Garimpo em rejeitos, disputa armada e impactos sociais movimentam Serra Pelada em meio à busca por ouro remanescente.
Em crateras tomadas por lama e restos de mineração no sul do Pará, centenas de catadores vasculham diariamente rejeitos deixados pela Vale em busca de pequenas partículas de ouro.
A extração é feita com pás, baldes e peneiras, sem proteção contra a contaminação por mercúrio que atinge solo, água e ar.
O risco é elevado, mas o potencial de ganho também: em períodos de maior valorização do metal, um trabalhador pode receber até R$ 2.500 por dia, valor superior ao salário mínimo mensal da região.
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Em paralelo aos ganhos, dados de 2025 apontam 14 mortes em conflitos armados ligados ao controle das áreas de garimpo em Curionópolis, município que concentra o chamado “novo Serra Pelada”.
Garimpo em rejeitos e avanço da violência
O ressurgimento do garimpo em Serra Pelada ganhou fôlego a partir de 2024, estimulado pelo ouro acima de US$ 2.500 por onça e pelo desemprego elevado na região de Carajás, onde cidades como Curionópolis registraram taxa de desocupação próxima de 15%.
Em vez de novas frentes oficiais, a exploração se deslocou para os rejeitos acumulados nos antigos depósitos de mineração.
Relatórios do Instituto Brasileiro de Mineração identificam mais de 20 pontos ativos de extração ilegal nos resíduos da antiga mina, com grupos processando até 50 toneladas de material por semana.
O ouro recuperado segue, em grande parte, para esquemas clandestinos que abastecem o mercado externo, conforme investigações policiais e dados da Receita Federal.
A repressão não tem sido capaz de desarticular completamente a atividade.
Em abril de 2024, uma operação da Polícia Federal desativou cinco frentes de garimpo ilegal em Curionópolis, destruindo equipamentos estimados em R$ 5 milhões.
Mesmo assim, as escavações continuaram em pontos mais isolados.
Segundo autoridades de segurança pública, parte desses locais é atualmente disputada por grupos organizados que atuam na região.
Onde fica Serra Pelada e como o garimpo redesenha o território

O distrito de Serra Pelada integra Curionópolis, no sudeste do Pará, a cerca de 130 quilômetros de Marabá, na área da Serra dos Carajás, uma das maiores reservas minerais do país.
Antes da corrida do ouro, a economia dependia de agricultura de subsistência, pecuária extensiva e pesca em comunidades ao longo do rio Tocantins.
A descoberta de ouro, em 1979, atraiu cerca de 90 mil garimpeiros e resultou em 42 toneladas de ouro oficialmente registradas.
O processo deixou como herança um lago de aproximadamente 100 hectares formado por rejeitos.
Hoje, estimativas de empresas do setor apontam que os rejeitos podem conter cerca de 50 toneladas de ouro remanescente, com base em sondagens antigas. Esse potencial contribui para explicar a retomada da atividade.
Em 2025, o Ministério Público Federal contabilizou 14 mortes em Curionópolis atribuídas a disputas por áreas de rejeitos.
Segundo relatórios de segurança pública, facções presentes em municípios amazônicos têm atuado nesses pontos.
Rotas vindas do Tocantins e do Maranhão são usadas por grupos armados para acessar a região, de acordo com investigações policiais.
As exportações ilegais de ouro originado no Pará somaram bilhões de reais em 2024, com crescimento em relação a 2023.
A área tornou-se uma das mais monitoradas por órgãos ambientais e de segurança devido ao avanço do garimpo e ao aumento dos conflitos no campo.
Rotina dos catadores: lama, calor e tiroteios
A rotina dos catadores começa cedo, nos barracos de lona que cercam a cava principal.
Em estruturas improvisadas, famílias preparam alimentos antes de descer à cratera, que chega a 10 metros de profundidade em alguns trechos.
Ali, trabalhadores entram em poças de lama misturadas a rejeitos e resíduos de mercúrio, usando baldes, pás e peneiras.
Os turnos atingem 12 horas sob calor acima de 35 graus e umidade próxima de 90%.
Cada grupo movimenta entre 2 e 5 toneladas de material por dia.

Em períodos de valorização — como os cerca de US$ 2.700 por onça registrados em 2025 — catadores relatam extrair até 10 gramas por jornada, vendidas a cerca de R$ 500 por grama.
Em dias produtivos, a renda coletiva pode chegar a R$ 10 mil, com ganhos individuais de R$ 2.000 a R$ 2.500.
Confrontos armados interrompem o trabalho com frequência. Moradores afirmam que tiroteios semanais ocorrem em áreas disputadas.
Em um desses episódios, duas pessoas morreram em 2025, segundo a Polícia Civil. Chuvas intensas entre novembro e março alagam barracos e arrastam resíduos para o rio Itacaiúnas.
Durante a estiagem, a lama compacta e levanta poeira com partículas tóxicas, conforme técnicos ambientais.
Trabalhadores veteranos e contaminação por mercúrio
Entre os trabalhadores mais antigos está Francisco Osório, o Chico, de 71 anos, que lidera um grupo de cerca de 20 catadores.
Ele atuou no garimpo original nos anos 1980 e relata que encontrou centenas de quilos de ouro naquele período.
“A fome pelo ouro não acabou”, afirmou em entrevista concedida em 2025. Segundo ele, dois tiroteios foram registrados no acampamento neste ano, um com a morte de um trabalhador.
Exames realizados por equipes de saúde apontaram níveis elevados de mercúrio em parte dos trabalhadores avaliados.
Profissionais relatam sintomas como tremores, fadiga crônica e dificuldade de concentração, principalmente entre idosos.
Jovens fora da escola e dentro da cava
A retomada do garimpo influencia diretamente a permanência escolar. Em Curionópolis, a evasão no ensino básico chegou a cerca de 35% em 2025, segundo dados estaduais.
A possibilidade de renda imediata leva jovens de 14 a 20 anos a integrar grupos familiares.
Em algumas famílias, um mês de trabalho nos rejeitos cobre despesas anuais, o que intensifica o abandono escolar.
O deslocamento até Marabá, que pode chegar a 50 quilômetros, também dificulta a continuidade dos estudos.
Relatórios da Secretaria de Educação citam escassez de professores, salas superlotadas e infraestrutura insuficiente.
Em áreas de pobreza extrema, adolescentes representam cerca de um quarto da renda familiar.

Estudos acadêmicos mostram que distritos mineradores como Serra Pelada têm menor taxa de conclusão do ensino médio.
Líderes comunitários relatam contaminação de peixes consumidos localmente, associada ao mercúrio, com sintomas neurológicos em crianças.
Técnicas manuais e uso de mercúrio na extração
A extração em Serra Pelada ocorre com métodos rudimentares. Pás, enxadas, baldes e bombas improvisadas substituem maquinário industrial.
Em vários pontos, o mercúrio ainda é utilizado para formar amálgamas, posteriormente aquecidas em fogueiras ou recipientes adaptados.
A prática contraria diretrizes da Convenção de Minamata, que restringe o uso do mercúrio na mineração artesanal.
Operações ambientais estimam que cada grupo possa despejar dezenas de quilos de mercúrio por mês no ambiente.
Um kit básico — com pás, baldes, peneiras e bombas — custa cerca de R$ 500, geralmente financiado por intermediários.
Áreas de preservação próximas, como a Floresta Nacional de Carajás, registram pontos de extração sobrepostos a zonas protegidas.
Órgãos ambientais mencionam dificuldades de fiscalização devido à extensão territorial e equipes reduzidas.
Dinheiro rápido e permanência na precariedade
Mesmo com ganhos elevados em dias produtivos, a infraestrutura local permanece precária.
Parte significativa da renda é usada para combustível, ferramentas, alimentação e medicamentos.
Em jornadas raras, um trabalhador consegue guardar cerca de R$ 1.000 líquidos.
Os barracos seguem como estruturas de lona e madeira, expostas a chuvas e confrontos armados.
Programas de reassentamento construíram algumas casas de madeira, mas muitas famílias permanecem próximas à cava. A circulação do dinheiro movimenta o comércio informal local.
Ao mesmo tempo, custos médicos ligados à intoxicação por mercúrio e acidentes reduzem parte da renda, segundo profissionais de saúde.
Em 2025, a Polícia Federal desmontou uma rede de tráfico de mercúrio que abastecia garimpos da região.
A Rota Turística Novo Ouro de Serra Pelada, lançada com apoio do Sebrae/PA, busca apresentar a história e atividades culturais locais.
Enquanto isso, operações policiais e relatos de violência continuam sendo registrados nos acampamentos.
Catadores trabalham entre barracos de lona, poças de lama e resíduos da antiga mineração.
Quando você observa a permanência de jovens e adultos em áreas marcadas por conflitos, qual deverá ser o impacto de longo prazo dessa nova corrida por rejeitos em Serra Pelada?
É triste ler uma noticia dessas e pensar que foram investidos milhões de reais para realizar um evento que não vai beneficiar nem mudar a vida de ninguém numa região que precisa tanto de mudança. Com isso vemos que quanto mais pobre o ESTADO te deixar mais fácil será te controlar.
Ilegal é o país ter DONO e o dono ser o ESTADO, formado por POLITICOS e FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, que nem trabalho degradante, em condições que nenhum dos DONOS do país suportaria eles permitem que as pessoas trabalhem.
O ESTADO é o maior CÂNCER do país, fazendo de TUDO para atrapalhar de todas as formas os Brasileiros de bem.
Sob o pretexto ridículo de meio ambiente, direitos humanos, etc, tem a CORAGEM de chamar TRABALHO de GARIMPO ILEGAL.
Ilegal é tudo aquilo que não beneficia o ESTADO.
Concordo plenamente… Esses **** que estão no congresso nacional, senado federal e presidência da república… Esses são ilegais… Pois foram eleitos pra defender a vontade do povo brasileiro… E só defendem interesses do próprio bolso 🤮🤮🤮🤮
Perdi 10 anos dentro de garimpos pura ilusão
E vc morou, comeu, viveu, trabalhou onde nestes 10 anos? Não foi no garimpo? Se vc tivesse outro trabalho não iria para lá.