Tradição tropeira, genética selecionada e uma “fábrica de mulas” em quatro fazendas paulistas transformaram a família Barnabé em referência nacional na criação de burros e mulas de serviço, ligando passado colonial e agronegócio moderno.
A cena impressiona. São centenas de animais alinhados em piquetes, baias e currais, todos preparados para enfrentar morros, pedras e longas distâncias no campo. Para muitos produtores rurais, esses burros e mulas são mais do que animais de trabalho, são ferramentas indispensáveis para tocar o dia a dia da fazenda.
No interior de São Paulo, a família Barnabé, de Indaiatuba, Ourinhos e Garça, transformou essa vocação em um grande negócio especializado em muares de serviço.
Reportagem do portal Compre Rural aponta que Tércio Barnabé é hoje conhecido como “rei dos moares”, à frente de um plantel de cerca de 550 animais distribuídos em quatro fazendas, em uma área superior a 380 hectares.
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Segundo o mesmo levantamento, em apenas um ano Tércio chegou a comercializar cerca de 600 burros e mulas, atendendo fazendas em estados como Mato Grosso, Goiás, Amazonas, Pará, Rondônia e Acre. Na prática, funciona como uma verdadeira “fábrica de mulas”, voltada a atender um nicho que segue aquecido mesmo com o avanço da mecanização.
Por trás desses números está uma história centenária ligada ao tropeirismo e à formação do Brasil. E também um dado que muitos moradores urbanos desconhecem, mas que especialistas em equinocultura reforçam: muares continuam essenciais em regiões de difícil acesso, em serras, vales e áreas onde tratores e caminhonetes simplesmente não chegam.
Dos tropeiros coloniais ao maior criador de burros e mulas do Brasil
O uso de burros e mulas no transporte de mercadorias nas Américas começou ainda na época colonial, impulsionado principalmente pelos espanhóis que dominavam regiões como Bolívia, Peru e Argentina, onde o relevo montanhoso exigia animais muito resistentes. Estudos sobre tropeirismo mostram que os muares foram fundamentais para levar cargas pesadas por trilhas estreitas e longas distâncias.
No Brasil, os tropeiros adotaram rapidamente esses animais nas rotas que ligavam o interior ao litoral. Pesquisas sobre tropas e tropeiros destacam que as mulas se tornaram o principal meio de transporte de cargas entre centros produtores de ouro, açúcar e café e os portos, num período que vai, em linhas gerais, do século XVIII ao fim do século XIX.
Essas caravanas cortavam serras, rios e regiões sem estradas estruturadas. Foi literalmente “no lombo das mulas” que riquezas saíram de Minas Gerais, do Nordeste açucareiro e do Sudeste cafeeiro rumo ao comércio internacional, consolidando o papel desses animais no desenvolvimento econômico do país.
O que torna burros e mulas tão valiosos no campo brasileiro
Do ponto de vista biológico, os muares são híbridos resultantes, em geral, do cruzamento entre jumento e égua, originando o burro macho e a mula fêmea. Quando o cruzamento é feito entre cavalo e jumenta, o resultado é o bardoto, bem mais raro nas fazendas brasileiras.
Textos técnicos de zootecnia e portais agropecuários destacam que os muares reúnem características importantes: força e porte herdados dos cavalos, aliados à resistência, rusticidade e inteligência dos jumentos. Isso os torna firmes e cuidadosos onde pisam, ideais para trilhas estreitas, ladeiras, pedras e terrenos acidentados, comuns em muitas regiões rurais do Brasil.
Outro diferencial é a economia. Estudos apontam que os muares consomem cerca de 25 por cento menos alimento que um cavalo de porte semelhante e precisam de menos água para se manter, característica valiosa em áreas de clima quente e seco. Além disso, aceitam forragens mais simples, capins secos e apresentam maior resistência ao calor e a determinadas doenças, o que reduz custos de manejo.
Dentro da “fábrica de mulas” da família Barnabé em SP
A relação da família Barnabé com os moares começou na década de 1920, quando Ário Barnabé passou a criar jumentos e éguas da raça Mangalarga Marchador para produzir burros e mulas em Indaiatuba, no interior paulista. Com o tempo, a atividade passou para o filho, Tércio Barnabé, hoje reconhecido em portais especializados como o maior criador de mulas e jumentos do Brasil.
Atualmente, o grupo mantém quatro fazendas dedicadas à criação de muares e gado Nelore. A fazenda Campo Bonito, em Indaiatuba, a Santa Helena e a São Francisco, em Ourinhos, e a São João, em Garça, somam mais de 380 hectares, com cerca de 550 animais, entre jumentos, jumentas Pêga, éguas reprodutoras e uma tropa robusta de burros e mulas de serviço.
A estrutura inclui currais amplos, baias ventiladas, piquetes com pasto de qualidade e áreas específicas de treinamento. Segundo reportagens rurais, o manejo é acompanhado por veterinários, com alimentação balanceada e foco em bem-estar, o que reforça a imagem de plantel de alta qualidade entre compradores de várias regiões do país.
O foco principal é a produção de muares de serviço em grande escala, prontos para o trabalho diário em fazendas com gado de corte, pecuária leiteira ou atividades de manejo extensivo. Há animais já domados para uso imediato e outros “xucros” para criadores que preferem fazer a doma ao seu modo, o que amplia o público atendido.
Não por acaso, muitos produtores rurais aguardam por meses novas remessas de animais, especialmente de mulas de patrão e burros extremamente mansos e marchadores, valorizados em leilões e eventos ligados ao agronegócio.
Tradição, genética e mercado aquecido de muares no Brasil
Além da estrutura física, a genética dos animais Barnabé é um ponto central do negócio. Relatos do próprio criador e de leilões especializados mostram que, ao longo de décadas, a família selecionou cuidadosamente linhagens de jumentos Pêga e éguas Mangalarga, buscando animais com força, docilidade, boa marcha e grande capacidade de trabalho.
Esses cuidados dialogam com estudos sobre o chamado “Complexo do Agronegócio Cavalo”, que inclui cavalos, asininos e muares e movimenta um conjunto amplo de atividades, de insumos a serviços. Pesquisas apontam que, somados equinos, muares e asininos, o Brasil tem cerca de 8 milhões de cabeças, o que coloca o país entre os líderes mundiais nesse segmento.
Embora tratores, caminhões e quadriciclos tenham reduzido o espaço dos animais de tração em algumas regiões, trabalhos acadêmicos e relatos de produtores lembram que a mecanização não significou o fim dos muares. Em áreas íngremes, alagadas ou de mata fechada, eles continuam imbatíveis em custo, segurança e capacidade de acesso.
Ao mesmo tempo, burros e mulas ganham espaço em outros usos. Portais rurais registram crescimento da participação desses animais em cavalgadas, provas funcionais, turismo rural e eventos culturais ligados à memória tropeira, reforçando também um valor simbólico e histórico que vai além do trabalho pesado no campo.
Nesse contexto, criatórios como o da família Barnabé ocupam uma posição estratégica. Eles atendem à demanda por animais de alto desempenho e, ao mesmo tempo, ajudam a preservar uma cultura que corre o risco de se perder na era das máquinas, mantendo vivo um pedaço importante da identidade rural brasileira.
E você, o que pensa sobre isso? Acha que a “fábrica de mulas” da família Barnabé representa um exemplo de tradição inteligente que o Brasil deve valorizar ou acredita que o país deveria acelerar a substituição de burros e mulas por máquinas em todas as regiões? Deixe seu comentário, conte se você já viu de perto o trabalho desses animais e participe do debate sobre o futuro dos muares no campo brasileiro.
Excelente reportagem, precisamos de mais informações. Agora, perdoe-me ,como o nosso povo é tamanha ignorância.
Todos esses jumentos, são eleitores do **** de nove dedos.
São petistas esperando abaixar a picanha mas **** tá só aumentando os impostos e tachando os brasileiros e os petistas aplaudindo em pé