Projeto bilionário da Arauco promete transformar Inocência com nova fábrica de celulose, grande geração de energia renovável e milhares de empregos diretos e indiretos, alterando a dinâmica econômica e urbana do leste de Mato Grosso do Sul.
Uma cidade de pouco mais de 8 mil habitantes no leste de Mato Grosso do Sul se prepara para receber um dos maiores investimentos do setor de celulose no país.
Inocência será sede do Projeto Sucuriú, da chilena Arauco, complexo industrial orçado em US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) e anunciado pela companhia como a maior fábrica de celulose do mundo construída em etapa única, com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas por ano e operação prevista até o fim de 2027.
Megaempreendimento da Arauco em Inocência
O empreendimento é o maior investimento já detalhado pela Arauco e marca a entrada da empresa no segmento fabril de celulose no Brasil.
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A planta foi projetada para integrar, em um único complexo, produção industrial, base florestal e geração de energia renovável.
A pedra fundamental foi lançada em 9 de abril de 2025, marco que iniciou oficialmente a fase de implantação.

O cronograma divulgado pela empresa indica a primeira linha de produção para o último trimestre de 2027, enquanto seguem obras civis, montagem eletromecânica e preparação de utilidades que darão suporte aos equipamentos de processo.
O projeto prevê linhas contínuas de cozimento, branqueamento, secagem e expedição.
A automação e os sistemas digitais de controle foram incluídos para ampliar a rastreabilidade e a eficiência operacional, segundo informações técnicas fornecidas pela companhia.
Produção de celulose e geração de energia renovável
Além da produção de fibra curta de eucalipto, o Sucuriú foi estruturado para atuar como um gerador de energia renovável.
Dados da Arauco apontam capacidade superior a 400 megawatts (MW), utilizando biomassa e subprodutos do processo industrial, como o licor negro.
Desse total, cerca de 200 MW devem ser consumidos internamente, e o excedente — próximo de 220 MW — será transferido ao Sistema Interligado Nacional, quantidade suficiente para suprir uma cidade de mais de 800 mil habitantes.
Especialistas do segmento florestal e de energia afirmam que esse modelo é característico das grandes plantas de celulose instaladas no país, que utilizam resíduos industriais como fonte de energia renovável.
Tecnologia da Valmet e estrutura industrial
Para atender à escala prevista, a Arauco contratou a finlandesa Valmet como fornecedora dos principais processos industriais, automação e válvulas.
A companhia será responsável pela gaseificação de biomassa para o forno de cal, pela caldeira de biomassa e pela caldeira de recuperação química, apontada pela empresa como a maior do mundo no setor.
Esses equipamentos fazem parte do desenho operacional que busca ampliar a eficiência energética e diminuir emissões.
A empresa também declarou que o projeto incorpora reuso de água e redução de resíduos destinados a aterros, seguindo parâmetros de sustentabilidade aplicados nas operações globais da Arauco.

O CEO global, Cristián Infante, afirmou publicamente que a companhia trabalha com um recurso renovável e busca gerar valor econômico, social e ambiental.
Já o presidente da operação brasileira, Carlos Altimiras, ressaltou que a dimensão do projeto exige articulação com o poder público e com a população local.
Empregos e efeitos econômicos na região
As estimativas de mão de obra indicam forte impacto regional.
No pico das obras, a empresa projeta até 14 mil empregos diretos no canteiro, incluindo atividades de construção, montagem e logística.
Com a operação estabilizada, a previsão é de cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos em áreas industriais, florestais e de transporte.
Esse movimento tende a elevar a demanda por moradia, alimentação, comércio e serviços.
Para evitar sobrecarga na infraestrutura urbana, a empresa afirma que mantém programas de qualificação profissional e soluções de alojamento para trabalhadores da obra.
A arrecadação municipal também deve ser influenciada pela atividade econômica adicional.
Gestores estaduais e municipais vêm alinhando medidas de licenciamento, mobilidade e serviços essenciais para acompanhar o avanço do projeto, segundo informações divulgadas por órgãos públicos envolvidos.
Base florestal e papel do “Vale da Celulose”
A fábrica será abastecida por uma base florestal estimada em cerca de 400 mil hectares de eucalipto, já contratados e em expansão.
Na região de Inocência, o ciclo médio até o corte gira em torno de sete anos, prazo menor que o observado em áreas tradicionais da empresa no Chile, onde o intervalo varia de 10 a 12 anos.
Técnicos do setor apontam que o ciclo menor contribui para maior competitividade no custo da madeira.
A localização do município também está inserida no chamado “Vale da Celulose”, corredor industrial que reúne grandes plantas do setor no estado e concentra infraestrutura e fornecedores especializados.
Órgãos estaduais descrevem essa região como estratégica para o desenvolvimento industrial associado à base florestal.
Inocência e o início de um novo ciclo econômico
O município surgiu a partir do loteamento da antiga Fazenda Bocaina, em 1947, e foi elevado a cidade pela Lei nº 1.129, de 17 de novembro de 1958.
O Censo 2022 registra 8.404 habitantes e área de 5.761,19 km².
A sede municipal fica a pouco mais de 330 km de Campo Grande, número que pode variar conforme a rota utilizada.
A economia local se apoia tradicionalmente em pecuária e agropecuária, mas passa por uma fase de transição com a ampliação das áreas de eucalipto destinadas à produção de celulose.
Especialistas em desenvolvimento regional observam que esse tipo de investimento costuma alterar o perfil de qualificação profissional e abrir novas frentes de serviços associados.
Com obras em andamento e um ciclo de expansão econômica em curso, quais serão os critérios adotados pelo município para administrar crescimento populacional, demandas urbanas e preservação ambiental nos próximos anos?
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