Granizo que destruiu 230 hectares de soja em Goiás, seca em Iporá e atraso na semeadura em estados como Goiás, Rio Grande do Sul e Maranhão mostram como o clima pressiona o agro em 2025, enquanto a Conab prevê 354 milhões de toneladas e milho menor em 2026 no Brasil.
Em 2025, o agro brasileiro sentiu o peso de um clima irregular. Entre setembro e outubro, período considerado ideal para a semeadura da soja, a chuva falhou em importantes regiões produtoras e, em dezembro, produtores ainda correm para terminar o plantio em estados decisivos.
Enquanto um temporal de granizo obrigou o replantio de 230 hectares em Leopoldo de Bulhões, em Goiás, a seca levou Iporá a decretar calamidade pública. Mesmo com esse cenário de risco para o agro, a Conab projeta produção de 354 milhões de toneladas de grãos na safra 25/26 e já admite que o milho pode ficar abaixo do recorde brasileiro de 2025.
Granizo destrói 230 hectares de soja e atrasa colheita em Goiás

Na fazenda de Paulo Roberto Schwengber, em Leopoldo de Bulhões, no interior de Goiás, a soja já tinha começado a brotar quando um temporal de granizo atingiu a área.
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O fenômeno destruiu 230 hectares da plantação e empurrou a colheita para abril de 2026, dois meses depois do planejado, um retrato claro de como o clima tem castigado o agro em 2025.
A área precisou ser totalmente replantada, o que elevou custos e alongou o cronograma da safra.
Schwengber resume o dilema vivido por muitos produtores: “A gente para e pensa: o que é pior, arcar somente com este prejuízo ou tentar amenizá-lo? E, obviamente, todo mundo opta pelo replantio para tentar amenizar esse prejuízo”, diz o produtor rural.
Entre absorver a perda ou recomeçar, o agro tem escolhido insistir na lavoura.
Seca em Iporá leva município à calamidade pública
Se em Leopoldo de Bulhões o granizo foi o vilão, em Iporá, também em Goiás, o problema foi exatamente o oposto.
A falta de chuva atrapalhou os planos dos agricultores e fez o município decretar situação de calamidade pública.
A estiagem secou o solo, atrasou o plantio e elevou a incerteza sobre a produtividade das lavouras.
Esse contraste dentro do mesmo estado revela como o agro brasileiro convive, ao mesmo tempo, com excesso e falta de água.
Enquanto algumas áreas sofrem com temporais localizados, outras não recebem o mínimo de chuva necessário para garantir uma emergência uniforme das plantas e uma formação adequada das lavouras.
Estados-chave entram em dezembro com semeadura incompleta
Em importantes regiões produtoras de soja, o clima foi um desafio constante para os agricultores. Em setembro e outubro, época ideal para semear a lavoura, a chuva simplesmente não veio em vários momentos, e o trabalho precisou ser adiado diversas vezes.
Chegando a dezembro, o plantio ainda não tinha sido concluído em estados estratégicos para o agro.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, Goiás chegou a dezembro com 92% das áreas semeadas, o Rio Grande do Sul com 69% e o Maranhão com apenas 38%.
Esses percentuais mostram que parte significativa da safra foi instalada mais tarde do que o recomendado, o que aumenta a exposição das plantas a riscos climáticos ao longo do ciclo.
O produtor rural Anderson Sandri descreve o comportamento das chuvas em 2025: “Esse ano foi bem atípico. Está chovendo, mas não é muito também.
É regrado, manchado: em algum lugar chove, em outro não. Então é escapando: onde chove, planta”.
No agro, o calendário passou a depender de janelas curtas de chuva, aproveitadas quase no limite pelos produtores.
Conab projeta 354 milhões de toneladas apesar das adversidades
Mesmo com todas as adversidades climáticas, o Brasil deve produzir 354 milhões de toneladas de grãos nesta safra, volume apenas 400 mil toneladas menor do que o estimado em novembro.
Ou seja, o clima apertou, mas o agro segue entregando uma produção robusta, sustentada principalmente pelo aumento de área cultivada em várias regiões.
O presidente da Conab, Edegar Pretto, lembra que a safra anterior foi histórica: a safra 24/25 foi recorde na produção, com recordes de soja, milho e também de algodão.
Para ele, a safra 25/26 será uma boa safra, mesmo com problemas pontuais em alguns estados e regiões. Segundo Pretto, o país ainda caminha para fazer de 2026 uma grande safra agrícola, reforçando o peso do agro na economia brasileira.
A avaliação da Conab é que, embora alguns produtores tenham sofrido danos localizados, o aumento de área e o desempenho de regiões menos afetadas acabam compensando parte das perdas.
O resultado é um agro que convive com o risco climático, mas ainda sustenta uma projeção elevada de produção nacional.
Milho em 2026 deve ficar abaixo do recorde de 2025
Se a projeção de grãos é elevada, o milho exige um olhar mais cauteloso.
Para Cristiano Palavro, sócio-diretor da Pátria Agronegócios, a tendência é de uma produção de milho menor em 2026 em comparação a 2025, ano em que o país registrou recorde brasileiro.
“Se o clima tem uma tendência de ser um pouco pior, muito provavelmente a gente vai ter uma produção de milho menor do que tivemos em 2025, que foi o recorde brasileiro.
Então, a gente, hoje, já sai com estimativa de produção de milho para 2026 menor que em 2025. E com uma ressalva: a demanda está crescendo com muita consistência”, afirma Palavro.
Na prática, isso significa que o agro entra em 2026 com um cenário desafiador: oferta de milho potencialmente menor diante de uma demanda que não para de crescer, tanto interna quanto externa.
Na sua opinião, o agro brasileiro está preparado para enfrentar um 2026 com clima mais difícil e milho menor do que o recorde de 2025?

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