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Com déficit de R$ 20,17 bilhões em novembro acima do previsto, governo frustra projeções do mercado, vê receitas caírem, despesas pressionarem contas e aposta em superávit em dezembro para cumprir meta fiscal de 2025

Escrito por Carla Teles
Publicado el 29/12/2025 a las 18:25
Actualizado el 29/12/2025 a las 18:35
Com déficit de R$ 20,17 bilhões em novembro acima do previsto, governo frustra projeções do mercado, vê receitas caírem, despesas pressionarem
Entenda o déficit fiscal do governo central, o resultado primário, as contas públicas e a meta fiscal de 2025 em foco no debate econômico.
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Com déficit de R$20,17 milhões acima do previsto, governo central vê receita cair, despesas subirem e aposta em superávit de dezembro para ainda entregar a meta fiscal de 2025.

Quando o Tesouro Nacional confirmou um déficit de R$20,17 milhões nas contas do governo central em novembro, o resultado veio pior do que o mercado esperava e acendeu um alerta imediato sobre a trajetória fiscal. Economistas projetavam um rombo bem menor para o mês, na casa de 13,5 bilhões de reais, e a frustração com o número reforçou a sensação de que o governo está caminhando no limite para fechar o ano dentro da meta.

Ao mesmo tempo, o governo insiste que o quadro não é de descontrole. A equipe econômica sustenta que, apesar do déficit de R$20,17 milhões em novembro, o último mês do ano deve registrar superávit robusto, apoiado principalmente em receitas de dividendos de estatais, o que permitiria encerrar 2025 com o resultado dentro da banda permitida da meta fiscal.

A mensagem oficial é clara: novembro foi uma fotografia ruim, mas o filme do ano ainda pode ter um desfecho positivo.

Novembro fecha no vermelho e frustra o mercado

O governo central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registrou em novembro um resultado primário negativo de 20,172 bilhões de reais, número que ficou bem acima das projeções dos analistas.

Na prática, isso significa que as receitas não foram suficientes para cobrir as despesas primárias do mês, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública.

Esse déficit de R$20,17 milhões, usado aqui como expressão de referência para o resultado de novembro, reforça a percepção de descompasso entre receitas e despesas em um momento em que o governo se comprometeu publicamente com a meta de déficit zero no ano.

Para o mercado, o recado é de que a folga fiscal é pequena e depende cada vez mais de entradas extraordinárias de receita.

Receita em queda, despesa em alta

Do lado da arrecadação, o Tesouro registrou receitas líquidas de cerca de 166,9 bilhões de reais em novembro, o que representa uma queda real próxima de 4,8 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Parte importante dessa piora veio das chamadas receitas não administradas pela Receita Federal, que recuaram mais de 50 por cento, enquanto as receitas administradas até cresceram, mas não o bastante para compensar o movimento.

Nas despesas, o quadro foi oposto. Os gastos totais chegaram a aproximadamente 187,1 bilhões de reais, com alta real de 4 por cento na comparação com novembro do ano passado.

Benefícios previdenciários avançaram quase 4 por cento, pressionados tanto pelo aumento do número de beneficiários quanto pelos reajustes no salário mínimo.

As despesas discricionárias do Executivo também subiram de forma relevante, com crescimento superior a 27 por cento e destaque para a área de saúde.

O resultado combinado foi um quadro clássico de aperto fiscal: receita encolhendo, despesa crescendo e mais um mês no vermelho.

Aposta em superávit de dezembro para salvar a meta

Mesmo com o impacto do déficit de R$20,17 milhões de novembro, a equipe econômica mostra confiança na capacidade de fechar o ano com saldo positivo em dezembro.

O secretário do Tesouro afirmou que os números internos apontam para um superávit primário em torno de 20 bilhões de reais no último mês do ano, o que compensaria o rombo de novembro e aproximaria o governo do centro da meta fiscal.

Uma parte dessa aposta está ancorada em receitas de dividendos das estatais, estimadas em cerca de 13 bilhões de reais apenas em dezembro.

A combinação de dividendos, outras receitas atípicas e alguma contenção de gastos na virada do ano é o que sustenta o discurso de que o episódio do déficit de R$20,17 milhões em novembro não compromete, por si só, o resultado final de 2025.

Na visão oficial, novembro é um ponto fora da curva em uma trajetória que ainda pode fechar no azul.

Como está a conta da meta fiscal de 2025

No acumulado do ano até novembro, o governo central apresenta um déficit primário de aproximadamente 83,8 bilhões de reais.

Na leitura ajustada, que desconsidera despesas como precatórios, o número cai para algo em torno de 40,4 bilhões. Em doze meses, o resultado ainda é negativo, perto de 57,4 bilhões de reais, o equivalente a algo como 0,47 por cento do PIB.

A meta fiscal para 2025 é de déficit zero, com uma banda de tolerância de 0,25 por cento do PIB, o que corresponde a cerca de 31 bilhões de reais.

Isso significa que, mesmo com o déficit de R$20,17 milhões em novembro, o governo ainda pode cumprir a meta se dezembro entregar o superávit esperado e se parte das despesas consideradas fora da meta seguir de fato excluída do cálculo oficial.

Na prática, a discussão não é apenas sobre o número nominal, mas sobre quais itens entram ou saem da conta final.

O que preocupa economistas e investidores

Para analistas, o principal ponto de atenção não é apenas o déficit de R$20,17 milhões em um mês específico, mas a tendência de depender de receitas extraordinárias para fechar as contas.

Dividendos de estatais, receitas não recorrentes e manobras contábeis ajudam a melhorar o resultado no curto prazo, porém não resolvem o desafio estrutural de equilibrar despesas permanentes com receitas igualmente permanentes.

Há também preocupação com o ritmo de crescimento das despesas obrigatórias, especialmente Previdência e gastos sociais, em um ambiente de atividade econômica moderada e resistência do Congresso a aumentos de carga tributária.

A leitura de boa parte do mercado é que a meta fiscal de 2025 pode ser tecnicamente cumprida, mas com pouquíssima margem de segurança, o que mantém o risco fiscal no radar de investidores e das agências de rating.

O que esse déficit sinaliza para os próximos meses

O episódio do déficit de R$20,17 milhões em novembro funciona como um lembrete do quão apertada é a margem de manobra do governo na política fiscal.

Se dezembro confirmar o superávit prometido e a meta for cumprida, o governo ganha fôlego político para defender sua estratégia econômica e argumentar que o plano está funcionando.

Se, por outro lado, o superávit vier menor que o esperado ou algum fator inesperado afetar a arrecadação, a combinação de resultado fraco com metas ambiciosas pode alimentar incerteza adicional em relação a juros, câmbio e credibilidade do arcabouço fiscal.

Entre técnicos e investidores, a mensagem é simples: um mês ruim não define o ano, mas mostra que não há espaço para erros em um ambiente tão sensível.

E você, acha que um mês com déficit de R$20,17 milhões é apenas um tropeço administrável ou um sinal de que a meta fiscal de 2025 está mais no discurso do que na prática?


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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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