Um agricultor nascido em 29 de julho de 1925 segue ativo na rotina da roça e chega dirigindo o próprio carro. O registro mostra uma manhã de conversa, café secando no terreiro e memórias de trabalho desde a juventude.
O encontro acontece em Itamogi, no Sul de Minas Gerais, num cenário típico de propriedade rural, com terreiro, barracão e lavoura. No vídeo que circula nas redes, o agricultor Manoel, conhecido como seu Neném, chega dirigindo e logo vira assunto pelo que faz questão de repetir, ele ainda vai para a roça todos os dias.
A data de nascimento aparece com clareza na conversa, 29 de julho de 1925, o que coloca o centenário em 29 de julho de 2025. Entre uma brincadeira e outra, ele mostra os dentes, conta que são naturais, e responde com frases curtas, sem rodeios, como quem já viveu o suficiente para não precisar florear nada.
O que chama atenção não é só o carro antigo ou a idade, mas o modo como ele se move pelo espaço com intimidade. Ele aponta o que construiu, comenta de cercas, de madeiramento, de muro, de caixa d’água, e fala do café como quem conhece o ponto só de olhar.
-
A vila brasileira única onde não tem asfalto, energia elétrica quase não chega, carro não entra e a luz da Lua vira atração entre dunas e ruas de areia, chamando a atenção de mais 1,5 milhão de turistas por ano
-
Em pleno interior paulista, uma cidade que já foi lar de dinossauros chama a atenção do mundo: o “Jurassic Park” com mais de mil pegadas de dinossauro fossilizadas de 135 milhões de anos é algo realmente fascinante
-
A CIA construiu em segredo o Glomar Explorer, o maior navio de mineração do mundo, usou o bilionário Howard Hughes como fachada e tentou levantar do fundo do Pacífico, a quase 5.000 metros de profundidade, um submarino nuclear soviético de 1.700 toneladas em uma das operações mais audaciosas da Guerra Fria
-
Quanto custa construir uma casa de 100 m² em 2026
A entrevista avança como uma visita de vizinhança, com netos por perto, cana cortada na hora e perguntas simples. No meio desse cotidiano, surge uma história de trabalho e família que funciona como retrato de uma geração inteira do interior mineiro.
Itamogi e a roça onde o café ainda dá o ritmo do dia
Itamogi é um município do Sul de Minas Gerais, região em que a agricultura é base econômica e a produção de café aparece como destaque em informações institucionais locais.
O cenário do vídeo combina com esse contexto, café no terreiro, conversa sobre secagem e o jeito antigo de avaliar o ponto do grão. Para quem vive em região cafeeira, esse detalhe não é folclore, é técnica passada no olho e na mão.
O próprio Sebrae já descreveu o Sudoeste de Minas como uma área relevante na cafeicultura do estado, listando municípios que incluem Itamogi e Monte Santo de Minas, vizinhos na mesma dinâmica produtiva.
Um século de trabalho, perdas, memória e a casa que enchia aos domingos
Em vários trechos, seu Neném volta ao assunto do trabalho, como se isso fosse parte da identidade, não uma fase. Ele lembra de atividades no campo, fala de leite, queijo e de períodos em que a casa vivia cheia, especialmente aos domingos.
A família aparece como eixo da narrativa, ele menciona nove filhos, diz que estão vivos e comenta a união como resultado de criação. O neto reforça a ideia de legado, descrevendo o avô como escola e esteio, alguém que ensinou a vida prática no dia a dia.
Há também a parte dura, dita sem dramatização, quando ele fala que, depois da morte da esposa, “perdeu o sentido” e que “Deus que sabe”. A frase é curta, mas muda o tom e ajuda a entender por que a roça também pode ser rotina e refúgio.
Quando ele aponta construções antigas e ferramentas feitas por ele mesmo, a história deixa de ser só sobre longevidade. Vira sobre permanência, aquilo que fica de pé por décadas, como o curral citado com 70 anos e a madeira que ele diz ainda estar firme.
E no meio disso tudo, surge a máxima que ele oferece como “receita” para chegar longe, falar a verdade e guardar segredo. Funciona como piada e como filosofia, porque resume disciplina, convivência e autocontrole em poucas palavras.
Dirigir aos 100 anos, autonomia e as regras que mudam com a idade
A imagem do centenário dirigindo reacende uma discussão inevitável, até que ponto a direção representa autonomia e quando passa a ser um risco que exige mais vigilância. No Brasil, as regras de validade da CNH mudam com a idade, e motoristas com 70 anos ou mais entram no intervalo mais curto, com renovação em três anos, além de exigências médicas pertinentes.
Também há medidas recentes sobre renovação automática para “bom condutor” que não se aplicam a quem tem 70 anos ou mais, justamente por esse cuidado adicional.
O Brasil com mais centenários e o que a estatística não mostra
O caso de seu Neném ganha atenção num momento em que o número de centenários no país aumentou. Dados do Censo 2022 trabalhados pelo IBGE apontam 37.814 pessoas com 100 anos ou mais, e o crescimento em relação a 2010 é expressivo.
A estatística, porém, não explica o cotidiano. Não diz quem acorda cedo, quem ainda trabalha, quem tem rede de apoio, quem vive no campo ou na cidade, nem o que a pessoa perdeu pelo caminho.
No vídeo, o que aparece é um conjunto de fatores que costuma sustentar a velhice ativa, rotina, propósito, vínculo familiar, e uma identidade construída no fazer. Mesmo quando ele diz que esquece algumas coisas, fica claro que mantém lucidez para o que importa no dia a dia.
A parte mais interessante talvez seja essa, a velhice não como pausa obrigatória, mas como negociação constante entre limites do corpo, desejos e cuidados. É aí que entra a família, que celebra, mas também observa, orienta e precisa decidir quando intervir.
O legado de seu Neném e a pergunta que fica para o interior do Brasil
Quando ele ensina como “banar” o café e fala do ponto do grão, o que está em jogo é mais do que técnica. É a transmissão de um conhecimento que não está no manual, mas na prática repetida por décadas, do mesmo jeito que a roça ensina a hora de plantar, colher e esperar.
O neto descreve isso como herança, o avô ensinou ao pai, que ensinou aos filhos, e assim por diante. É uma cadeia silenciosa, que sustenta famílias no interior e dá sentido ao trabalho mesmo quando o mundo muda.
A história de seu Neném, portanto, não é só a de um homem de 100 anos dirigindo um Fusca. É a de um modo de vida que insiste em permanecer, e que, por isso mesmo, nos obriga a discutir o que é cuidado e o que é controle.
Você acha que dirigir na velhice é um direito que precisa ser preservado ao máximo ou um risco que a família deve cortar antes de acontecer algo grave? Na sua opinião, qual é o limite entre proteger e tirar a autonomia de alguém que ainda se sente capaz? Deixe seu comentário e diga como essa decisão deveria ser tomada dentro de casa.

Eu falo por mim, ja diriji muito nesta vida a trabalho pela empresa quê trabalhei por quase 40 anos.
Cansei de dirigir hoje não gosto mais de
Diriger.
Tenho 65 anos ainda trabalho, sou mestre de obras, vou pr trabalho enfrento o trânsito caótico da minha cidade tudo de moto mais carro,não gosto mais de dirigir.
Seu Neném (Manoel de Souza) é meu tio, irmão mais velho do meu pai João de Souza( in memorian)… o Tio Nenêm é um exemplo de fortaleza, homem íntegro.. excelente agricultor e maravilhoso pai de familia. Me orgulho dele!!
Em 1° lugar, Deus abençoe seu neném, pela longevidade, se ele é lúcido e tem discernimento para dirigir na área rural , qual problema?, porém tem que ser acompanhado e avaliado pela família e analisar qual seu limite de risco com a sua dirigibilidade.