Alta histórica do investimento em ouro reflete tensões globais, juros mais baixos e corrida por ativos de proteção.
Em meio ao avanço das incertezas econômicas globais, o investimento em ouro voltou ao centro das atenções dos mercados internacionais.
O metal precioso ultrapassou, pela primeira vez na história, a marca de US$ 5 mil por onça troy, acumulando alta superior a 60% ao longo de 2025.
O movimento envolve investidores, bancos centrais e governos, impulsionado por tensões geopolíticas, expectativas de juros mais baixos e pela busca por um ativo de proteção em tempos turbulentos.
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A disparada ocorre em um contexto marcado por conflitos internacionais, mudanças na política comercial dos Estados Unidos e sinais de desaceleração econômica em diferentes regiões do mundo.
Como resultado, o ouro volta a cumprir um papel histórico: servir como reserva de valor em momentos de instabilidade.
Incertezas econômicas globais impulsionam os metais preciosos
As recentes tensões entre Estados Unidos e Otan, especialmente em torno da Groenlândia, aumentaram a percepção de risco nos mercados financeiros.
Ao mesmo tempo, declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre possíveis tarifas comerciais de até 100% contra o Canadá, caso o país firme acordos com a China, elevaram a aversão ao risco.
Nesse cenário, os metais preciosos, tradicionalmente associados à segurança, passaram a atrair fluxos expressivos de capital.
Além do ouro, a prata também atingiu um marco histórico, chegando a US$ 100 por onça, acumulando ganhos relevantes após já ter avançado quase 150% no ano anterior.
Investimento em ouro cresce com expectativa de queda dos juros
Outro fator decisivo para a valorização do investimento em ouro é a expectativa de redução das taxas de juros nos Estados Unidos.
Grande parte do mercado projeta que o Federal Reserve promova ao menos duas reduções na taxa básica em 2026.
Segundo o estrategista de pesquisa Ahmad Assiri, da corretora australiana Pepperstone, existe uma relação direta entre juros mais baixos e a valorização do ouro.
“A relação é inversa porque o custo de oportunidade de manter o dinheiro em um título do governo, na verdade, não vale mais a pena. Por isso, as pessoas vão para o ouro”, explica.
Com retornos menores em títulos públicos, investidores tendem a buscar alternativas que preservem valor, reforçando o papel do ouro como ativo de proteção.
Conflitos geopolíticos reforçam a busca por proteção
Além das tensões comerciais, conflitos armados também contribuem para a escalada do metal.
As guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, somadas à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por Washington, aumentaram a percepção de instabilidade global.
Segundo o historiador econômico Philip Fliers, da Universidade de Belfast, momentos de colapso nos mercados costumam gerar uma verdadeira “corrida do ouro”.
Governos e investidores individuais passam a adquirir grandes volumes do metal, buscando proteção contra choques financeiros.
Ouro bate recordes e lidera diversificação de investimentos
O desempenho do ouro em 2025 foi o melhor desde 1979.
A migração de recursos para os metais preciosos ocorreu em meio ao receio de que setores como o de inteligência artificial estejam sobrevalorizados e sujeitos a correções bruscas.
Para Susannah Streeter, estrategista-chefe do Wealth Club, o metal “parece não conhecer fronteiras” diante das atuais incertezas políticas.
“A corrida para o porto seguro dourado continua, com o preço do metal precioso subindo cada vez mais”, afirma.
Ativo de proteção, mas não livre de riscos
Apesar da fama de segurança, especialistas alertam que o ouro não está imune a oscilações. Nem todo investimento em ouro ocorre por meio da compra física do metal.
Muitos investidores optam por produtos financeiros, como ETFs lastreados em ouro.
“O ouro é um investimento ‘seguro’, mas isso não significa que ele não apresente riscos”, ressalta Fliers.
Ele lembra que, durante o início da pandemia de covid-19, o metal disparou, mas sofreu correções significativas meses depois.
Escassez e simbolismo sustentam o valor do ouro
Um dos principais pilares do ouro é sua escassez. Segundo o Conselho Mundial do Ouro, cerca de 216.265 toneladas já foram extraídas ao longo da história, volume suficiente para encher apenas três a quatro piscinas olímpicas.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que ainda existam aproximadamente 64 mil toneladas disponíveis para extração, com tendência de estabilização da oferta nos próximos anos.
Essa limitação sustenta o valor do metal no longo prazo.
Bancos centrais ampliam reservas e influenciam preços
As compras em grande escala feitas por bancos centrais também pressionam os preços.
Apenas no último ano, governos adicionaram centenas de toneladas de ouro às suas reservas.
Segundo Nikos Kavalis, da Metals Focus, há um “claro afastamento do dólar americano, o que beneficia imensamente o ouro”.
Ainda assim, especialistas alertam que mudanças positivas no cenário global podem provocar correções.
Diversificação de investimentos segue como principal estratégia
Para analistas, o ouro não deve ser visto como aposta de curto prazo, mas como parte de uma estratégia de diversificação de investimentos.
“Eu diria que o investimento em ouro é algo que se faz a longo prazo”, afirma Fliers.
Assim, além do aspecto financeiro, fatores culturais sustentam a demanda, especialmente em países como Índia e China, onde o metal está profundamente ligado a tradições, festivais e celebrações.
Diante de um cenário global incerto, o ouro reafirma seu papel histórico: não como garantia absoluta, mas como um importante ativo de proteção em tempos de volatilidade.
Veja mais em: Preço do ouro dispara: investir no metal é boa saída quando há turbulência na economia? – BBC News Brasil
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