1. Inicio
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientistas emitem alerta e pedem para que nos preparemos após detectarem ‘oxigênio no escuro’ a 4.000 metros de profundidade, com níveis até 3 vezes maiores em 48 horas, ligados a nódulos polimetálicos que podem gerar até 0,95 volt no fundo do mar
Tiempo de lectura 5 min de lectura Comentarios 3 comentarios

Cientistas emitem alerta e pedem para que nos preparemos após detectarem ‘oxigênio no escuro’ a 4.000 metros de profundidade, com níveis até 3 vezes maiores em 48 horas, ligados a nódulos polimetálicos que podem gerar até 0,95 volt no fundo do mar

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 26/02/2026 a las 12:51
Descoberta a 4.000 m revela produção de oxigênio no escuro ligada a nódulos polimetálicos e reacende debate sobre mineração no fundo do mar.
Descoberta a 4.000 m revela produção de oxigênio no escuro ligada a nódulos polimetálicos e reacende debate sobre mineração no fundo do mar.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
206 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Fenômeno registrado a 4.000 metros desafia modelos tradicionais sobre oxigênio no oceano profundo e reacende debate sobre mineração em áreas ricas em nódulos polimetálicos, após medições apontarem aumento do gás no escuro e potenciais elétricos elevados no leito marinho.

Medições feitas no fundo do Pacífico, em uma região abissal coberta por nódulos polimetálicos, registraram um aumento de oxigênio em plena escuridão, a cerca de 4.000 metros de profundidade, onde a fotossíntese não ocorre.

Em câmaras instaladas sobre o leito marinho, os níveis do gás cresceram por quase 48 horas, chegando a mais de três vezes o valor de fundo.

O resultado foi descrito em artigo publicado na revista Nature Geoscience, baseado em experimentos no assoalho oceânico e em testes complementares com material coletado.

A descoberta chamou atenção por ocorrer justamente em áreas que concentram depósitos cobiçados por projetos de mineração em alto-mar, alvo de debate regulatório e científico há anos.

Medições no leito marinho surpreendem pesquisadores

Video de YouTube

Os registros vieram de experimentos in situ com câmaras bentônicas, usadas para estimar o fluxo de oxigênio entre sedimento e água muito próxima ao fundo.

Em ambientes profundos, o padrão esperado é a queda gradual do oxigênio dentro da câmara, refletindo respiração de microrganismos e animais, além de reações de oxidação.

Dessa vez, porém, parte das incubações mostrou o sinal inverso.

O oxigênio acumulou, em vez de diminuir, sugerindo uma produção local no escuro.

Segundo o estudo, as concentrações começaram em torno de valores típicos do fundo e atingiram máximas bem superiores ao entorno ao longo de aproximadamente dois dias, caracterizando o fenômeno.

Para reduzir a chance de erro instrumental, os autores relatam rechecagens e validações por métodos independentes, buscando separar o que seria um artefato de sensor do que poderia ser um processo real.

Ainda assim, a interpretação não é consensual na comunidade científica, e críticas apontaram limites e incertezas do conjunto de evidências, mantendo o tema em discussão.

Nódulos polimetálicos e o interesse econômico

Os nódulos polimetálicos são concreções que se formam em escalas geológicas e concentram metais como manganês, níquel, cobre e cobalto, elementos relevantes para cadeias industriais.

Em certas planícies abissais do Pacífico, eles aparecem em densidades elevadas, o que tornou áreas como a Clarion–Clipperton Zone um foco de interesse econômico e de controvérsia ambiental.

Descoberta a 4.000 m revela produção de oxigênio no escuro ligada a nódulos polimetálicos e reacende debate sobre mineração no fundo do mar.
Descoberta a 4.000 m revela produção de oxigênio no escuro ligada a nódulos polimetálicos e reacende debate sobre mineração no fundo do mar.

Além do valor mineral, essas estruturas criam superfícies duras em um ambiente dominado por sedimentos finos, oferecendo pontos de fixação e microhabitats para organismos.

A retirada dos nódulos, portanto, não seria apenas a remoção de material rico em metal.

Trata-se também da alteração física de um substrato que participa da dinâmica do ecossistema local.

O estudo descreve uma segunda linha de evidência, obtida fora do fundo do mar, em incubações ex situ com nódulos coletados e mantidos em condições controladas.

Nesses testes, a presença dos nódulos também foi associada ao aumento de oxigênio, reforçando a hipótese de que o efeito não depende apenas de correntes, vazamentos ou distúrbios causados na instalação dos equipamentos.

Hipótese eletroquímica para explicar o oxigênio no escuro

Em vez de propor uma “fotossíntese sem luz”, os autores tratam o fenômeno como produção associada a processos físico-químicos, com destaque para mecanismos eletroquímicos.

Medições elétricas na superfície dos nódulos encontraram potenciais que, em alguns pontos, chegaram a 0,95 volt, valor usado para sustentar a ideia de microambientes capazes de favorecer reações específicas.

A hipótese discutida é que a eletrólise da água do mar poderia contribuir para a geração de oxigênio, com a energia vindo de diferenças de potencial relacionadas à composição em camadas dos nódulos.

O próprio artigo reconhece que há perguntas abertas sobre as condições exatas, a estabilidade do processo e a influência de fatores como cobertura por sedimento e temperatura local.

Como o trabalho se apoia em observações pontuais e em um ambiente difícil de medir, o tema ganhou repercussão junto com pedidos por replicação e por séries mais longas de dados.

Video de YouTube

Em paralelo, análises críticas destacaram que resultados extraordinários exigem confirmação independente e que a explicação ainda precisa ser testada com mais robustez, inclusive em outros campos de nódulos.

Impactos potenciais na mineração em alto-mar

A discussão cresce porque a mineração proposta para essas planícies costuma envolver veículos que coletam nódulos na superfície do fundo, ressuspendendo sedimentos e alterando extensas áreas do habitat.

Briefings científicos sobre mineração em águas profundas descrevem que a atividade mira depósitos como nódulos polimetálicos e envolve impactos diretos no leito e descargas na água ao redor, com riscos potenciais amplos.

Nesse cenário, a possibilidade de um processo químico associado aos nódulos adiciona mais uma variável à avaliação ambiental, ao lado de biodiversidade, plumas de sedimento e recuperação lenta do ecossistema.

O estudo não sugere que o oxigênio produzido seja relevante para o balanço global do oceano.

O argumento central é que, localmente, o fenômeno pode interferir em processos químicos e biológicos sensíveis.

Ao mesmo tempo, o debate regulatório e político sobre exploração em águas internacionais segue pressionado por interesses econômicos e por lacunas científicas.

Parte da controvérsia envolve a dificuldade de prever efeitos indiretos em ambientes pouco conhecidos, onde mudanças pequenas podem repercutir em cadeias microbianas e em comunidades adaptadas à estabilidade.

Se novos estudos confirmarem que campos de nódulos funcionam, em certos contextos, como fontes abióticas de oxigênio em microescala, a remoção industrial dessas estruturas passaria a ter implicações ainda mais complexas do que as já consideradas hoje.

Por enquanto, a descoberta permanece como um alerta científico.

Há mecanismos no fundo do oceano que podem desafiar expectativas básicas, e o custo de aprender isso depois de grandes intervenções pode ser alto para a própria pesquisa.

A discussão tende a continuar centrada em dados verificáveis, replicações independentes e comparação cuidadosa entre áreas mineradas e áreas preservadas.

Inscreva-se
Notificar de
guest
3 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Robson Regis
Robson Regis
02/03/2026 16:01

Significa dizer que podemos ter energia de graça em breve ???

Adriano Correa
Adriano Correa
27/02/2026 11:25

O ser humano e a busca pela tecnologia predatória… Haverá dias que nem a água será perdoada. Haverá escassez de alimentos, escassez de vida marinha por causa dessa busca por **** marinhos. Parece que filmes como ( MAD MAX, O LIVRO DE ELI) e entre outros q mostram um mundo sem água é apenas uma ilustração do que virá 🙁 triste isso.. apenas estaremos aqui pare ver isso acontece do debaixo de nossos olhos… O próprio ser humano destruindo o próprio habitat, que ipocrisia… Enquanto os animais vivem em eterna armonia, nos animais pensantes se auto-destruindo.

Branco lima
Branco lima
Em resposta a  Adriano Correa
05/03/2026 19:15

Agradeça a ciência, não crie expectativas de adversidade, o futuro depende muito dessas pesquisas, pois o caos está próximo, e não haverá paraíso, a partir de 2030 e graças aos cientistas que buscam soluções é que sabemos disso.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartir en aplicaciones
3
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x