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Cientistas revelam que a Antártida perdeu gelo suficiente para cobrir Los Angeles dez vezes em apenas 30 anos e recuo de geleiras já chega a 42 quilômetros

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 06/03/2026 às 09:16
Atualizado em 06/03/2026 às 09:23
Estudo com imagens de satélite mostra que a Antártida perdeu gelo equivalente a dez vezes a área de Los Angeles em 30 anos.
Estudo com imagens de satélite mostra que a Antártida perdeu gelo equivalente a dez vezes a área de Los Angeles em 30 anos.
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Levantamento baseado em três décadas de imagens de satélite mostra que partes da Antártida registraram recuo acelerado de gelo, com perda de quase 5.000 milhas quadradas desde 1996 e retração de geleiras que alcança até 42 quilômetros em regiões vulneráveis

A Antártida perdeu gelo suficiente nos últimos 30 anos para cobrir dez vezes a área da cidade de Los Angeles, segundo pesquisa baseada em imagens de satélite que analisaram o recuo das camadas de gelo do continente ao longo de três décadas.

Estudo mapeia três décadas de mudanças nas camadas de gelo da Antártida

Glaciologistas da Universidade da Califórnia, Irvine, analisaram imagens de satélite registradas ao longo das últimas três décadas para medir as mudanças nas camadas de gelo da Antártida. O levantamento permitiu identificar padrões de estabilidade e regiões onde o recuo do gelo se tornou significativo.

Os resultados indicam que mais de três quartos do litoral da Antártida permaneceram estáveis durante o período analisado. Mesmo assim, outras áreas do continente registraram derretimento acelerado, evidenciando transformações relevantes na dinâmica das camadas de gelo.

O estudo foi publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências, uma das principais publicações científicas internacionais. A pesquisa utilizou como referência o comportamento da linha de aterramento, considerada um indicador essencial da estabilidade das camadas de gelo.

Linha de aterramento revela onde o gelo da Antártida está recuando

A linha de aterramento marca o limite onde as camadas de gelo deixam o leito rochoso e passam a flutuar no oceano. Esse ponto é considerado um padrão fundamental para acompanhar a estabilidade das plataformas de gelo na Antártida.

Segundo o principal autor do estudo, Eric Rignot, professor de ciências do sistema terrestre na UC Irvine, esta é a primeira vez que a linha de aterramento da Antártida foi mapeada por um período tão longo. O levantamento permitiu observar mudanças contínuas ao longo de décadas.

Apesar da estabilidade observada em cerca de 77% da costa da Antártida, regiões mais vulneráveis apresentaram recuo expressivo. Nessas áreas, as camadas de gelo estão retrocedendo a uma taxa superior a 440 quilômetros quadrados por ano.

Antártida Ocidental e Península Antártica concentram perdas mais intensas

As áreas com maior perda de gelo na Antártida estão localizadas na Antártida Ocidental, na Península Antártica e em partes da Antártida Oriental. Desde 1996, aproximadamente 5.000 milhas quadradas de gelo ancorado desapareceram nessas regiões.

Mudanças particularmente intensas foram registradas no Mar de Amundsen e na região de Getz, ambas situadas na Antártida Ocidental. Nessas áreas, diversas geleiras apresentaram recuos significativos ao longo das últimas décadas.

A geleira Pine Island recuou mais de 32 quilômetros, enquanto a geleira Thwaites registrou retração superior a 26 quilômetros. A geleira Smith apresentou o maior deslocamento observado, com recuo de aproximadamente 42 quilômetros.

Segundo os pesquisadores, esses processos estão associados principalmente à presença de água oceânica mais quente que alcança a base das geleiras. Esse contato favorece o derretimento e acelera o deslocamento das massas de gelo.

Geleira Thwaites e Pine Island têm impacto direto na elevação do nível do mar

Os cientistas mantêm atenção especial sobre a plataforma continental ocidental da Antártida devido ao seu potencial de influenciar o nível global do mar. Algumas das geleiras localizadas nessa região já contribuem de forma mensurável para esse fenômeno.

A geleira Thwaites, frequentemente chamada de “Geleira do Apocalipse”, já responde por cerca de 4% da elevação total do nível do mar registrada atualmente. A geleira Pine Island, por sua vez, apresenta o ritmo de derretimento mais rápido observado na Antártida.

Pesquisadores indicam que um colapso completo da camada de gelo da Antártida Ocidental poderia elevar o nível do mar em até 2,7 metros. Esse cenário depende da continuidade das mudanças observadas nas plataformas de gelo da região.

Cientistas investigam causas ainda desconhecidas em partes da Antártida

Grande parte do recuo registrado na Antártida Ocidental está associada à intrusão de água quente sob as plataformas de gelo. Esse processo ocorre quando ventos empurram massas de água oceânica aquecida em direção às geleiras.

Entretanto, o estudo aponta que o comportamento da linha de aterramento na Península Antártica apresenta características diferentes. Nessa região, os pesquisadores não encontraram evidências claras de água quente provocando o recuo observado.

Diante dessa ausência de explicação direta, os cientistas afirmam que outros fatores podem estar influenciando o comportamento do gelo na área. Segundo Eric Rignot, o fenômeno ainda permanece sem uma explicação definitiva.

Perda de gelo na Antártida equivale a área de Los Angeles a cada três anos

De acordo com os pesquisadores, as regiões mais vulneráveis da Antártida estão perdendo uma área de gelo terrestre equivalente à cidade de Los Angeles a cada três anos. Esse ritmo de perda reforça a necessidade de monitoramento contínuo das mudanças no continente.

Mesmo com essas perdas, o estudo aponta que grande parte da Antártida ainda permanece estável. Para os cientistas envolvidos na pesquisa, essa estabilidade relativa evita impactos ainda maiores no sistema global de gelo.

Eric Rignot afirmou que a situação poderia ser mais grave caso todo o continente estivesse reagindo da mesma forma. Segundo ele, se isso ocorresse, os impactos seriam significativamente maiores.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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