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Cientistas começam a perfurar rocha de 175 milhões de anos dentro de uma montanha na Suíça para descobrir se ela pode guardar lixo nuclear por milhares de anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado el 04/03/2026 a las 19:11
Projeto na Suíça perfura rocha argilosa de 175 milhões de anos para avaliar armazenamento geológico de resíduos nucleares a até 800 metros.
Projeto na Suíça perfura rocha argilosa de 175 milhões de anos para avaliar armazenamento geológico de resíduos nucleares a até 800 metros.
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Pesquisadores iniciaram na Suíça um projeto internacional de perfuração profunda para estudar uma rocha argilosa formada há cerca de 175 milhões de anos, analisando sua estrutura, interação com água subterrânea e capacidade de atuar como barreira natural para armazenamento seguro de resíduos nucleares por milhares de anos

Pesquisadores iniciaram na Suíça a perfuração de uma rocha argilosa com cerca de 175 milhões de anos para avaliar se formações geológicas profundas podem armazenar resíduos nucleares com segurança por milhares de anos.

O projeto é conduzido por uma equipe internacional liderada pelo Centro Helmholtz de Geociências GFZ, da Alemanha. A iniciativa integra o programa de pesquisa DEBORAH, voltado à investigação hidrogeológica do anticlinal de Mont Terri.

Perfuração profunda analisa rocha argilosa jurássica de 175 milhões de anos

O estudo busca testar as propriedades de barreira da rocha conhecida como argila Opalinus. Essa formação se originou no período Jurássico, aproximadamente 175 milhões de anos atrás, e ocorre no sul da Alemanha e na Suíça.

A rocha argilosa é considerada uma candidata relevante para receber depósitos subterrâneos de resíduos nucleares. A investigação pretende determinar se a estrutura geológica possui condições adequadas para armazenar material radioativo por períodos extremamente longos.

Os pesquisadores já concluíram os primeiros 55 metros de perfuração no laboratório subterrâneo de rochas de Mont Terri. O local funciona há cerca de três décadas como centro de experimentos relacionados ao descarte geológico de resíduos nucleares.

Projeto internacional avança na perfuração de rocha a até 800 metros

A equipe registrou recuperação próxima de 100% do núcleo de perfuração durante a etapa inicial do projeto. O objetivo agora é estender a perfuração até aproximadamente 800 metros de profundidade, equivalente a 2.626 pés.

Durante o processo, são extraídas amostras cilíndricas da rocha. O método consiste em cortar um sulco circular ao redor do material, deixando uma coluna central que é retirada em segmentos para análise detalhada.

Esses núcleos são cuidadosamente documentados e estudados pelos pesquisadores. A análise permite compreender as características da rocha e como as camadas geológicas interagem com sistemas de água subterrânea.

Laboratório subterrâneo de Mont Terri reúne pesquisadores de nove países

O laboratório de rochas de Mont Terri está localizado próximo à cidade de Saint-Ursanne, no cantão de Jura, no noroeste da Suíça. A instalação fica dentro de uma montanha onde passa um túnel rodoviário a cerca de 150 a 200 metros abaixo da superfície.

Uma galeria de segurança paralela ao túnel serve como acesso às instalações científicas subterrâneas. O centro foi estabelecido em 1966 e atualmente reúne 22 parceiros de nove países envolvidos em pesquisas geológicas.

Para o projeto atual, os pesquisadores instalaram uma plataforma de perfuração com cerca de 10 metros de altura dentro do laboratório. A estrutura permite a extração contínua de amostras da rocha e das camadas geológicas circundantes.

Estudo investiga interação entre água subterrânea e rocha

O principal foco da pesquisa é compreender como a água se movimenta através da rocha e como interage com a argila Opalinus. Esse fator é considerado fundamental para avaliar a estabilidade de depósitos geológicos de resíduos nucleares.

Segundo Felix Kästner, cientista do GFZ e coordenador do projeto DEBORAH, a primeira fase da perfuração ocorreu conforme o planejamento. Ele destacou que o avanço das atividades manteve os pesquisadores ocupados com a descrição e coleta de amostras.

Os cientistas pretendem analisar não apenas a argila Opalinus, mas também as camadas de rocha localizadas acima e abaixo da formação. O objetivo é compreender melhor os processos hidrogeológicos que ocorrem no subsolo.

Dados da perfuração podem orientar depósitos geológicos de resíduos nucleares

Os resultados do estudo poderão ajudar a identificar formações rochosas adequadas para o armazenamento geológico de resíduos nucleares. Países como Alemanha, Reino Unido e Suíça podem utilizar as informações obtidas durante o projeto.

Além da perfuração, a equipe realiza medições sísmicas e gravimétricas ao redor da área de estudo. Esses métodos permitem mapear a estrutura das camadas de rocha e analisar os sistemas de água subterrânea presentes na região.

De acordo com Kästner, os dados coletados serão utilizados em análises laboratoriais e em modelos computacionais. As próximas etapas do projeto devem ampliar o volume de informações sobre a rocha e as condições hidrogeológicas do local.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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