1. Inicio
  2. / Curiosidades
  3. / Com idade avançada e vivendo isolado na selva amazônica, ribeirinho planta sua comida, cria animais, pesca peixes gigantes e mantém rotina dura e solitária em uma ilha remota no Amazonas
Ubicación AM Tiempo de lectura 8 min de lectura Comentarios 19 comentarios

Com idade avançada e vivendo isolado na selva amazônica, ribeirinho planta sua comida, cria animais, pesca peixes gigantes e mantém rotina dura e solitária em uma ilha remota no Amazonas

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 26/11/2025 a las 22:18
História real de um ribeirinho isolado na selva amazônica que vive da roça, da água do poço e da criação de galinha, em uma rotina simples, dura e profundamente ligada à floresta.
História real de um ribeirinho isolado na selva amazônica que vive da roça, da água do poço e da criação de galinha, em uma rotina simples, dura e profundamente ligada à floresta.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
385 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Sem energia elétrica, sem vizinhos e com acesso difícil à cidade, ele vive isolado na selva amazônica, planta arroz, feijão, mandioca e milho, cria galinhas, cava o próprio poço, recebe visitas e segue colhendo, pescando e cozinhando tudo o que consome em ilha remota no Amazonas no interior do estado

Aos 83 anos, seu Antônio vive isolado na selva amazônica, em uma ilha remota do município de Presidente Figueiredo, cercado por rios, mata fechada e um silêncio que só é quebrado pelo canto dos pássaros, pelos bichos da floresta e pelo motor do barco quando é preciso ir até a vila. Longe de qualquer conforto urbano, ele continua acordando cedo, trabalhando na roça e cuidando de cada detalhe da própria sobrevivência.

Ao lado da esposa, dona Zenaide, de 78 anos, ele transformou o pedaço de terra cercado de água em uma pequena fortaleza de autonomia: plantam o que comem, criam os próprios animais e dependem da pesca para completar o prato. É uma vida simples, dura e solitária, mas sustentada por fé, disciplina e um apego profundo à rotina ribeirinha no coração da Amazônia.

Um ribeirinho isolado na selva amazônica que escolheu ficar

História real de um ribeirinho isolado na selva amazônica que vive da roça, da água do poço e da criação de galinha, em uma rotina simples, dura e profundamente ligada à floresta.

Longe do barulho da cidade e da correria moderna, seu Antônio leva uma vida que parece ter parado no tempo.

Ele mora isolado na selva amazônica, em uma casa simples de madeira, levantada em uma ilha cercada por rios cheios de trairão, tucunaré e tambaqui.

Mesmo com idade avançada, ele trabalha todos os dias na roça para garantir comida na mesa. Não há mercado na esquina, nem aplicativo de entrega.

Se ele não planta, não colhe. Se não pesca, não come peixe. A lógica é direta, quase crua, e rege cada passo do dia.

A rotina é puxada: capina, planta, colhe, corta lenha, organiza o quintal, cuida dos animais, repara o que quebra.

E quando precisa de mantimentos básicos, enfrenta o rio até o pequeno vilarejo mais próximo, encarando o tempo fechado, a chuva forte e os imprevistos do motor do barco.

Casa pequena, planos grandes e animais como companhia

História real de um ribeirinho isolado na selva amazônica que vive da roça, da água do poço e da criação de galinha, em uma rotina simples, dura e profundamente ligada à floresta.

A casa de seu Antônio é pequena, improvisada, com poucos cômodos: sala, quarto, cozinha e uma dispensa apertada onde ficam as coisas mais importantes.

Nada de luxo, nada de excesso. Mesmo assim, ele já pensa em ampliar, abrir outro cômodo, deixar tudo um pouco mais confortável para os dias de chuva forte ou para quando a família chega de visita.

Ao lado da casa, o galinheiro é quase uma poupança viva. Galinhas caipiras são criadas com cuidado, abrigadas em pequenas casas de madeira onde chocam, botam ovos e, de vez em quando, viram o almoço especial.

Ter galinha no interior não é hobby, é estratégia de sobrevivência.

No dia registrado, a escolha da “penosa” para o almoço foi quase um ritual: cercar o espaço, encurralar a galinha certa, carregar para o preparo e transformar aquele animal em alimento para a família e para as visitas.

Tudo com respeito, calma e prática de quem cresceu vendo isso desde criança.

Os poucos passarinhos em gaiolas e os bichos soltos no quintal completam o cenário de um lugar onde os animais fazem parte do dia a dia tanto quanto a própria floresta.

Roça completa: arroz, feijão, mandioca, milho e o combate aos passarinhos

Video de YouTube

A base da segurança alimentar dessa família que vive isolado na selva amazônica está na roça.

Lá, seu Antônio planta arroz, feijão, mandioca, milho, quiabo, maxixe e outras culturas que garantem variedade no prato.

Cada talhão tem uma função, cada pedacinho de chão tem história.

O arroz chama atenção. Visto de perto, parece apenas um capim, mas ele explica cada etapa: primeiro vem o cacho, depois a debulha, depois a secagem e, por fim, o beneficiamento.

Às vezes, o arroz é torrado e pilado no pilão, virando um alimento aromático, forte, que combina com feijão e quiabo. É o arroz da roça, não o do pacote do mercado.

Nada é simples: passarinho preto, pato, bicho de tudo quanto é tipo atacam o arrozal.

Seu Antônio improvisa sacos pendurados, faz barulho, observa o horário que as aves chegam, tenta proteger o que plantou.

Mesmo assim, o chão fica forrado de cascas, prova de que a disputa entre homem e natureza, ali, é diária. No feijão, tudo é mais recente, mas já está verde, cheio de vagens.

Na mandioca e na macaxeira, ele conhece cada detalhe, diferenciando pela cor do talo e pela forma de uso.

O milho também entra na conta: serve para comer cozido, assado na brasa, virar bolo, mingau, canjica e ainda alimentar os animais. Nada se perde, tudo é aproveitado.

Água escassa em plena Amazônia e um poço cavado no braço

Pode parecer estranho falar de dificuldade de água em uma região cercada por rios, mas para quem vive isolado na selva amazônica, a água boa para beber é outra história.

A água do lago não presta para consumo direto, então a alternativa foi cavar um poço manualmente.

Sem máquina, sem trator, sem energia elétrica, o poço foi aberto no braço, na picareta e na pá.

A escolha do lugar não foi ao acaso: seu Antônio observou o cupinzeiro, seguiu a lógica de que cupim não faz morada seca, cavou até encontrar a veia d’água e, ali, consolidou a fonte da casa.

Hoje, o poço tem boca feita, paredes firmes e uma profundidade suficiente para garantir água limpa. É dali que vem a água para beber, cozinhar e tomar banho.

Em plena Amazônia, o acesso à água potável passa por sabedoria antiga e trabalho pesado.

Um casamento de 62 anos, fé e raízes espalhadas pelo Brasil

A história desse ribeirinho isolado na selva amazônica não começa na ilha. Dona Zenaide nasceu no interior do antigo estado de Goiás, em uma pequena localidade ligada a Tocantinópolis.

Seu Antônio veio de Pedreiras, no Maranhão, região conhecida por suas pequenas cidades e forte cultura interiorana.

Ela tinha 16 anos quando os dois se uniram. De lá para cá, já se vão 62 anos de casamento, oito filhos, três perdas dolorosas e cinco herdeiros vivos espalhados pelo país.

Eles carregam no rosto as marcas do tempo, mas também um certo orgulho tranquilo de quem atravessou décadas juntos.

A fé também é parte central da rotina. Agradecem antes das refeições, pedem proteção para o trabalho e para os filhos que moram longe.

Para esse casal, a religião funciona como âncora emocional em meio à solidão da ilha.

Mesmo morando distante de igrejas e centros urbanos, os rituais simples mantêm a sensação de pertencimento e de propósito.

Cozinha de roça, cuxá na panela e almoço com sabor de Maranhão

Na cozinha, quem assume o comando é dona Zenaide, com ajuda da filha.

O cardápio daquele dia tinha tudo que remete ao interior: feijão verde com vinagreira, quiabo, maxixe, arroz da própria roça, galinha caipira e macarrão para reforçar.

A vinagreira, chamada de cuxá no Maranhão, traz um sabor azedo marcante que combina perfeitamente com o feijão. Há folhas verdes, folhas roxas, diferentes tipos que ela conhece pelo tato e pelo gosto.

É comida de verdade, feita no fogão, mexida à mão, temperada com alho, sal e experiência.

O arroz torrado e pilado no pilão completa a refeição.

O processo é trabalhoso: torrar no ponto certo, pilar até soltar as cascas, assoprar, separar as impurezas.

Mas o resultado é um prato aromático, encorpado, que leva o visitante a lembrar de infâncias no interior e de cozinhas abertas, cheias de fumaça e conversa.

Energia zero, lamparina acesa e a virada com a chegada da luz solar

Até pouco tempo, as noites desse ribeirinho isolado na selva amazônica eram iluminadas apenas por lamparinas.

Sem rede elétrica e sem previsão de chegada da luz oficial, o jeito era conviver com a claridade fraca, o cheiro de querosene e a limitação natural de qualquer atividade depois que o sol se punha.

A mudança começou quando uma equipe de visitantes levou uma estação de energia portátil com placa solar.

O equipamento armazena energia captada pelo sol e libera em forma de tomadas convencionais, permitindo ligar lâmpadas, ferramentas elétricas e pequenos aparelhos.

Na prática, isso significou duas revoluções ao mesmo tempo.

A primeira foi na segurança: a casa deixou de depender da chama da lamparina e passou a ter lâmpadas ligadas por energia limpa, iluminando sala, quarto e área externa.

A segunda aconteceu no trabalho: com a estação de energia, eles conseguiram usar ferramentas elétricas para cortar madeira e fazer a tampa do poço, algo que antes exigiria muito mais esforço manual.

Ver a casa acesa, com luz branca substituindo a chama tremida, foi um momento simbólico.

Seu Antônio brincou ao apagar a lamparina, consciente de que, naquela ilha, a chegada da energia solar representava não apenas conforto, mas também dignidade e autonomia.

Entre peixe gigante, roça e silêncio, uma escolha de vida

O cotidiano desse ribeirinho isolado na selva amazônica é feito de pequenos rituais: tecer rede de pesca com as mãos calejadas, descer o rio até a vila para comprar mantimentos, voltar para colher milho, torrar arroz, alimentar as galinhas, preparar a próxima safra.

Entre uma tarefa e outra, ele pesca trairão, tucunaré e tambaqui, reforçando a mesa com peixes gigantes típicos da bacia amazônica.

Não há trânsito, fila, buzina ou cronograma digital.

Em compensação, qualquer descuido custa caro: um plantio perdido, um poço sem tampa, uma chuva forte fora de hora, um motor quebrado no meio do rio.

É uma vida onde cada erro tem consequência imediata, e cada acerto se transforma em alimento, conforto ou segurança.

Ainda assim, seu Antônio e dona Zenaide seguem firmes, rindo fácil, recebendo visitas com mesa cheia e tratando a ilha como parte de quem eles são.

A selva, que para muitos é ameaça, para eles é casa, trabalho e companhia diária.

Você conseguiria viver isolado na selva amazônica como seu Antônio, plantando, pescando e produzindo quase tudo o que consome, ou não abriria mão da vida na cidade por nada?

Inscreva-se
Notificar de
guest
19 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Janaina
Janaina
03/12/2025 20:19

Eles estão de parabéns pela garra,a união 😁 e humildade,eu não queria ,viver assim, Deus me defenda,tenho pavor,alergia e não dou conta de viver assim , não,amo a cidade, modernidade, carro, ônibus,sem bichos perigosos,meu apartamento é uma benção de Deus 🙌🏻😃, Jesus abençoe eles sempre 😘!!!!!

Claudeci Alves leonel
Claudeci Alves leonel
03/12/2025 11:00

Que história linda , parabéns pela matéria , confesso que me emocionei, me coloquei no lugar do personagens seu Antônio, adorei a matéria.

Enilson Soares dos Santos
Enilson Soares dos Santos
03/12/2025 10:10

Eu conseguiria de boa!

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartir en aplicaciones
19
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x