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Com US$ 150 milhões, controle de duas indústrias gigantes, abate diário que pode chegar a 600 mil aves, mil bovinos e cinco mil cordeiros, e foco em 2 bilhões de consumidores halal, a JBS desembarca em Omã para erguer uma nova base industrial no Oriente Médio e reposicionar o Brasil no centro do mapa global da proteína animal

Publicado el 08/02/2026 a las 22:22
Actualizado el 08/02/2026 a las 22:27
JBS cria base em Omã com foco halal no Oriente Médio, amplia abate e produção local para exportação e disputa consumidores da proteína animal.
JBS cria base em Omã com foco halal no Oriente Médio, amplia abate e produção local para exportação e disputa consumidores da proteína animal.
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Ao comprar 80% da Oman Food Capital por US$ 150 milhões, a JBS passa a operar duas plantas estratégicas em Ibri e Thumrait, mira capacidade acima de 300 mil toneladas anuais, prevê início escalonado da produção e reforça sua disputa por mercados halal de alto crescimento no Oriente Médio contemporâneo.

Atransação, anunciada neste domingo (8) pela empresa brasileira mostra que a JBS abriu uma nova frente industrial em Omã ao adquirir 80% da Oman Food Capital (OFC), holding recém-criada no país, enquanto a Oman Investment Authority (OIA) permaneceu com 20%. O movimento combina entrada societária, controle operacional e acesso imediato a ativos já estruturados, reduzindo tempo de implantação e alterando a escala regional da companhia no Oriente Médio.

Na prática, a transação envolve duas unidades com funções complementares: uma planta integrada de aves da A’Namaa, em Ibri, no norte de Omã, e uma unidade de bovinos e cordeiros da Al Bashayer, em Thumrait, no sul. A estratégia é direta: controlar etapas industriais em pontos diferentes do território para acelerar produção, atender demanda halal e ampliar exportações a partir de uma base local.

O que a JBS comprou em Omã e por que o desenho societário importa

Unidade de processamento de carne bovina e cordeiro da Al Bashayer, em Thumrait, sul de Omã — Foto: Divulgação

A estrutura do negócio da JBS não se limita à compra de ativos físicos; ela define governança de longo prazo em um mercado sensível para proteína animal. Com 80% da OFC, a companhia assume o comando da operação e da expansão, enquanto a participação de 20% da OIA mantém um elo institucional com o ambiente local. Esse arranjo reduz fricções de entrada e favorece previsibilidade regulatória e operacional, fator relevante para projetos com ambição de escala internacional.

As duas plantas incorporadas também respondem a uma lógica industrial clara. Em Ibri, a unidade de aves foi descrita como integrada e está em fase de conclusão, o que antecipa ganho de velocidade na rampa de produção. Em Thumrait, a unidade de bovinos e cordeiros adiciona diversidade de portfólio em um mesmo ecossistema regional. Quando uma operação nasce multiespécie, ela aumenta capacidade de responder a ciclos de preço e variações de consumo com mais flexibilidade.

Capacidade de abate, volume anual e cronograma de início das operações

Segundo os dados anunciados, a nova plataforma da JBS em Omã pode alcançar capacidade industrial estática acima de 300 mil toneladas por ano considerando aves, bovinos e cordeiros. Em pleno funcionamento, o abate diário pode chegar a aproximadamente 600 mil aves, mil bovinos e cinco mil cordeiros. Os números colocam o projeto em patamar de grande escala desde a largada, com potencial de impacto imediato no abastecimento regional e na estratégia exportadora.

O cronograma também foi definido por etapas. A expectativa é iniciar a produção de carnes bovina e ovina em até seis meses, enquanto a operação de aves deve começar em 12 meses, já que a planta ainda está sendo finalizada. Esse faseamento reduz risco operacional de partida simultânea e permite ajustar processos, equipes e logística por blocos de produto, sem comprometer a meta de crescimento da capacidade total no curto e médio prazo.

Halal como eixo central e a disputa por consumo em expansão

O foco da JBS está concentrado no mercado halal, estimado em cerca de 2 bilhões de consumidores no mundo. Esse universo exige padrões específicos ligados à origem dos ingredientes, métodos de abate e critérios de higiene, o que transforma conformidade em condição básica de competitividade. Não se trata apenas de vender carne em novos destinos, mas de operar dentro de um protocolo cultural e técnico que define acesso a mercado.

A escolha de Omã foi justificada pela companhia em um contexto de crescimento populacional e aumento de renda per capita na região. O fator de oportunidade também pesou: parte relevante dos ativos já estava pronta, o que encurta o caminho entre investimento e produção efetiva. Na prática, a decisão combina demanda estrutural, janela operacional e posicionamento geográfico, reunindo elementos que tornam o país uma plataforma para abastecer diferentes mercados a partir do Oriente Médio.

Upstream no Oriente Médio: o que muda para a cadeia e para o Brasil

A operação marca o primeiro investimento upstream da JBS no Oriente Médio, ou seja, com abate e processamento local. Antes, nas unidades regionais da companhia, a matéria-prima para produtos processados era majoritariamente importada. Ao internalizar etapas iniciais da cadeia no território de destino, a empresa encurta fluxos, ganha controle de qualidade em origem e reduz dependência de uma única rota de suprimento.

Esse passo se conecta ao restante da presença regional da companhia. A JBS já havia aportado US$ 85 milhões na Arábia Saudita, incluindo expansão em Jeddah, e mantém operações em Dammam e Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Com cerca de 1.600 colaboradores no Oriente Médio atualmente e previsão de mais de 3 mil empregos nas novas plantas em Omã nos próximos cinco anos, a estratégia deixa de ser pontual e passa a configurar uma malha industrial integrada, com efeitos sobre competitividade e sobre a posição brasileira no comércio global de proteína animal.

Escala global, execução local e o novo mapa competitivo da proteína

A movimentação da JBS reposiciona Omã como peça de produção e distribuição, não apenas como ponto de passagem comercial. O investimento de US$ 150 milhões, a combinação de duas plantas e o volume de abate projetado indicam uma operação desenhada para escala desde o início. Em mercados altamente disputados, escala com conformidade halal e presença local tende a virar diferencial concreto de acesso e permanência.

Ao mesmo tempo, o projeto revela uma mudança de abordagem: da exportação de produto para a construção de base produtiva no destino. Isso altera custos, prazos, capacidade de adaptação e relação com consumidores locais. Quando a cadeia passa a começar no próprio mercado-alvo, a empresa reduz distância entre produção, exigência regulatória e preferência de consumo, o que pode redefinir ritmo de crescimento da operação no Oriente Médio nos próximos ciclos.

O avanço da JBS em Omã reúne investimento robusto, controle societário, capacidade industrial elevada e foco declarado no mercado halal global. Com cronograma de entrada em operação já definido e integração com a estrutura regional existente, a companhia transforma uma aquisição em plataforma de longo prazo para produção local e exportação, com impacto direto na competição internacional da proteína animal.

Se você acompanha o setor, qual fator pesa mais nessa decisão da JBS: a escala de abate, o acesso ao consumidor halal, a produção local upstream ou a velocidade para colocar ativos já prontos em operação? E, olhando para os próximos anos, que efeito concreto isso pode trazer para a presença brasileira no comércio global de carnes?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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