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Cientistas mostram como um simples guarda-chuva pode derrubar drones: técnica FlyTrap engana inteligência artificial e faz aeronaves se aproximarem até cair ou ser capturada

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 12/03/2026 às 16:17
Atualizado em 12/03/2026 às 23:36
A nova estrutura de ataque ao mundo físico desenvolvida pela equipe de pesquisa chama-se FlyTrap.
A nova estrutura de ataque ao mundo físico desenvolvida pela equipe de pesquisa chama-se FlyTrap.
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Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, Irvine, mostra que um guarda-chuva com padrão visual específico pode enganar algoritmos de rastreamento usados por drones autônomos, atraindo as aeronaves até serem capturadas com redes ou provocarem colisões físicas durante testes com três modelos comerciais

Pesquisadores nos Estados Unidos demonstraram que um simples guarda-chuva pode ser usado para manipular drones autônomos. O método, chamado FlyTrap, explora falhas no rastreamento automático e pode atrair drones até que sejam capturados ou colidam.

O experimento foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, Irvine, que investigaram vulnerabilidades em sistemas de rastreamento autônomo usados por drones.

A abordagem mostra que um guarda-chuva com padrão visual específico pode enganar algoritmos de inteligência artificial.

Segundo a equipe, o padrão gráfico aplicado ao guarda-chuva altera a interpretação visual feita pelas câmeras dos drones. Isso faz com que os sistemas de rastreamento entendam que o alvo está se afastando, mesmo quando a pessoa permanece parada.

A partir dessa leitura equivocada, os drones começam a se aproximar gradualmente do alvo. Esse movimento permite que a aeronave seja capturada com redes ou que colida com outro drone próximo.

Cientistas da computação da UC Irvine usaram o campo do Anteater Recreation Center do campus para demonstrar seu ataque FlyTrap contra drones autônomos. Guarda-chuvas comuns com designs gerados por IA podem enganar as aeronaves, fazendo-as se aproximarem gradualmente do portador do guarda-chuva, que então pode capturá-las com redes ou fazê-las cair. A metodologia do ataque FlyTrap destaca uma vulnerabilidade na tecnologia de drones utilizada em diversas aplicações policiais, militares e de segurança. Shaoyuan Xie / UC Irvine

Experimento revela falhas no rastreamento de drones autônomos

O estudo examina o funcionamento da tecnologia de rastreamento autônomo de alvos baseada em câmeras.

Esse sistema permite que drones sigam um objeto ou pessoa selecionada sem necessidade de controle humano direto.

Esse tipo de recurso também é conhecido como rastreamento ativo ou rastreamento dinâmico em produtos de consumo.

Ele vem sendo utilizado em aplicações como vigilância de segurança, patrulhamento de fronteiras e operações policiais.

Os pesquisadores afirmam que essa tecnologia apresenta tanto potencial quanto riscos relevantes.

O coautor do estudo, Alfred Chen, professor assistente de ciência da computação da UC Irvine, destacou que o rastreamento autônomo pode ser utilizado por autoridades, mas também por criminosos.

Segundo Chen, a mesma tecnologia que apoia operações de segurança pública também pode ser usada indevidamente em situações como perseguição. Ele afirmou que o estudo representa uma análise abrangente das vulnerabilidades desse sistema amplamente utilizado.,

Vídeo do YouTube

Como o guarda-chuva atrai drones usando o método FlyTrap

O ataque desenvolvido pelos pesquisadores foi denominado FlyTrap. O método funciona explorando deficiências nos sistemas de rastreamento baseados em redes neurais usadas pelos drones autônomos.

O elemento central do método é um guarda-chuva comum coberto por um padrão visual projetado especificamente para enganar os algoritmos. As câmeras dos drones interpretam o padrão como se uma pessoa estivesse se afastando do dispositivo.

Como resultado, os drones tentam reduzir a distância para manter o alvo dentro da faixa ideal de rastreamento. Isso faz com que a aeronave avance gradualmente em direção à pessoa que segura o guarda-chuva.

Esse processo cria o que os pesquisadores chamam de ataque de atração por distância. A estratégia permite aproximar fisicamente os drones do alvo até que seja possível capturá-los ou provocar colisões.

Testes com drones comerciais mostram eficácia do sistema

Os experimentos realizados pela equipe demonstraram que o método FlyTrap funciona em diferentes drones comerciais. Os testes foram conduzidos utilizando três modelos específicos disponíveis no mercado.

Entre os drones utilizados nos testes estavam o DJI Mini 4 Pro, o DJI Neo e o HoverAir X1. Em todos os casos, o sistema de atração gerado pelo guarda-chuva conseguiu aproximar os drones do alvo.

Os resultados mostraram que os drones poderiam ser conduzidos para posições próximas o suficiente para captura com redes. Em alguns cenários, os pesquisadores também provocaram colisões físicas diretas entre aeronaves.

A equipe informou que as vulnerabilidades identificadas foram comunicadas aos fabricantes dos drones testados. Segundo os pesquisadores, as empresas DJI e HoverAir foram notificadas de forma responsável sobre os resultados do estudo.

Impactos do método FlyTrap para segurança e uso de drones

Os pesquisadores destacam que a descoberta levanta questões sobre a segurança do uso de drones autônomos. A possibilidade de manipular essas aeronaves usando apenas um guarda-chuva demonstra fragilidades na tecnologia de rastreamento.

De acordo com o autor principal do estudo, Shaoyuan Xie, pesquisador de pós-graduação em ciência da computação da UC Irvine, os resultados indicam a necessidade urgente de melhorias de segurança nesses sistemas.

Xie afirmou que, se for tão fácil assumir o controle do comportamento de drones autônomos, o uso dessas aeronaves em locais públicos ou ambientes críticos deve ser reavaliado. Isso inclui operações de segurança e aplicação da lei.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores observam que a técnica também pode ter uso defensivo. Pessoas que estejam sendo perseguidas por drones poderiam usar o método do guarda-chuva para atrair e neutralizar a aeronave.

O estudo também aponta que ataques semelhantes poderiam ser utilizados para evitar detecção por drones policiais. Aeronaves que patrulham fronteiras ou outras áreas sensíveis poderiam ser afetadas por estratégias semelhantes ao FlyTrap.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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