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Começa a perfuração do primeiro poço nuclear do mundo: reator será instalado a quase 2 km de profundidade e pode mudar a forma de produzir energia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 12/03/2026 às 17:05
Atualizado em 13/03/2026 às 17:45
Deep Fission inicia perfuração do primeiro poço nuclear subterrâneo para testar reator Gravity de 15 MWe a 1.829 metros de profundidade.
Deep Fission inicia perfuração do primeiro poço nuclear subterrâneo para testar reator Gravity de 15 MWe a 1.829 metros de profundidade.
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Perfuração do primeiro poço nuclear subterrâneo começou no Kansas para testar o reator Gravity de 15 MWe da Deep Fission, instalado a cerca de 1.829 metros de profundidade, utilizando a pressão natural da coluna de água e a proteção do leito rochoso para substituir estruturas nucleares de superfície

A empresa americana Deep Fission iniciou a perfuração do primeiro poço nuclear subterrâneo do mundo no Parque Industrial Great Plains, em Parsons, Kansas.

A iniciativa integra o projeto piloto do reator Gravity, um pequeno reator modular de 15 megawatts projetado para operar a cerca de uma milha abaixo da superfície.

O início da perfuração marca a transição da Deep Fission da fase conceitual para a etapa de construção do projeto nuclear subterrâneo. A empresa anunciou que este é o primeiro de três poços de aquisição de dados planejados para sustentar o desenvolvimento do sistema.

O poço nuclear faz parte de um projeto que pretende demonstrar uma nova abordagem para a implantação de energia nuclear.

A iniciativa busca utilizar a própria geologia da Terra como elemento estrutural e de contenção do reator.

Início da perfuração do poço nuclear para o reator Gravity

O primeiro poço nuclear está sendo perfurado até aproximadamente 6.000 pés de profundidade, o equivalente a 1.829 metros, com diâmetro de oito polegadas ou cerca de 20 centímetros. A estrutura está sendo construída dentro do Parque Industrial Great Plains, localizado na cidade de Parsons, no estado do Kansas.

Esta etapa ocorre após a conclusão da plataforma de perfuração necessária para iniciar os trabalhos. O objetivo principal dessa fase é coletar dados geológicos, hidrológicos e térmicos que serão utilizados no desenvolvimento do projeto.

Segundo Liz Muller, CEO e cofundadora da Deep Fission, o início da perfuração representa um avanço relevante para o projeto. Ela afirmou que o momento marca a passagem do conceito para a construção e o início da demonstração de uma nova forma de implantação da energia nuclear.

Como o poço nuclear usa a geologia da Terra como estrutura

O conceito do poço nuclear desenvolvido pela startup elimina a necessidade de grandes estruturas de contenção construídas na superfície. Em vez disso, o projeto aproveita as características geológicas naturais do subsolo para fornecer proteção e estabilidade ao reator.

No sistema projetado pela Deep Fission, o reator Gravity será instalado no fundo de um poço profundo, aproximadamente a uma milha abaixo da superfície terrestre. Nesse nível, a coluna de água localizada acima do reator gera naturalmente cerca de 160 atmosferas de pressão.

Essa pressão é suficiente para o funcionamento do sistema e elimina a necessidade de vasos de pressão caros instalados na superfície. O projeto utiliza esse princípio para reduzir a complexidade estrutural das instalações nucleares.

Além disso, o leito rochoso que envolve o reator oferece bilhões de toneladas de proteção e contenção naturais. Essa característica reduz a área ocupada pelas instalações e aumenta o nível de segurança do sistema.

Financiamento e fornecimento de combustível para o projeto

A perfuração do poço nuclear ocorre após uma sequência recente de avanços para a Deep Fission. Entre eles está um acordo firmado com a empresa Urenco USA para a compra de urânio pouco enriquecido.

O combustível nuclear será fornecido pelas instalações da empresa em Eunice, no estado do Novo México. O material será utilizado nas fases de teste e demonstração do reator Gravity.

Além do fornecimento de combustível, a startup também recebeu um novo aporte financeiro de 80 milhões de dólares. O financiamento tem como objetivo ampliar a produção de energia voltada para centros de dados orientados por inteligência artificial e redes elétricas dos Estados Unidos.

Escalabilidade e metas do programa do Departamento de Energia

O modelo baseado em poço nuclear foi projetado com estrutura modular, permitindo expansão de capacidade. Um único poço é capaz de gerar 15 megawatts elétricos, conforme especificado no projeto do reator Gravity.

A empresa afirma que até 100 reatores poderiam ser instalados em um único local. Nesse cenário, a capacidade total chegaria a 1,5 gigawatts elétricos, quantidade suficiente para abastecer grandes polos industriais ou extensos complexos de centros de dados.

Mesmo com essa capacidade, o projeto ocuparia apenas uma fração da área utilizada por usinas nucleares tradicionais instaladas na superfície. Essa redução de espaço faz parte da proposta de utilizar estruturas subterrâneas profundas.

O projeto também integra o Programa Piloto de Reatores do Departamento de Energia dos Estados Unidos. A iniciativa tem como meta levar reatores avançados à criticidade até 4 de julho de 2026.

Segundo estimativas da própria Deep Fission, a abordagem baseada em poço nuclear pode reduzir os custos de construção de usinas nucleares em aproximadamente 70% a 80% quando comparada às instalações convencionais.

O programa de três poços atualmente em execução deverá fornecer dados detalhados do subsolo. Essas informações serão usadas para embasar os projetos de engenharia finais e o planejamento regulatório necessário para a futura comercialização da tecnologia.

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Vera Lúcia
Vera Lúcia
14/03/2026 12:09

ESTADOS UNIDOS É UM PAÍS MUNDIAL NÃO TEM OUTO OS OUTROS SÓ COPIA

Vera Lúcia
Vera Lúcia
14/03/2026 12:06

ESTADOS Unidos é nota milllll

Edson Marcos
Edson Marcos
13/03/2026 22:22

Temo que possa contaminar o lençol freático

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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