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Colômbia enfrenta invasão de hipopótamos 30 anos após Pablo Escobar: manada passa de 120, avança 300 km pelo rio Magdalena, assusta moradores e pode chegar a 1.400 em dez anos

Escrito por Carla Teles
Publicado el 31/01/2026 a las 13:22
Colômbia enfrenta invasão de hipopótamos 30 anos após Pablo Escobar manada passa de 120, avança 300 km pelo rio Magdalena, assusta moradores e pode chegar
Colômbia enfrenta invasão de hipopótomos de Pablo Escobar, espécie invasora que avança pelo rio Magdalena e ameaça pessoas e ambiente.
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Trinta anos após a morte de Pablo Escobar, a invasão de hipopótamos se espalha pelo rio Magdalena, já percorre 300 km a partir da antiga fazenda do narcotraficante, assusta moradores e pode chegar a 1.400 animais em pouco mais de dez anos.

A Colômbia vive hoje uma invasão de hipopótamos que nada tem de exótica ou inofensiva. Descendentes de apenas quatro animais trazidos ilegalmente para o zoológico particular de Pablo Escobar nos anos 1980, eles se multiplicaram até formar a maior manada de hipopótamos vivendo soltos na natureza fora da África, ocupando lagos, estradas e trechos de um dos rios mais importantes do país. A cena de um pescador com seis cicatrizes no braço, carros destruídos em atropelamentos e famílias com medo de sair de casa mostra que o problema deixou de ser curiosidade para virar caso de segurança pública.

Ao mesmo tempo, essa mesma invasão de hipopótamos tornou-se atração turística, rendeu parque temático, souvenires e empregos na região da antiga Fazenda Anápolis. Depois que a propriedade foi abandonada e confiscada pelo Estado, muitos animais foram enviados para zoológicos dentro e fora da Colômbia, mas os hipopótamos ficaram, se adaptaram ao clima, escaparam dos limites da fazenda e hoje expõem o país a um dilema difícil: abater, castrar, transferir ou conviver com uma espécie invasora carismática, perigosa e em rápida expansão.

Como a invasão de hipopótamos começou na fazenda de Pablo Escobar

Tudo começou quando Pablo Escobar decidiu montar um zoológico privado na Fazenda Anápolis, a cerca de 180 km de Medellín.

Milionário, violento e excêntrico, ele importou ilegalmente centenas de animais, entre eles quatro hipopótamos, um macho e três fêmeas. Na época, ninguém imaginava que aquele pequeno grupo se tornaria sinônimo de invasão de hipopótamos décadas depois.

Após a morte de Escobar em 1993, a Fazenda Anápolis virou alvo de disputa judicial entre a família e o governo colombiano, ficou abandonada por um longo tempo e acabou confiscada pelo Estado.

A maioria dos animais foi transferida para outros zoológicos do país e até do exterior, mas os hipopótamos ficaram para trás.

Segundo o biólogo Davi Lopes, da Cornare, capturar um hipopótamo é caro, arriscado e logisticamente complicado, o que pesou na decisão. Muitos chegaram a pensar que, deixados ali, eles morreriam com o tempo.

O que aconteceu foi o oposto. Os quatro hipopótamos de Pablo Escobar sobreviveram, tiveram filhotes, netos, bisnetos e formaram uma população em expansão, que aproveitou água abundante, alimento fácil e ausência de predadores naturais.

Em poucos anos, o que era um resquício do zoológico particular virou uma manada descontrolada de mais de 120 hipopótamos, espalhada pela paisagem colombiana.

Do zoológico privado à maior manada de hipopótamos fora da África

Colômbia enfrenta invasão de hipopótomos de Pablo Escobar, espécie invasora que avança pelo rio Magdalena e ameaça pessoas e ambiente.
Imagem: pixabay

Com o tempo, os animais escaparam dos domínios da Fazenda Anápolis e alcançaram o rio Magdalena, um dos mais importantes da Colômbia.

Hoje, os hipopótamos já podem ser vistos a cerca de 300 km de distância da antiga fazenda, ocupando trechos de rios, lagos e áreas próximas a comunidades rurais. Essa expansão é a face mais visível da invasão de hipopótamos no país.

Nativos do continente africano, hipopótamos podem pesar mais de 3 toneladas e, na Colômbia, estão a mais de 10 mil km de seu habitat original. Mesmo assim, mostraram uma grande capacidade de adaptação, encontraram condições favoráveis e se multiplicaram quase sem controle.

O resultado é que hoje a região abriga o maior rebanho da espécie vivendo livre na natureza fora da África, algo que jamais foi planejado pelo Estado, pelos cientistas ou pelas comunidades locais.

Estudos apontam que, se nada for feito, o número de animais pode saltar de pouco mais de 120 para mais de 1.400 hipopótamos em pouco mais de uma década, consolidando uma invasão de hipopótamos em escala nacional.

Quanto maior a população, mais difícil e caro se torna qualquer plano de controle, e maiores são os riscos para o ambiente e para as pessoas.

Quando a invasão de hipopótamos vira caso de segurança e saúde ambiental

A presença massiva dos hipopótamos traz consequências diretas para o ecossistema da região. Ao entrar e sair constantemente da água, eles alteram a composição química dos lagos e do rio, o que pode afetar a pesca e a qualidade da água.

A movimentação intensa também afasta outras espécies importantes, como o peixe-boi e a capivara, mudando o equilíbrio natural dos ambientes.

No entanto, o problema não é só ecológico. Os hipopótamos são animais extremamente agressivos, especialmente quando se sentem ameaçados ou estão protegendo filhotes. O pescador colombiano de 33 anos que exibe seis cicatrizes no braço esquerdo é um símbolo desse risco.

Ele foi atacado enquanto pescava na beira de um lago, por estar perto demais de uma fêmea com seu filhote, e admite que hoje sente medo de voltar ao local onde foi ferido.

Nas estradas, o perigo também é real. Em um trecho da rodovia Medellín–Bogotá, um hipopótamo foi atropelado por um carro, morreu na hora e, por sorte, o motorista não se feriu.

Em áreas como o distrito de Puerto Triunfo, moradores registram em vídeo manadas de hipopótamos atravessando estradas de terra à noite, ou um animal passando por baixo de cercas, muito perto de casas e comércios.

Embora ainda não haja registro de mortes causadas por hipopótamos na Colômbia, na África eles estão entre os animais que mais matam seres humanos, o que alimenta o alerta de que o pior pode acontecer se a invasão de hipopótamos continuar avançando.

Hipopótamos entre o medo, o turismo e o imaginário de Pablo Escobar

Apesar dos riscos, muitos moradores veem os hipopótamos com carinho e como uma oportunidade. Turistas viajam à região para ver de perto os animais ligados à história de Pablo Escobar, o que gera empregos em hotéis, lanchonetes, lojas de souvenires e no parque temático criado na antiga Fazenda Anápolis.

É comum encontrar miniaturas, chaveiros e produtos decorativos com a imagem dos “ricos”, como os animais são chamados.

Em algumas áreas, os hipopótamos já fazem parte da paisagem cotidiana. Há placas de alerta, mas os visitantes muitas vezes ignoram o perigo, encantados com a cena de hipopótamos circulando perto de lagoas, entradas de hotéis e trilhas de um parque temático.

Para muitos comerciantes, os animais são a principal atração, e a ideia de perder essa fonte de renda gera resistência a medidas mais duras de controle.

Essa mistura de medo e fascínio complica ainda mais o manejo da invasão de hipopótamos. Quando especialistas sugeriram o abate de parte da população para conter a espécie invasora, a reação da opinião pública foi forte.

Moradores e defensores dos animais se manifestaram contra a matança, alegando que os hipopótamos geram empregos e atraem visitantes, e que a solução deveria ser encontrada sem exterminar todos os animais.

Como a Colômbia tenta controlar a invasão de hipopótamos sem matá-los

Video de YouTube

Diante da pressão social e do crescimento acelerado da manada, os órgãos ambientais tiveram de buscar alternativas ao abate, apostando em técnicas mais complexas, lentas e caras.

Uma das estratégias é realizar cirurgias de esterilização e castração química, tentando reduzir a fertilidade dos hipopótamos e frear a invasão de hipopótamos ao longo do tempo.

Cada procedimento, porém, exige capturar o animal, sedá-lo e operar com segurança, o que representa um grande desafio logístico.

Outra frente é a transferência de parte dos hipopótamos para outros países. Zoológicos da Índia, México e Equador já manifestaram interesse em receber alguns animais.

O plano prevê atrair os hipopótamos com comida para dentro de grandes containers de ferro, que seriam fechados e levados de avião para o exterior.

A ideia inicial é transferir mais de 70 indivíduos nos próximos meses, aliviando a pressão sobre o rio Magdalena e as comunidades vizinhas.

Nem todos concordam com uma remoção ampla. Há moradores que aceitam que levem uma parte dos hipopótamos, mas não querem ver todos os animais indo embora, seja por apego, seja pelo medo de perder o movimento turístico.

No meio disso, a invasão de hipopótamos continua avançando, e o tempo corre contra as autoridades: quanto mais a população cresce, mais cara e difícil se torna qualquer forma de controle.

No fim das contas, a Colômbia precisa decidir que futuro quer para os hipopótamos de Pablo Escobar e para o rio Magdalena, equilibrando segurança, economia local e proteção ambiental.

E você, na mesma situação dos colombianos, aceitaria o abate parcial para controlar a invasão de hipopótamos ou apoia apenas a castração e a transferência para outros países?

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Fábio Muniz
Fábio Muniz
03/02/2026 08:32

As autoridades responsáveis precisam e devem criar soluções para o problema, castração seria a melhor forma de previnir a fauna e os empregos.

Artur Risso Neto
Artur Risso Neto
02/02/2026 21:00

Abre uma temporada de caça, com regras por ex. O Governo emite X autorizações de caçar e vende aos caçadores. Vai movimentar o turismo….

Jorge Alberto Dacal Mendes
Jorge Alberto Dacal Mendes
02/02/2026 16:43

Sem ser especialista no assunto,não vejo alternativa.O abate de parte desses animais é mais que necessária.Em mais ou menos,teremos vítimas fatais.Infelizmente.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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