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Com autorização do Paraguai, Brasil avança para transformar o Lago de Itaipu, com produção de tilápia em larga escala, em um dos maiores polos mundiais da aquicultura e do agronegócio

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado el 12/12/2025 a las 14:27
Produção de tilápia no Lago de Itaipu após autorização do Paraguai e avanço do Brasil na aquicultura.
Brasil avança na aquicultura após Paraguai autorizar produção de tilápia no Lago de Itaipu, abrindo acordo binacional e novo polo global.
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Decisão histórica do Senado paraguaio destrava acordo binacional, projeta integração produtiva e pode colocar a região entre os cinco maiores exportadores globais de pescado

Após décadas de espera, a mudança na legislação paraguaia que autoriza a produção de tilápia no Lago de Itaipu finalmente se tornou realidade. A aprovação ocorreu nesta quarta-feira, 10 de dezembro, durante sessão extraordinária do Senado do Paraguai, encerrando um impasse histórico que limitava o aproveitamento econômico do reservatório compartilhado com o Brasil. A decisão é vista como um marco para a aquicultura sul-americana e para a integração produtiva entre os dois países.

A informação foi divulgada por canais especializados do setor aquícola e confirmada em eventos técnicos internacionais, como o IFC Brasil, que há anos acompanha o debate sobre a liberação da piscicultura em grandes lagos artificiais. Com a autorização aprovada pelo Parlamento paraguaio, abre-se caminho para a formalização de um acordo binacional entre Brasil e Paraguai, permitindo a produção de tilápia em larga escala em um dos maiores reservatórios do planeta.

Além disso, dados técnicos da ANA (Agência Nacional das Águas) indicam que o Lago de Itaipu possui capacidade produtiva estimada em até 400 mil toneladas de pescado, número que coloca o reservatório em posição estratégica no cenário global da aquicultura. Até então, esse potencial permanecia subutilizado no lado paraguaio devido a entraves legais que agora foram superados.

Expectativa anunciada no IFC Brasil se confirma e fortalece integração regional

Antes mesmo da aprovação oficial, a expectativa já vinha sendo sinalizada publicamente. Durante a sétima edição do IFC Brasil, realizada em 2 de setembro, o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, antecipou que a liberação da produção de tilápias no lago estava próxima de se concretizar. Na ocasião, a declaração gerou forte repercussão entre produtores, investidores e representantes de governos locais.

Poucos meses depois, a confirmação veio com a votação no Senado do Paraguai. A partir de agora, o processo avança para a construção de um modelo produtivo integrado, respeitando critérios ambientais, técnicos e econômicos. Segundo Enio Verri, a decisão representa uma oportunidade inédita de desenvolvimento regional, especialmente ao considerar que o Lago de Itaipu possui cerca de 170 quilômetros de extensão, o que amplia significativamente a escala produtiva possível.

Estudos binacionais apontam que, com a regulamentação adequada, o Paraguai poderá se tornar um dos cinco maiores exportadores mundiais de tilápia, impulsionando investimentos, atraindo novas tecnologias, estimulando a industrialização local e ampliando a geração de empregos diretos e indiretos. Dessa forma, o impacto vai além da produção primária, alcançando toda a cadeia do pescado.

Trabalho de décadas culmina em marco histórico para a aquicultura

Para Altemir Gregolin, presidente do IFC Brasil e ex-ministro da Pesca, a aprovação da mudança legislativa no Paraguai representa a consolidação de um trabalho iniciado há décadas. Segundo ele, a decisão coroa um esforço histórico para transformar Itaipu em referência internacional em aquicultura sustentável.

Gregolin relembra que, em 20 de março de 2008, quando ocupava o cargo de Ministro da Pesca, foi concedida a primeira Cessão de Águas da União da história do Brasil no reservatório de Itaipu. Esse marco resultou posteriormente em um projeto de lei que instituiu o Dia Nacional da Aquicultura, reforçando a importância estratégica do setor. Desde então, a liberação do lado paraguaio era aguardada como passo decisivo.

Com a nova decisão, segundo o ex-ministro, Itaipu tem potencial para se transformar em um dos maiores polos de produção de tilápia do Brasil e da América do Sul, fortalecendo o protagonismo regional no mercado global de pescado e consolidando a aquicultura como atividade central da chamada Economia Azul.

Cooperação Brasil–Paraguai pode criar um dos maiores polos globais de tilápia

A aprovação também foi celebrada por lideranças que acompanham o tema desde as primeiras edições do IFC Brasil. Eliana Panty, diretora do evento, destacou que desde 2019 o setor vinha provocando debates sobre modelos de produção em lagos artificiais de grande escala, e que a decisão do Senado paraguaio representa um avanço concreto a ser comemorado.

O tema foi aprofundado no painel “Políticas Públicas para o Desenvolvimento da Aquicultura”, realizado em 4 de setembro, com participação de autoridades dos dois países. A deputada María Rocío Abed de Zacarias, autora da proposta de mudança na legislação no Congresso do Paraguai, afirmou que a decisão representa “um passo concreto para a integração binacional”, permitindo o compartilhamento de conhecimento técnico, investimentos e acesso a novos mercados internacionais.

Na mesma linha, Carlos Carboni, diretor de Coordenação da Itaipu Binacional, ressaltou que a nova legislação paraguaia, somada à estrutura já existente no lado brasileiro, cria as condições ideais para a instalação de um polo de produção sustentável, competitivo e integrado. Segundo ele, Itaipu reforça sua vocação como plataforma de desenvolvimento regional, indo além da geração de energia e alcançando diretamente a criação de empregos, renda e inclusão produtiva.

Com a regulamentação aprovada e o acordo binacional em andamento, o Lago de Itaipu passa a ser visto como um dos maiores polos de produção de tilápia do mundo, inaugurando um novo ciclo de oportunidades econômicas, sustentabilidade e integração regional entre Brasil e Paraguai.

Na sua opinião, o Lago de Itaipu tem potencial para se tornar um dos maiores polos mundiais de produção de pescado?

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Aguinaldo Brandão
Aguinaldo Brandão
16/12/2025 16:35

SERÁ QUE O GOVERNO ENTREGARA NA MÃO DOS BATISTAS?

Edson Martins
Edson Martins
14/12/2025 22:00

Essas tilapias serão criadas presas em tanque redes, para evitar fuga, maior controle Sanitário, economia de ração, facilidade de manejo. Brasil já tem grandes produtores, e vai impulsionar ainda mais, o que falta é tornar o pescado mais barato pois hoje chega a custar mais que carne de ****. Por isso importação da Friboi do Vietna tem causado discussão, talvez force a abaixarem preços ao consumidores

ENAX
ENAX
14/12/2025 00:17

Acredito que tenha havido um estudo de impacto ambiental mesmo porque a água do lago, após a geração de energia, continua servindo a diversas comunidades e não pode estar poluída com ração de peixe ou outros produtos químicos…

Fuente
Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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