1. Inicio
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientistas revelam que a pedra central de 6 toneladas de Stonehenge, posicionada no coração do monumento há cerca de 4.500 anos e considerada galesa desde as primeiras pesquisas modernas, pode na verdade ter vindo da Escócia a 750 km de distância — indicando que povos pré-históricos britânicos já dominavam rotas marítimas muito antes do que se acreditava
Tiempo de lectura 8 min de lectura Comentarios 0 comentarios

Cientistas revelam que a pedra central de 6 toneladas de Stonehenge, posicionada no coração do monumento há cerca de 4.500 anos e considerada galesa desde as primeiras pesquisas modernas, pode na verdade ter vindo da Escócia a 750 km de distância — indicando que povos pré-históricos britânicos já dominavam rotas marítimas muito antes do que se acreditava

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado el 09/03/2026 a las 15:22
Cientistas revelam que a pedra central de 6 toneladas de Stonehenge, posicionada no coração do monumento há cerca de 4.500 anos e considerada galesa desde as primeiras pesquisas modernas, pode na verdade ter vindo da Escócia a 750 km de distância — indicando que povos pré-históricos britânicos já dominavam rotas marítimas muito antes do que se acreditava
Cientistas revelam que a pedra central de 6 toneladas de Stonehenge, posicionada no coração do monumento há cerca de 4.500 anos e considerada galesa desde as primeiras pesquisas modernas, pode na verdade ter vindo da Escócia a 750 km de distância — indicando que povos pré-históricos britânicos já dominavam rotas marítimas muito antes do que se acreditava
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Estudo publicado na Nature e pesquisas de cientistas da Universidade de Aberystwyth, UCL, Universidade Curtin e Universidade de Adelaide, revelam que a Pedra do Altar de Stonehenge veio do nordeste da Escócia, a mais de 750 km do monumento, indicando redes neolíticas de transporte e organização social muito mais complexas do que se imaginava.

Pedra central de Stonehenge veio da Escócia e percorreu mais de 750 km há 4.500 anos, revelando redes neolíticas de transporte muito mais complexas do que se imaginava: Anthony Clarke tinha 25 anos e cursava doutorado em geologia na Curtin University, em Perth, na Austrália, quando recebeu um conjunto de amostras microscópicas da chamada Pedra do Altar de Stonehenge. Clarke cresceu no sudoeste do País de Gales, justamente a região de onde vieram as famosas “bluestones” utilizadas no monumento megalítico. Por isso, quando recebeu o material, acreditava que confirmaria o que arqueólogos defendiam havia mais de um século: que a Pedra do Altar também teria origem galesa. No entanto, os dados obtidos durante a análise geológica apontaram para um resultado inesperado.

Os minerais da rocha não correspondiam a nenhuma formação geológica do País de Gales. Quando os primeiros resultados apareceram, Clarke ficou incrédulo. Em entrevista à NPR, ele relatou a reação inicial ao observar os dados.

“Quando recebi o primeiro lote de resultados, olhei e pensei: ‘Não tem como isso ser tão distintamente escocês’. Mas era.”

O estudo foi publicado em agosto de 2024 na revista científica Nature e mudou radicalmente o entendimento sobre a origem de uma das pedras mais importantes de Stonehenge. A Pedra do Altar não veio do País de Gales — ela veio do nordeste da Escócia, a mais de 750 quilômetros de distância.

O que é a Pedra do Altar de Stonehenge e por que ela é uma das rochas mais importantes do monumento

Stonehenge foi construído em várias fases entre aproximadamente 5.000 e 4.200 anos atrás, na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra. O monumento é composto por diferentes tipos de rochas com origens geológicas distintas. As gigantescas pedras sarsen — que formam o círculo externo e podem pesar até 30 toneladas — foram extraídas da região de Marlborough Downs, localizada a cerca de 25 quilômetros de distância.

Já as chamadas bluestones, menores e pesando entre uma e três toneladas, foram rastreadas até as Colinas Preseli, no sudoeste do País de Gales, a aproximadamente 225 quilômetros do monumento. No centro de Stonehenge existe, porém, uma pedra diferente.

Video de YouTube

Conhecida como Pedra do Altar, ela é um grande bloco retangular de arenito cinza-esverdeado com cerca de 5 metros de comprimento, 1 metro de largura e aproximadamente 50 centímetros de espessura, pesando cerca de 6 toneladas.

Hoje a pedra encontra-se deitada no interior do monumento e parcialmente soterrada, comprimida por duas outras pedras maiores que desabaram sobre ela em algum momento da história. Por estar localizada próxima às bluestones, arqueólogos assumiram durante décadas que sua origem também era galesa. Estudos realizados desde 2006 começaram a questionar essa hipótese, mas nenhuma alternativa convincente havia sido encontrada. Até a publicação do estudo em 2024.

Análise de minerais revela a verdadeira origem da Pedra do Altar de Stonehenge

Para determinar a origem da rocha, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada geocronologia de grãos detríticos. Em vez de analisar a rocha como um todo, os cientistas examinaram os minerais individuais que compõem o arenito — especialmente zircão, apatita e rutilo.

Cada um desses grãos minerais possui uma idade geológica específica, que pode ser determinada através da decomposição radioativa de elementos como o urânio em chumbo. Ao medir centenas desses grãos, os pesquisadores conseguem criar uma espécie de “impressão digital geológica” da rocha.

Essa assinatura mineral pode então ser comparada com formações rochosas conhecidas em diferentes regiões. No caso da Pedra do Altar, os resultados revelaram uma combinação extremamente específica. Os grãos minerais apresentavam idades entre 1 e 2 bilhões de anos, enquanto outros minerais indicavam cerca de 450 milhões de anos.

Essa combinação geológica é característica de apenas uma região da Grã-Bretanha: a Bacia Orcadiana, localizada no nordeste da Escócia. O geólogo Robert Ixer, do UCL Institute of Archaeology, resumiu o impacto da descoberta de forma direta.

“É um resultado genuinamente chocante. Mas se a física atômica e a tectônica de placas estiverem corretas, então a Pedra do Altar é escocesa.”

Transporte da pedra exigiu viagem de mais de 750 km no período neolítico

A datação indica que a Pedra do Altar foi transportada até Stonehenge entre aproximadamente 2620 a.C. e 2480 a.C., durante o Neolítico tardio. Esse detalhe torna a descoberta ainda mais impressionante.

Naquele período, a Grã-Bretanha não possuía cidades, sistemas de escrita, metalurgia avançada ou estruturas estatais organizadas. Mesmo assim, uma rocha de seis toneladas foi transportada por uma distância enorme. A Bacia Orcadiana, região de origem da pedra, fica no extremo nordeste da Escócia continental e se estende até as Ilhas Orcades.

A distância em linha reta até Stonehenge é de cerca de 750 quilômetros. Considerando rotas costeiras — consideradas mais prováveis para o transporte de uma rocha tão pesada — a distância pode ultrapassar 1.000 quilômetros. O transporte por terra seria extremamente difícil.

A Inglaterra neolítica era coberta por densas florestas, rios sem pontes, áreas pantanosas e cadeias montanhosas. Clarke descreveu o desafio de forma direta.

“A floresta densa, os rios, os pântanos e as montanhas tornariam o percurso terrestre praticamente impossível.”

Por isso, os pesquisadores acreditam que a pedra foi transportada por via marítima.

Evidência sugere transporte marítimo ao longo da costa da Grã-Bretanha

Os pesquisadores defendem que a Pedra do Altar provavelmente foi transportada em embarcações neolíticas ao longo da costa leste da Grã-Bretanha.

Nesse cenário, a rocha teria sido carregada por mar desde o nordeste da Escócia até o sul da Inglaterra, chegando próximo ao Canal da Mancha. A partir dali, teria sido transportada por terra por cerca de 160 quilômetros até a planície de Salisbury.

Video de YouTube

Antes desse estudo, arqueólogos já possuíam indícios de redes de contato marítimo no Neolítico britânico. Ferramentas de pedra encontradas em diferentes regiões sugeriam circulação de materiais entre comunidades distantes. Análises químicas de ossos também indicavam movimentação de animais domésticos entre o norte e o sul da ilha.

A Pedra do Altar tornou-se agora a evidência física mais pesada e concreta dessas redes de transporte pré-históricas.

Descoberta muda completamente o entendimento da sociedade neolítica britânica

A descoberta tem implicações muito maiores do que simplesmente determinar a origem de uma rocha. O professor Chris Kirkland, coautor do estudo pela Curtin University, destacou que transportar um bloco de seis toneladas por centenas de quilômetros exige uma organização social muito mais complexa do que se imaginava.

“Transportar uma pedra desse tamanho por via marítima implica redes de comércio de longa distância e coordenação social significativa no período Neolítico.”

O arqueólogo Alasdair Whittle, da Universidade de Cardiff, reforçou essa interpretação. Pesquisas recentes já sugeriam que comunidades neolíticas britânicas estavam muito mais conectadas do que se pensava. Estilos cerâmicos semelhantes, arquitetura doméstica comparável e padrões de criação de animais indicavam intercâmbio cultural entre regiões distantes.

A Pedra do Altar agora oferece uma evidência monumental dessa conexão. Segundo os pesquisadores, esta é a mais longa viagem documentada de qualquer pedra usada em um monumento neolítico no mundo.

Um século de consenso arqueológico pode ter estado errado

Durante mais de cem anos, a origem galesa da Pedra do Altar foi considerada praticamente certa. Essa hipótese parecia lógica: como várias pedras menores de Stonehenge vieram do País de Gales, acreditava-se que a pedra central tivesse a mesma origem. No entanto, diversas pesquisas geológicas realizadas ao longo do século XX falharam em encontrar correspondência convincente entre a Pedra do Altar e as formações rochosas galesas.

Foi somente com a aplicação de técnicas modernas de geocronologia que o mistério finalmente começou a ser resolvido. A descoberta também mostra como avanços tecnológicos podem transformar completamente o entendimento de monumentos estudados há séculos.

O que ainda não se sabe sobre a Pedra do Altar de Stonehenge

Apesar da descoberta sobre sua origem, várias perguntas continuam em aberto. A principal delas é identificar o ponto exato de onde a pedra foi extraída dentro da Bacia Orcadiana. A região abrange centenas de quilômetros e inclui tanto áreas continentais quanto as Ilhas Orcades.

Determinar esse local é importante para compreender qual rota de transporte foi utilizada. Outra questão envolve o motivo da escolha da pedra. Arenitos semelhantes existem em regiões muito mais próximas de Stonehenge. Isso sugere que a seleção da Pedra do Altar pode ter tido um significado cultural ou simbólico específico.

Reprodução/Wikipédia

Alguns arqueólogos acreditam que diferentes comunidades da Grã-Bretanha podem ter contribuído com pedras de suas próprias regiões na construção do monumento. Se essa hipótese estiver correta, Stonehenge pode ter sido não apenas um monumento religioso ou astronômico, mas também um símbolo de união entre comunidades neolíticas espalhadas por toda a ilha.

Os próximos estudos deverão concentrar esforços justamente no nordeste da Escócia. Pesquisadores já indicaram que a próxima etapa da investigação será identificar o local exato de extração da rocha — um passo que pode revelar ainda mais detalhes sobre como povos neolíticos conseguiram transportar uma pedra de seis toneladas por mais de 750 quilômetros há cerca de 4.500 anos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Fuente
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x