

Com base nesses dados, analistas norte-americanos conseguiram estimar a área do naufrágio. Em missões posteriores, veículos de observação profunda confirmaram a presença dos destroços a cerca de 5.000 metros de profundidade, em uma região isolada do Pacífico Norte. Essas informações são detalhadas em documentos hoje disponíveis no acervo da CIA.

O objetivo estratégico da Operação Azorian

Video de YouTube

Para a liderança norte-americana, o naufrágio do K-129 representava uma oportunidade estratégica sem precedentes. Pela primeira vez, seria possível tentar obter:

  • componentes de mísseis nucleares soviéticos
  • sistemas de navegação e controle
  • códigos criptográficos e equipamentos de comunicação
  • informações diretas sobre a tecnologia naval soviética

Tudo isso sem confronto militar direto, em pleno auge da Guerra Fria. Segundo o National Security Archive, a missão foi considerada de alto risco político e técnico, mas seu potencial estratégico justificou o investimento bilionário.

Onde exatamente ocorreu a Operação Azorian

A tentativa de resgate foi realizada em um ponto cuidadosamente escolhido:

  • Oceano: Pacífico Norte
  • Referência geográfica: aproximadamente 1.800 km a noroeste do Havaí (Estados Unidos)
  • Situação legal: águas internacionais
  • Profundidade do submarino: cerca de 5.000 metros

Essa profundidade coloca a operação entre as mais extremas já tentadas pela engenharia humana no ambiente marinho.

O Hughes Glomar Explorer: um navio criado para um único propósito

Para executar a missão, a CIA patrocinou a construção de um navio sem precedentes. O Hughes Glomar Explorer foi construído nos Estados Unidos entre 1971 e 1973, oficialmente apresentado ao público como uma embarcação de mineração oceânica em parceria com o empresário Howard Hughes.

Dados técnicos confirmados por documentos da CIA indicam que o navio possuía:

  • Deslocamento: cerca de 63.000 toneladas
  • Comprimento: aproximadamente 189 metros
  • Sistema central: um enorme “moon pool”, abertura interna que permitia operações submersas invisíveis ao exterior

Na prática, o navio foi projetado para erguer objetos gigantescos do fundo do oceano, protegendo toda a operação de observação por satélites ou navios estrangeiros.

A garra mecânica gigante e o desafio da profundidade extrema

Video de YouTube

O elemento mais impressionante da Operação Azorian foi o chamado Capture Vehicle, uma gigantesca garra mecânica desenvolvida especificamente para envolver o casco do submarino soviético.

Segundo relatórios técnicos citados pela CIA:

  • a estrutura precisava suportar pressões superiores a 500 atmosferas
  • operava em completa escuridão a 5.000 metros de profundidade
  • utilizava uma coluna de tubos metálicos interligados, descidos gradualmente do navio

Nunca antes uma operação de içamento havia sido tentada a essa profundidade, tornando a missão um marco absoluto da engenharia oceânica profunda.

O momento crítico do resgate em 1974

Entre julho e agosto de 1974, o Hughes Glomar Explorer iniciou a fase mais delicada da missão. A garra mecânica conseguiu envolver parte do submarino K-129 e começou lentamente a elevação.

Durante o processo, no entanto, o casco do submarino — já fragilizado por anos no fundo do oceano — se partiu. Documentos desclassificados confirmam que apenas uma seção frontal do K-129 foi efetivamente recuperada, enquanto o restante retornou ao fundo do mar.

Mesmo com o insucesso parcial, a operação conseguiu recuperar equipamentos, fragmentos estruturais e restos mortais de tripulantes, que posteriormente foram sepultados no mar com honras militares, conforme vídeo divulgado oficialmente pela CIA décadas depois.

O sigilo absoluto e o vazamento para a imprensa

A Operação Azorian permaneceu oficialmente secreta até 1975, quando o jornalista Jack Anderson publicou informações sobre a missão. A partir daí, o governo dos Estados Unidos foi pressionado a comentar o caso.

A resposta da CIA tornou-se histórica:

“A Agência nem confirma nem nega a existência da operação.”

Essa formulação deu origem ao termo jurídico conhecido como “Glomar response”, hoje utilizado em pedidos de acesso à informação nos Estados Unidos.

Fontes institucionais que confirmam a operação

As informações centrais da Operação Azorian são hoje confirmadas por fontes oficiais e acadêmicas, entre elas:

  • CIA – Central Intelligence Agency (documentos desclassificados e exposições públicas)
  • National Security Archive (George Washington University)
  • Encyclopaedia Britannica
  • U.S. Naval Institute

Essas instituições confirmam data, local, objetivo estratégico e execução parcial da missão.

O legado histórico da Operação Azorian

Embora não tenha atingido todos os seus objetivos técnicos, a Operação Azorian entrou para a história como:

  • tentativa de resgate mais profunda já realizada
  • um dos maiores projetos secretos da CIA
  • um divisor de águas na engenharia oceânica e na espionagem naval

Realizada em 1974, no Oceano Pacífico Norte, a missão permanece como um dos episódios mais extraordinários da Guerra Fria, reunindo tecnologia extrema, sigilo absoluto e ambição estratégica em uma escala nunca repetida.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x