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Com cerca de 120 metros de extensão e mais de 7 mil anos de idade, arqueólogos descobrem uma parede submersa que revela uma das estruturas pré-históricas mais antigas já encontradas no fundo do mar

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado el 17/12/2025 a las 10:30
Com cerca de 120 metros de extensão e mais de 7 mil anos de idade, arqueólogos descobrem uma parede submersa que revela uma das estruturas pré-históricas mais antigas já encontradas no fundo do mar
Crédito: Divulgação/SAMM
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Parede submersa com 120 metros e mais de 7 mil anos é descoberta na costa da França e revela como sociedades pré-históricas ocupavam áreas hoje cobertas pelo mar.

Uma descoberta subaquática de grande impacto científico está ajudando a reescrever capítulos importantes da pré-história europeia. Arqueólogos identificaram uma parede submersa com cerca de 120 metros de comprimento, construída há mais de 7 mil anos, atualmente localizada ao largo da costa ocidental da França. O achado, considerado excepcional pelo grau de preservação, foi revelado em reportagem do portal Aventuras na História e detalhado em estudo publicado no International Journal of Nautical Archaeology.

A estrutura foi localizada nas proximidades da Île de Sein, na região da Bretanha, uma área hoje totalmente submersa, mas que no passado fazia parte de uma extensa zona costeira habitável.

Onde fica a parede submersa e como ela foi descoberta

A primeira pista da existência dessas construções surgiu ainda em 2017, quando o geólogo aposentado Yves Fouquet analisava mapas do fundo marinho obtidos por tecnologia de varredura a laser. Os dados revelavam alinhamentos geométricos incomuns, incompatíveis com formações naturais.

Entre 2022 e 2024, equipes de mergulhadores especializados em arqueologia subaquática realizaram inspeções diretas no local, confirmando a presença de paredes e estruturas de granito a cerca de nove metros de profundidade. Segundo Fouquet, o que mais surpreendeu os pesquisadores foi o estado de conservação: “não esperávamos encontrar estruturas tão bem preservadas”, afirmou em entrevista à AFP.

Uma construção erguida quando o mar era mais baixo

De acordo com os pesquisadores, as estruturas foram construídas entre 5.800 e 5.300 a.C., período em que o nível do mar era significativamente inferior ao atual. Isso significa que, quando a parede foi erguida, a área não estava submersa, mas integrava o território ocupado por comunidades humanas do período Neolítico.

A pesquisa sugere que o avanço gradual das águas ao longo do Holoceno acabou engolindo essas construções, preservando-as sob camadas de sedimentos marinhos.

Para que servia a parede de 120 metros

Os arqueólogos trabalham com duas hipóteses principais sobre a função da estrutura. A primeira indica que a parede pode ter sido utilizada como armadilha de pesca, aproveitando o movimento das marés para capturar peixes em áreas rasas. A segunda hipótese aponta para um possível muro de contenção, construído como tentativa de proteção contra a elevação progressiva do nível do mar.

Em ambos os casos, a obra revela um alto grau de conhecimento ambiental e uma capacidade notável de adaptação às mudanças naturais.

Habilidade técnica comparável a monumentos megalíticos

Um dos aspectos mais impressionantes da descoberta é a capacidade técnica das comunidades neolíticas responsáveis pela construção. Os dados indicam que esses grupos conseguiam extrair, transportar e posicionar blocos de granito com várias toneladas, exigindo coordenação, planejamento e divisão de trabalho.

Segundo os pesquisadores, essa habilidade é comparável àquela empregada séculos depois na construção de monumentos megalíticos da Bretanha, como alinhamentos de pedras e estruturas monumentais que marcaram a paisagem europeia pré-histórica.

O estudo aponta ainda que essas técnicas precedem em vários séculos as primeiras construções megalíticas oficialmente conhecidas na região, sugerindo que formas complexas de organização social já existiam muito antes do que se imaginava.

O que a descoberta muda na arqueologia europeia

Para o professor Yvan Pailler, da Universidade da Bretanha Ocidental e coautor do estudo, o achado representa um divisor de águas. “Esta é uma descoberta muito interessante que abre novas perspectivas, ajudando-nos a compreender melhor como as sociedades costeiras se organizavam”, afirmou à AFP.

A descoberta reforça uma linha crescente de pesquisas que apontam que vastas áreas hoje submersas podem esconder sítios arqueológicos fundamentais, capazes de revelar como populações pré-históricas lidaram com mudanças climáticas, avanço do mar e reorganização territorial.

Um capítulo da história humana escondido sob o oceano

A parede submersa da costa francesa não é apenas uma curiosidade arqueológica. Ela representa uma evidência concreta de que o fundo do mar guarda capítulos inteiros da história humana, apagados da paisagem terrestre pelo avanço das águas, mas preservados pelo tempo.

À medida que tecnologias de mapeamento e mergulho avançam, os pesquisadores acreditam que novas descobertas semelhantes podem emergir, revelando como sociedades antigas enfrentaram desafios ambientais que, milhares de anos depois, voltam a preocupar a humanidade moderna.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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