Estudo do MME e da EPE indica que novos investimentos em refino devem reduzir a dependência externa de derivados de petróleo, ampliar exportações e fortalecer a segurança energética do Brasil até 2035.
A dependência externa de derivados de petróleo tende a diminuir de forma gradual ao longo dos próximos dez anos no Brasil. Essa é a principal sinalização trazida pelo novo Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
O documento integra o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035) e traça cenários detalhados sobre oferta, demanda, refino, importações e exportações.
De acordo com o estudo, a ampliação da infraestrutura nacional e o avanço de novos investimentos colocam o petróleo novamente no centro da estratégia de segurança energética do país. Ao mesmo tempo, o planejamento busca reduzir vulnerabilidades históricas relacionadas à importação de combustíveis essenciais.
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Capacidade de refino cresce e reduz exposição externa
Um dos pontos centrais do caderno é o aumento projetado da capacidade nacional de refino de petróleo. Entre 2025 e 2035, a expansão estimada é de cerca de 10%, puxada principalmente por projetos já previstos no Brasil.
Entre eles estão a conclusão do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, além da ampliação de unidades de destilação e hidrotratamento de diesel em outras refinarias.
Esse movimento, segundo o estudo, contribui para reduzir a dependência externa de derivados específicos, mesmo em um contexto de crescimento da demanda interna. Ainda assim, o Brasil seguirá como importador líquido de alguns combustíveis ao longo do período analisado.
Brasil deve ampliar exportações de petróleo cru
Enquanto o país permanece importador líquido de derivados, o cenário é diferente quando se analisa o petróleo cru. O documento aponta que o Brasil deverá reforçar sua condição de exportador líquido, alcançando cerca de 2,7 milhões de barris por dia em 2035.
Esse patamar consolida o país como um dos principais fornecedores globais de petróleo, ampliando sua relevância no cenário geopolítico internacional da indústria. Além disso, o aumento das exportações ajuda a equilibrar a balança comercial e fortalece a arrecadação do setor energético.
Posicionamento do MME destaca previsibilidade e segurança
Ao comentar os resultados do estudo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou o caráter estratégico das informações divulgadas. Segundo ele, o foco na expansão do refino traz ganhos estruturais para o país.
“Estamos ampliando a capacidade de refino do país para reduzir, de forma consistente, a dependência externa de derivados. Esse movimento combina autossuficiência, geração de emprego e renda, e mais segurança para todo o sistema energético nacional. O estudo reforça a qualidade do nosso planejamento e dá previsibilidade para que os investimentos necessários, tanto na expansão industrial quanto no financiamento da transição energética, avancem com responsabilidade e visão de longo prazo”.
A fala reforça que o planejamento de longo prazo do petróleo segue alinhado à estabilidade do abastecimento e à atração de novos investimentos.
Derivados seguem com comportamentos distintos
Mesmo com os avanços no refino, o caderno indica que o Brasil continuará importando volumes relevantes de óleo diesel e nafta. No caso do diesel, as projeções apontam níveis de importação que podem superar máximas históricas, refletindo a força do consumo no transporte e na logística.
Em contrapartida, alguns derivados apresentam cenários mais favoráveis. A dependência externa da nafta tende a cair de 59% para 29%, enquanto o querosene de aviação (QAV) deve reduzir a dependência de 18% para apenas 4%. Esses resultados decorrem tanto de investimentos em refinarias e biorrefinarias quanto do aumento da participação de frações renováveis, como o SAF.
Já o óleo combustível deve manter excedentes durante todo o período analisado. No caso do gás liquefeito de petróleo (GLP), o estudo indica a possibilidade de superávit a partir do fim da década, alterando de forma relevante o equilíbrio do mercado nacional.
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