Projetada para operar com 260 mil barris por dia, a Refinaria Abreu e Lima terá segundo trem de refino, usina fotovoltaica própria, reforço no fornecimento de diesel S10 e milhares de empregos temporários e permanentes na região do Complexo de Suape, em Pernambuco, impulsionando obras, serviços, qualificação e renda locais
A ampliação da Refinaria Abreu e Lima recoloca Pernambuco no centro da estratégia da Petrobras para combustíveis e transição energética. Com a construção do Trem de Refino 2, a unidade instalada no Complexo Portuário de Suape deve dobrar o processamento de derivados de petróleo, saltando dos atuais 130 mil barris por dia para 260 mil barris ao fim do projeto. Na prática, a refinaria passa a responder por até 17% da demanda nacional de diesel S10, combustível de maior valor agregado e crucial para o transporte rodoviário brasileiro.
Além de concluir a configuração originalmente prevista, a Petrobras ancora a expansão da Refinaria Abreu e Lima em um pacote que combina investimento industrial de R$ 12 bilhões, construção de uma usina fotovoltaica própria e geração em massa de empregos diretos e indiretos. A expectativa é chegar a até 15 mil trabalhadores durante o pico das obras e ampliar o quadro permanente da operação de 3 mil para cerca de 4 mil postos formais, com prioridade para mão de obra local qualificada.
Dobra de capacidade e foco no diesel S10

Na apresentação do projeto, a Petrobras classificou a Refinaria Abreu e Lima como uma das unidades mais modernas de seu parque de refino.
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A ampliação foi desenhada para que cerca de 70% da capacidade total se converta em diesel S10, em linha com a demanda crescente por um combustível de baixa emissão e maior exigência técnica na frota de caminhões e ônibus.
Segundo a presidência da companhia, a combinação entre o Trem de Refino 1, já em operação, e o Trem de Refino 2, em construção, permitirá que a Refinaria Abreu e Lima se torne um dos principais polos de produção de diesel S10 do país, reduzindo a necessidade de importações e reforçando a segurança de abastecimento.
Os outros 30% da carga processada serão convertidos em gasolina, GLP e nafta, mantendo o perfil de derivados alinhado ao mercado nacional.
A lógica é clara: ao concentrar volume em diesel S10, a Refinaria Abreu e Lima passa a produzir justamente o derivado de maior relevância econômica para transporte de cargas, logística e agronegócio.
Isso reforça o papel da unidade como ativo estratégico, tanto para a Petrobras quanto para a matriz de abastecimento de combustíveis do Brasil.
Cronograma, contratos e retomada do Trem de Refino 2
O projeto de expansão da Refinaria Abreu e Lima ficou anos travado por causa das investigações da Operação Lava Jato, que atingiram diretamente as obras originais da unidade.
A virada veio com a decisão da Petrobras de retomar o plano de duplicação da capacidade, com um cronograma escalonado até 2029.
A Petrobras já licitou e firmou sete contratos para construção do Trem de Refino 2, somando R$ 8 bilhões em serviços e equipamentos.
As unidades de processamento foram iniciadas de forma simultânea, mas a entrega será faseada ao longo dos próximos anos.
A unidade de destilação atmosférica número 1 opera desde 2014, enquanto a unidade de número 2 tem conclusão prevista para o fim de 2026, com partida avançando para os primeiros meses de 2027.
Só a nova unidade de destilação acrescentará 50 mil barris por dia em capacidade de processamento.
A partir daí, outras unidades de conversão e tratamento entram em operação até que, em 2029, a Refinaria Abreu e Lima atinja o patamar projetado de 260 mil barris diários.
A diferença em relação ao primeiro ciclo de obras é o foco declarado em planejamento, governança e previsibilidade de custos, sob acompanhamento direto da direção da Petrobras.
Usina fotovoltaica e energia para a Refinaria Abreu e Lima
Um dos elementos centrais do novo pacote de investimentos é a usina fotovoltaica que será construída para atender parte do consumo elétrico da Refinaria Abreu e Lima.
O projeto prevê uma planta solar com capacidade instalada de 12 megawatts, o equivalente a aproximadamente 10% da energia necessária para operar a unidade em um mês típico.
Na prática, a integração entre a usina fotovoltaica e a Refinaria Abreu e Lima atende a duas frentes: reduz o custo operacional da refinaria ao longo do tempo e contribui para a agenda de descarbonização da Petrobras.
Ao produzir parte da energia dentro do próprio complexo, a companhia diminui a dependência da rede e incorpora usina fotovoltaica como componente estrutural da expansão industrial.
Em um cenário de transição energética gradual, a aposta em um grande polo de diesel S10 associado a uma usina fotovoltaica própria sinaliza que a Petrobras tenta combinar combustíveis fósseis de menor teor de enxofre com geração renovável na mesma planta.
A Refinaria Abreu e Lima acaba servindo de vitrine para esse modelo híbrido de expansão, que pode ser replicado em outras unidades do sistema de refino no futuro.
Empregos, qualificação e impacto regional em Pernambuco
O pacote de R$ 12 bilhões ligado à Refinaria Abreu e Lima tem impacto direto sobre a economia de Pernambuco.
A Petrobras estima que, na fase de pico das obras do Trem de Refino 2, o contingente no canteiro de expansão pode chegar a 15 mil empregos, somando postos diretos, prestadores de serviço e funções associadas à construção. Hoje, 5,7 mil pessoas já atuam na ampliação.
Na operação, a Refinaria Abreu e Lima emprega cerca de 3 mil trabalhadores e deve chegar a até 4 mil assim que o projeto estiver concluído.
Para sustentar esse salto de demanda, a Petrobras estruturou um programa de qualificação profissional vinculado à unidade.
Só em Pernambuco, o Programa de Autonomia e Renda oferece mais de 7,3 mil vagas gratuitas em cursos de mecânica, eletricidade, instrumentação, construção civil e metalurgia, com 800 alunos já formados até setembro.
O desenho é o de um ciclo fechado: a obra da Refinaria Abreu e Lima demanda mão de obra especializada, o programa forma moradores locais, e uma parcela relevante desses profissionais tende a ser absorvida, seja na construção pesada, seja na operação contínua da refinaria.
Pernambuco passa a concentrar um polo de empregos industriais de alta qualificação, ancorado em um ativo estratégico da Petrobras, com efeito multiplicador sobre serviços, logística, moradia e arrecadação municipal e estadual.
Papel estratégico da Refinaria Abreu e Lima na rede de combustíveis
Com o Trem de Refino 2 em operação, a Refinaria Abreu e Lima consolida seu papel de vértice da rede de combustíveis no Nordeste.
A capacidade de suprir até 17% da demanda nacional de diesel S10 reduz a exposição do Brasil a importações desse derivado e reforça o uso do Complexo de Suape como hub logístico para o escoamento de derivados.
Ao mesmo tempo, o projeto consolida Pernambuco como um eixo relevante da estratégia nacional de refino, ao lado de outras grandes unidades da Petrobras.
A combinação de Refinaria Abreu e Lima, usina fotovoltaica dedicada e infraestrutura portuária integrada redesenha o mapa de investimentos de energia no estado, com potencial de atrair novos projetos industriais que dependem de diesel, gasolina, GLP e nafta em grandes volumes.
A aposta da Petrobras na Refinaria Abreu e Lima encerra um ciclo de incertezas, reativa um ativo que ficou marcado pelos escândalos da Lava Jato e reposiciona o empreendimento como plataforma de crescimento em refino, empregos e transição energética.
Se o cronograma até 2029 for cumprido, a refinaria tende a se tornar um dos principais símbolos da nova fase de investimentos da estatal no Nordeste.
Para você, a expansão da Refinaria Abreu e Lima e a entrada da usina fotovoltaica vão mudar de fato a economia de Pernambuco ou o impacto maior será mesmo no abastecimento nacional de diesel S10?

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