Com mais de 1.800 km de extensão, torres gigantes de cerca de 300 metros e ligação direta à hidrelétrica de Tucuruí, o Linhão de Tucuruí promete conectar Roraima ao Sistema Interligado Nacional, cortar custos com termelétricas a diesel e levar energia mais estável à Amazônia até 2027.
O Linhão de Tucuruí marca uma das fases mais importantes da integração elétrica do Norte do Brasil ao Sistema Interligado Nacional. A obra, que teve marco de inauguração de trecho em 2025, conecta a hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, a diferentes estados da região, com mais de 1.800 quilômetros de extensão em linhas de transmissão de alta tensão. O objetivo é simples de entender, mas complexo de executar: usar o potencial da usina para deixar para trás décadas de instabilidade energética e apagões frequentes.
Por muitos anos, estados como Roraima e Amapá conviveram com redes frágeis, dependência de termelétricas a diesel e episódios graves de falta de energia. Com o avanço do Linhão de Tucuruí, a expectativa é reduzir os apagões, baratear o custo de geração e garantir uma oferta mais limpa e previsível de energia elétrica para a Amazônia, completando a integração do Norte com o restante do país até 2027.
O que é o Linhão de Tucuruí e por que ele é tão estratégico
A hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, é um dos maiores empreendimentos de geração de energia do Brasil, com capacidade instalada de 8.370 MW.
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Durante muitos anos, essa potência foi usada principalmente para atender regiões como Sudeste e Nordeste, enquanto o próprio Norte seguia com seu potencial subutilizado.
O Linhão de Tucuruí nasce justamente para inverter esse cenário, conectando Tucuruí a estados que antes estavam isolados ou parcialmente integrados.
O grande diferencial está na possibilidade de aproveitar de forma plena a energia gerada, levando eletricidade mais barata, limpa e estável para uma faixa extensa da Amazônia.
A partir dessa interligação, Roraima, que hoje é o único estado brasileiro fora do Sistema Interligado Nacional e depende de usinas a diesel desde 2019, passa a ter acesso à mesma malha de transmissão que abastece o resto do país.
O Amapá, que sofreu apagões graves por falta de uma interligação confiável, também entra no mapa da integração energética.
Principais características técnicas do Linhão de Tucuruí
Por trás da narrativa de “fim dos apagões” existe um conjunto de dados técnicos que mostra o tamanho do desafio. Entre os pontos mais importantes do Linhão de Tucuruí, estão:
- Origem na hidrelétrica de Tucuruí, no Pará
- Ramificações que seguem para Macapá (Amapá) a leste e Manaus (Amazonas) a oeste
- Extensão de cerca de 1.800 quilômetros no projeto principal
- Trecho adicional Manaus–Boa Vista (Roraima) com aproximadamente 724 km
- Tensão de operação em 500 kV no trecho principal
- Capacidade de transmissão de cerca de 2.400 MW, permitindo levar grande volume de energia para o Norte
Além da energia, parte da infraestrutura é utilizada para instalar cabos de fibra óptica, o que abre espaço para levar banda larga a regiões remotas, conectando comunidades que hoje têm acesso limitado à internet.
O Linhão de Tucuruí, portanto, não é só uma linha de transmissão: também é um corredor de comunicação e desenvolvimento.
Torres gigantes de 300 metros: o símbolo da travessia sobre a Amazônia
Ao longo do traçado, o Linhão de Tucuruí exige soluções fora do comum. É o caso das torres especiais instaladas na travessia do rio Amazonas.
Duas delas, conhecidas como torres 238 e 241, foram construídas com cerca de 300 metros de altura, alcançando quase a mesma altura da Torre Eiffel.
Essas estruturas gigantes têm funções críticas:
- Permitir a travessia de grandes rios sem necessidade de desmatamento extenso
- Garantir que os cabos passem acima da copa das árvores da floresta amazônica
- Manter distâncias seguras em áreas alagadas e de solo complexo
A combinação de fundações especiais em trechos alagados, torres altíssimas e condições naturais extremas faz do Linhão de Tucuruí um dos projetos mais desafiadores já realizados na transmissão de energia no país.
Desafios ambientais e a passagem por Terra Indígena
Outro ponto sensível do Linhão de Tucuruí é a passagem por áreas de preservação e terras indígenas. Um dos trechos mais delicados atravessa aproximadamente 122 km da Terra Indígena Waimiri Atroari.
Para viabilizar o projeto, foi necessário:
- Negociação com comunidades indígenas e suas representações
- Mediação judicial e licenciamento ambiental rigoroso
- Acordos de compensação socioambiental
- Monitoramento permanente dos impactos da obra
Além disso, o projeto prevê desmatamento pontual para a instalação das torres, o que aumenta a responsabilidade sobre o planejamento das rotas, escolha de acessos e mitigação de danos ambientais.
Ao mesmo tempo, a substituição de termelétricas a diesel por energia hidrelétrica reduz emissões de poluentes, o que representa um ganho ambiental de médio e longo prazo.
Quanto já foi feito e qual é o prazo para conclusão
O investimento estimado no Linhão de Tucuruí gira em torno de R$ 3,3 bilhões, sob responsabilidade da concessionária Transnorte Energia, consórcio formado por Eletrobras e Alupar.
Até março de 2025, as obras entre Manaus e Boa Vista já tinham ultrapassado 70% de conclusão, com autorização para operação comercial do trecho Manaus–Boa Vista a partir de setembro de 2025. Isso indica que:
- Partes importantes da infraestrutura já estão operando ou em fase final de testes
- O cronograma oficial aponta para integração completa da região até 2027, consolidando a conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional
A expectativa é que, após a conclusão total, os episódios de apagão se tornem muito mais raros e a dependência de termelétricas seja gradualmente reduzida.
Impacto econômico e social na região Norte
A entrada em operação plena do Linhão de Tucuruí deve gerar uma sequência de efeitos econômicos para o Norte:
- Redução do custo de geração de energia, com substituição do diesel por hidrelétrica
- Maior segurança no abastecimento, atraindo novos investimentos produtivos
- Melhora na competitividade de indústrias e serviços
- Expansão de empregos diretos e indiretos durante e após a obra
Além disso, o uso da infraestrutura para fibra óptica leva internet a regiões que antes estavam desconectadas, o que influencia:
- Educação, com possibilidade de ensino a distância em comunidades isoladas
- Saúde, com telemedicina e comunicação rápida com centros urbanos
- Comércio e serviços digitais, que passam a alcançar mais pessoas
Energia estável e conectividade juntas tendem a mudar o patamar de desenvolvimento da Amazônia, abrindo espaço para negócios que antes eram inviáveis por falta de infraestrutura básica.
O Linhão de Tucuruí vai realmente acabar com os apagões?
Mesmo com toda a potência técnica e o impacto esperado, o Linhão de Tucuruí não é uma solução mágica. Ele reduz fortemente a chance de grandes apagões causados por isolamento elétrico e fragilidade de redes locais, mas ainda será necessário:
- Investir em manutenção contínua da linha e das subestações
- Reforçar redes de distribuição dentro das cidades e comunidades
- Garantir boa gestão operacional e regulatória do sistema
De qualquer forma, a interligação de Roraima e o fortalecimento da malha no Amapá representam um salto histórico, saindo de um modelo caro, poluente e instável para uma estrutura alinhada ao restante do país.
O desafio que vem depois da obra é garantir que a gestão, a regulação e os investimentos locais acompanhem a infraestrutura de transmissão, para que o benefício chegue na ponta, na casa de quem hoje ainda vive com medo do próximo apagão.
E você, acredita que o Linhão de Tucuruí será o ponto final nos apagões do Norte ou que o maior desafio agora será manter e gerir bem essa infraestrutura gigantesca nos próximos anos?
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