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Com 10 mil caixas de pimentão por safra e estufas de alta tecnologia, interior de São Paulo eleva o cultivo com fertirrigação, telas de sombreamento e colheita em carrossel que multiplica a produtividade em até 30%

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 24/11/2025 a las 12:31
Actualizado el 24/11/2025 a las 12:32
Produção de pimentão em Itápolis cresce com estufas, fertirrigação e carrossel de colheita, aumentando produtividade e reduzindo perdas.
Produção de pimentão em Itápolis cresce com estufas, fertirrigação e carrossel de colheita, aumentando produtividade e reduzindo perdas.
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Sistema intensivo de estufas em Itápolis transforma a produção de pimentão, amplia ciclos, reduz perdas e reforça o uso de tecnologias como fertirrigação e carrossel de colheita.

No interior de São Paulo, o município de Itápolis consolidou um polo de produção de pimentão em ambiente protegido que entrega 10 mil caixas por safra em 1 hectare, com produtividade até 30% superior ao cultivo convencional.

Em uma área antes ocupada por hortas familiares, cerca de 50 produtores estruturaram um sistema intensivo de estufas que mantém oferta regular de pimentão colorido para o mercado paulista e para exportadores, reduzindo perdas provocadas por variações climáticas.

À frente dessa estrutura estão os produtores Daniel Antonio Vicentin e José Paulo Martins dos Santos, o Paulinho, que transformaram uma única estufa instalada em 2013 em um conjunto de 4.200 metros quadrados cobertos.

A unidade utiliza estufas de madeira, fertirrigação por gotejamento, telas de sombreamento e colheita em sistema de carrossel.

O foco principal são pimentões vermelho e amarelo da variedade Lamuyo, classificados como premium por compradores varejistas.

Estufas e microclima no cultivo de pimentão

Produção de pimentão em Itápolis cresce com estufas, fertirrigação e carrossel de colheita, aumentando produtividade e reduzindo perdas.
Produção de pimentão em Itápolis cresce com estufas, fertirrigação e carrossel de colheita, aumentando produtividade e reduzindo perdas.

As estufas são adotadas como alternativa às oscilações climáticas do Sudeste, onde chuvas irregulares, temperaturas extremas e pragas como pulgões podem reduzir em até 25% a produtividade das lavouras a céu aberto, segundo a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

Em Itápolis, aproximadamente 80% das estufas destinadas ao pimentão se concentram em 10 hectares.

Essas estruturas permitem controlar temperatura, umidade e ventilação, o que, segundo técnicos da CATI, contribui para estender o ciclo de colheita de 5 para até 9 meses.

Em condições protegidas, talhões chegam a atingir 150 toneladas por hectare, volume superior ao obtido em campo aberto.

Cada planta produz, em média, uma caixa de 12 quilos por safra, resultado associado ao ambiente controlado e ao uso de híbridos mais vigorosos.

Na região que abrange as CATI Regionais de Jaboticabal, Araraquara e Catanduva, estudos técnicos apontam 110 hectares de estufas dedicadas a olerícolas, com o pimentão responsável por cerca de 80% desse total.

Fertirrigação por gotejamento e nutrição precisa

A fertirrigação por gotejamento constitui o principal componente tecnológico do sistema, distribuindo água e nutrientes diretamente às raízes.

A adubação é ajustada com base em análises semanais de solo e solução nutritiva.

Tanques de mistura automatizados distribuem nitrogênio, potássio e cálcio em doses controladas.

O produtor José Paulo Martins afirmou, em entrevista à CATI, que “o gotejamento evita excessos que lavam nutrientes e previne fungos como o míldio, que dizimam lavouras expostas”.

A técnica também reduz o consumo de água em cerca de 40% em comparação à irrigação por aspersão.

A precisão no manejo nutricional favorece o teor de sólidos solúveis, que chega a 7 graus brix, característica valorizada no varejo.

Dados de atacado apontaram elevação no preço médio das caixas de pimentão colorido em 2024, reflexo de maior demanda por produtos com maior uniformidade.

Sombreamento, ventilação e manejo do solo

Para estabilizar o ambiente interno durante o verão, as estufas utilizam telas de sombreamento, como o modelo Aluminet, que reduz a luminosidade em cerca de 30%.

A instalação contribui para manter a temperatura abaixo de 32 ºC, limite recomendado por agrônomos para evitar danos foliares e queda prematura de flores.

A ventilação natural por aberturas laterais e superiores ajuda a manter a umidade relativa em torno de 70%, condição considerada adequada para o florescimento e para reduzir o avanço de doenças fúngicas.

No solo, o uso de milheto como cobertura protege contra erosão, conserva umidade e suprime plantas daninhas.

Após cortes periódicos, a biomassa retorna ao sistema.

A aplicação anual de matéria orgânica, como composto de esterco bovino, melhora a estrutura do solo e sua capacidade de retenção hídrica, favorecendo ciclos produtivos de até 120 dias de colheita ativa.

Produção de pimentão em Itápolis cresce com estufas, fertirrigação e carrossel de colheita, aumentando produtividade e reduzindo perdas.
Produção de pimentão em Itápolis cresce com estufas, fertirrigação e carrossel de colheita, aumentando produtividade e reduzindo perdas.

Carrossel de colheita e redução de perdas

Na fase de colheita, a fazenda utiliza um sistema de carrossel com esteiras elevadas, que movimenta as linhas de plantas tutoradas a cerca de 1,5 metro de altura.

Essa configuração, segundo produtores locais, facilita o acesso aos frutos e diminui o esforço repetitivo, permitindo colher até 500 caixas por dia.

Os pimentões são retirados manualmente com cerca de 15 centímetros e coloração em torno de 90% de maturação.

Em entrevista ao portal AgroLink, Daniel Vicentin afirmou que “o carrossel gira as plantas para todos os lados, reduzindo fadiga e erros e garantindo calibres uniformes”.

O sistema contribui para reduzir as perdas pós-colheita para cerca de 5%, percentual inferior aos registrados em cultivos sem proteção, segundo técnicos que acompanham a região.

Produção de mudas, híbridos e controle biológico

O processo começa em casas de vegetação onde são produzidas mudas em bandejas de 200 células.

Sob sombreamento de cerca de 50%, as plantas germinam e atingem 15 centímetros de altura antes do transplante, cerca de 30 dias após a semeadura.

O solo é corrigido para pH próximo de 6,5, seguido de calagem e adubação de base.

Entre os híbridos utilizados, técnicos citam cultivares como Magnum F1, selecionadas por resistência a viroses.

O espaçamento de 40 por 60 centímetros resulta em cerca de 25 mil plantas por hectare.

A poda conduz as plantas a quatro hastes, enquanto o monitoramento contínuo de pragas utiliza armadilhas e inspeções semanais.

De acordo com agrônomos que atuam no município, o uso de controle biológico, como joaninhas para contenção de pulgões, reduz em aproximadamente 50% a aplicação de inseticidas.

Em 2024, estimativas do Instituto de Economia Agrícola (IEA) indicaram que a produção nas estufas de Itápolis alcançou 120 toneladas por hectare, acima da média estadual.

Investimentos, retorno econômico e expansão das estufas

A adoção das estufas demanda investimento inicial considerável, estimado por produtores em torno de R$ 50 mil nas primeiras estruturas, com retorno em aproximadamente dois anos.

As margens operacionais ficam em torno de 40%, com custo por caixa próximo de R$ 15, segundo cálculos dos produtores.

Video de YouTube

Em 2023, os municípios no entorno de Itápolis somaram 110 hectares de ambientes protegidos, sendo 88 hectares de pimentão, 16,5 de pepino e 5,5 de tomate.

Dados estaduais apontam que, em 2018, São Paulo produziu cerca de 113 mil toneladas de pimentão em 2.560 hectares.

Programas como a Produção Integrada do Pimentão (PIP) adotam monitoramento por aplicativos e modelos preditivos, reduzindo em torno de 30% o uso de defensivos, segundo relatórios técnicos.

Mercado, qualidade e pesquisas em andamento

O custo de implantação, próximo de R$ 120 por metro quadrado nas estufas mais completas, representa um dos principais entraves para expansão do modelo, de acordo com especialistas consultados por entidades locais.

Estudos de mercado indicam que o pimentão produzido em Itápolis atende nichos que demandam casca espessa, firmeza e vida de prateleira de até 15 dias.

Parcerias com centros de pesquisa, como a Embrapa Hortaliças, avaliam telas com proteção anti-UV e novos materiais de cobertura que podem elevar o rendimento em torno de 10%, segundo pesquisadores envolvidos nos testes.

Cooperativas da região também negociam contratos fixos com redes varejistas utilizando rastreabilidade por QR code, prática exigida por alguns compradores internacionais.

Com projeções que indicam maior frequência de eventos climáticos extremos nas próximas décadas, técnicos avaliam que estufas do tipo adotado em Itápolis tendem a ganhar espaço no cultivo de olerícolas; a discussão entre agricultores e especialistas é se esse modelo poderá ser ampliado de forma a aumentar o acesso ao pimentão colorido em centros urbanos de baixa renda?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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