Motor elétrico axial de 12,7 kg e 1.000 cv desenvolvido pela YASA redefine a densidade de potência, supera recordes anteriores e fortalece a base elétrica da Mercedes AMG para a próxima geração de veículos de alto desempenho
O desenvolvimento de motores de fluxo axial ganhou força porque representa uma mudança na forma de gerar potência com eficiência. Essa tecnologia se tornou central para a YASA, subsidiária da Mercedes-Benz, que busca superar limitações dos motores radiais usados em grande parte dos veículos elétricos atuais.
A configuração axial altera a orientação do campo magnético, que passa a operar paralelo ao eixo de rotação. Essa mudança abre espaço para estruturas compactas, reduz massa e melhora a eficiência energética. Além disso, permite aproveitar melhor o enrolamento, ampliando torque e reduzindo calor.
O uso dessa arquitetura também diminui a necessidade de metais caros, já que a transferência de energia ocorre diretamente da bobina para a carcaça externa. Essa característica influencia custos e favorece a adoção de projetos mais leves e eficientes no setor automotivo.
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O protótipo de 12,7 kg e 1.000 cv
O novo motor de fluxo axial desenvolvido pela YASA alcançou uma densidade de potência de 80 hp/kg. Em parâmetros técnicos, esse resultado corresponde a 59 kW/kg, índice que reforça a ruptura com padrões anteriores do mercado.
A unidade pesa 12,7 kg e pode atingir 750 kW de potência máxima, superando 1.000 hp. Esse desempenho ultrapassou o recorde anterior da própria empresa e triplicou a densidade apresentada pelos melhores motores radiais disponíveis.
O avanço representa crescimento de 40% em relação ao registro anterior da YASA. O salto técnico demonstra que os estudos evoluíram em ritmo acelerado, indo além das projeções previstas pelos engenheiros que acompanham a evolução dos projetos.
Esse resultado redefine parâmetros de motores elétricos de alto desempenho e fortalece a posição da empresa como desenvolvedora de soluções compactas, eficientes e adequadas a aplicações exigentes.
A vantagem estrutural do fluxo axial
Os motores de fluxo radial utilizam campo magnético perpendicular ao eixo. A YASA adotou o fluxo axial, cujo formato recebeu o apelido de motor panqueca por causa de sua geometria plana e mais compacta em comparação aos modelos convencionais.
Essas unidades são mais leves, ocupam menos espaço e podem gerar até quatro vezes mais torque que motores radiais do mesmo segmento. Também alcançam o dobro da densidade de potência, favorecendo aplicações em veículos com exigência de alto desempenho.
A compactação obtida ajuda projetistas a desenvolver arquiteturas mais flexíveis, com ganhos de espaço interno ou redução da massa total do conjunto. Isso influencia autonomia e dinâmica, aspectos valorizados no setor elétrico.
A importância da armadura segmentada
A YASA utiliza uma armadura segmentada e sem garfo como base de sua nova arquitetura. O conceito elimina a carcaça de ferro existente no estator de motores tradicionais, diminuindo a massa de ferro em até 80%.
Essa redução limita perdas magnéticas e diminui o peso total. A medida libera desempenho e permite que o motor alcance indicadores inéditos em um conjunto de dimensões extremamente reduzidas, reforçando a densidade elevada registrada nos testes.
O design facilita processos de produção em larga escala, já que utiliza menos cobre, ferro e ímanes permanentes que motores radiais. Essa simplificação reduz custos e contribui para possibilitar a fabricação de unidades mais acessíveis no futuro.
Estabilidade térmica e potência contínua
A potência de pico precisa ser acompanhada de capacidade de operação contínua. A YASA integrou um sistema de resfriamento direto a óleo, recurso pensado para preservar desempenho durante uso prolongado e reduzir riscos de superaquecimento.
Motores radiais podem perder até metade da potência quando mantidos em funcionamento contínuo. O modelo de fluxo axial desenvolvido pela empresa mantém desempenho estimado entre 350 kW e 400 kW sem sofrer queda brusca, segundo projeções internas.
Essa estabilidade torna o protótipo adequado a situações de grande exigência, como uso em pista. A manutenção dessa potência contínua reforça a viabilidade de aplicação em segmentos que demandam entrega constante e controle térmico eficiente.
Comparações de desempenho
As métricas apresentadas mostram diferenças marcantes entre motores radiais líderes, o motor YASA anterior e o novo protótipo. Enquanto unidades radiais de referência atingem aproximadamente 20 kW/kg, o motor anterior da YASA alcançou 42 kW/kg.
O novo recorde chegou a 59 kW/kg, consolidando o avanço. A densidade de potência em hp/kg também ultrapassou o marco anterior, atingindo cerca de 80 hp/kg. O peso caiu de 13,1 kg para 12,7 kg, enquanto a potência de pico avançou de 550 kW para 750 kW.
Esses dados evidenciam um salto sucessivo nas etapas de desenvolvimento. Cada atualização aumentou desempenho, reduziu massa e ampliou a vantagem competitiva da arquitetura de fluxo axial sobre alternativas radiais.
A estratégia Mercedes-AMG
A compra da YASA em 2021 teve objetivo de assegurar espaço estratégico no setor elétrico. A Mercedes-Benz pretende incorporar a tecnologia nas novas plataformas da linha AMG, voltadas a veículos de alto desempenho.
A compactação dessas unidades influencia diretamente o design automotivo. A descrição de que o motor é pequeno o bastante para caber em uma mala reforça essa versatilidade e permite imaginar aplicações mais variadas em projetos futuros.
Modelos como o Concept AMG GT XX devem tirar proveito da instalação de múltiplos motores de fluxo axial. Isso ampliaria densidade de torque e potência, criando um perfil de condução adequado às pretensões esportivas da divisão AMG.
Caminho para a produção em massa
O principal obstáculo atual está na adaptação dos processos industriais. As linhas de produção foram historicamente estruturadas para motores radiais, o que exige reorganização e novas metodologias para fabricar motores axiais em escala.
O investimento da Mercedes-Benz indica confiança na superação desses limites. A combinação entre desenvolvimento técnico acelerado e suporte industrial pode viabilizar a introdução dessa tecnologia em séries maiores.
O avanço contínuo sugere que a produção em massa está mais próxima. A consolidação desse passo deve redefinir padrões automotivos e sinalizar um período em que motores de alta densidade ganharão espaço em produtos comerciais.
Com informações de yasa.com

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