1. Inicio
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientistas recriam o primeiro milissegundo após o Big Bang no LHC e encontram queda inferior a 1% que revela como era a “sopa” primordial do universo
Tiempo de lectura 5 min de lectura Comentarios 0 comentarios

Cientistas recriam o primeiro milissegundo após o Big Bang no LHC e encontram queda inferior a 1% que revela como era a “sopa” primordial do universo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado el 22/02/2026 a las 07:35
Ilustração de um quark atravessando um plasma de quarks e glúons, que preencheu o universo nos primeiros milissegundos após o Big Bang. Os físicos provaram que essas interações deixaram um rastro nítido, comprovando que esse plasma primordial era uma substância pastosa. (Crédito da imagem: Jose-Luis Olivares, MIT)
Ilustração de um quark atravessando um plasma de quarks e glúons, que preencheu o universo nos primeiros milissegundos após o Big Bang. Os físicos provaram que essas interações deixaram um rastro nítido, comprovando que esse plasma primordial era uma substância pastosa. (Crédito da imagem: Jose-Luis Olivares, MIT)
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
26 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Experimentos no Grande Colisor de Hádrons conseguiram recriar condições extremas do Big Bang ao produzir plasma de quarks e glúons, permitindo aos físicos detectar uma queda inferior a 1% na produção de partículas e obter novas pistas sobre o comportamento da matéria nos primeiros instantes do universo

No primeiro milissegundo após o Big Bang, físicos do LHC recriaram em laboratório um plasma de quarks e glúons e detectaram queda inferior a 1% na produção de partículas atrás de um quark, revelando novo indício sobre a matéria primordial.

Colisões de grande magnitude no Grande Colisor de Hádrons revelaram o mais tênue rastro deixado por um quark ao atravessar matéria nuclear a trilhões de graus. O resultado sugere que a sopa primordial do universo pode ter sido, literalmente, mais parecida com uma sopa.

As descobertas são da colaboração Compact Muon Solenoid do LHC. O experimento apresentou a primeira evidência clara de uma sutil queda na produção de partículas atrás de um quark de alta energia enquanto ele atravessa o plasma de quarks e glúons.

Essa gota de matéria primordial é considerada semelhante ao estado que preencheu o universo microssegundos após o Big Bang. O estudo foi publicado em 25 de dezembro de 2025 na revista Physics Letters B.

Recriando o ambiente do Big Bang em laboratório

Quando núcleos atômicos pesados colidem a velocidades próximas à da luz dentro do LHC, eles se fundem brevemente em um estado exótico chamado plasma de quarks e glúons. Nesse ambiente extremo, a densidade e a temperatura impedem a manutenção da estrutura atômica regular.

Segundo Yi Chen, professor assistente de física da Universidade Vanderbilt e integrante da equipe do CMS, todos os núcleos se sobrepõem e formam o plasma. Nesse estado, quarks e glúons podem se mover além dos limites dos núcleos e se comportam mais como um líquido.

A gota de plasma criada nessas colisões mede cerca de 10⁻¹⁴ metros de diâmetro, ou 10.000 vezes menor que um átomo. Ela desaparece quase instantaneamente, mas, nesse intervalo, quarks e glúons fluem coletivamente de maneira semelhante a um líquido ultraquente.

Os pesquisadores buscam entender como partículas energéticas interagem com esse meio. O objetivo é investigar como um quark de alta energia atravessa essa pequena gota de líquido criada nas colisões que simulam condições do Big Bang.

A teoria prevê que o quark deixaria um rastro detectável no plasma atrás dele, de forma semelhante a um barco cortando a água. Haveria deslocamento do meio para a frente e uma pequena queda no nível atrás da trajetória.

Na prática, separar o sinal do quark do comportamento do plasma é complexo. A gota é minúscula e a resolução experimental é limitada. Na frente da trajetória, a interação intensa dificulta distinguir sinais distintos.

Atrás do quark, porém, o rastro, se presente, deve ser uma propriedade do próprio plasma. A equipe concentrou esforços em encontrar essa pequena depressão na parte posterior do trajeto.

Bóson Z como marcador do quark

Para isolar o rastro previsto, os físicos utilizaram o bóson Z como partícula parceira do quark. O bóson Z é um dos portadores da força nuclear fraca, responsável por certos processos de decaimento atômico e subatômico.

Em determinadas colisões, um bóson Z e um quark de alta energia são produzidos juntos, recuando em direções opostas. Diferentemente de quarks e glúons, o bóson Z quase não interage com o plasma de quarks e glúons.

De acordo com Chen, no que diz respeito ao plasma, o bóson Z simplesmente escapa e desaparece. Ele sai da zona de colisão praticamente ileso, fornecendo um indicador preciso da direção e energia originais do quark.

Essa configuração permite que os físicos acompanhem o quark enquanto ele atravessa o plasma, sem que a partícula parceira tenha sido distorcida pelo meio. O bóson Z funciona como marcador calibrado para analisar alterações sutis.

A equipe mediu as correlações entre os bósons Z e os hádrons, partículas compostas de quarks que emergem da colisão. A análise concentrou-se na quantidade de hádrons na direção para trás em relação ao movimento do quark.

Queda inferior a 1% na produção de partículas

O efeito observado é pequeno. Em média, na direção oposta ao quark, foi registrada variação de menos de 1% na quantidade de plasma. O resultado levou tempo para ser demonstrado experimentalmente.

Essa supressão inferior a 1% corresponde ao tipo de assinatura esperada quando um quark transfere energia e momento ao plasma, deixando uma região empobrecida em seu rastro. A equipe relata ser a primeira detecção clara dessa queda em eventos marcados com quark Z.

O formato e a profundidade da depressão contêm informações sobre as propriedades do plasma. A analogia apresentada compara o comportamento do meio a água ou mel, dependendo da facilidade com que a depressão se preenche.

Se o fluido escoa com facilidade, a região atrás do objeto se recompõe rapidamente. Se se comporta como mel, a depressão persiste por mais tempo. Estudar essa característica fornece dados sobre o próprio plasma.

Implicações para o universo após o Big Bang

As observações têm implicações cosmológicas. Acredita-se que o universo primordial, logo após o Big Bang, era preenchido com plasma de quarks e glúons antes de esfriar e formar prótons, nêutrons e átomos.

Segundo Chen, essa era não é diretamente observável por telescópios, pois o universo era opaco naquele período. As colisões de íons pesados oferecem um pequeno vislumbre de como o universo se comportava.

A queda detectada é descrita como apenas o começo. O trabalho abre um novo caminho para obter mais informações sobre as propriedades do plasma recriado em laboratório.

Com mais dados acumulados, será possível estudar esse efeito com maior precisão e aprender mais sobre o plasma de quarks e glúons que marcou os instantes iniciais do universo após o Big Bang.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x