Sistema alemão instalado no Marrocos transforma névoa em água potável ao capturar microgotículas do ar em montanhas próximas ao Saara, abastecendo vilarejos rurais com uma tecnologia baseada em vento, gravidade e captação atmosférica.
Em uma cadeia de montanhas do Anti-Atlas, no sudoeste do Marrocos, estruturas formadas por redes esticadas em armações metálicas vêm sendo usadas para captar água potável a partir da névoa.
O sistema, conhecido como CloudFisher, recolhe microgotículas suspensas no ar quando a neblina atlântica alcança as cristas e direciona a água coletada para calhas, tubulações e reservatórios que abastecem comunidades rurais próximas à borda do Saara.
De acordo com dados divulgados pela Wasserstiftung, organização alemã associada ao projeto, a instalação localizada no Monte Boutmezguida reúne 31 coletores e cerca de 1.686 metros quadrados de área de malha.
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Em dias de neblina, a produção estimada chega a aproximadamente 37 mil litros de água.
A rede atende 16 vilarejos, com cerca de 1.300 moradores, além de estruturas comunitárias, como uma escola.
Região do Anti-Atlas combina litoral úmido e clima desértico
A região do Anti-Atlas ocupa uma zona de transição climática, marcada pela influência do Oceano Atlântico, que favorece a formação de neblina, e por características semiáridas no interior.

Segundo os responsáveis pelo projeto, essa combinação é fundamental para a captação, já que o sistema depende da presença frequente de névoa para funcionar.
Em áreas rurais afastadas, o abastecimento tradicional costuma se apoiar em poços profundos e em fontes com qualidade variável.
Relatórios ligados à iniciativa indicam que a proposta do CloudFisher é complementar esse cenário ao criar uma infraestrutura de captação em altitude e distribuição por gravidade, aproximando a água das áreas habitadas.
Como funciona a tecnologia que captura água da neblina
A tecnologia se baseia em um princípio físico conhecido: a neblina é formada por gotículas microscópicas de água em suspensão.
Quando o vento empurra esse ar úmido contra a malha do coletor, parte das gotículas colide com as fibras, se acumula e forma gotas maiores, que escorrem por ação da gravidade.
Na base de cada painel, calhas direcionam a água captada para tubulações que levam aos reservatórios.
A partir daí, a distribuição ocorre sem necessidade de bombeamento constante, aproveitando o desnível do terreno.
Descrições técnicas do projeto indicam que a estrutura metálica foi projetada para resistir ao vento e à exposição prolongada ao sol, reduzindo danos e a necessidade de substituição frequente.
Parcerias internacionais viabilizaram o projeto no Marrocos
Experiências de coleta de neblina já haviam sido realizadas em outros países, como Chile e Peru, com resultados variados.
No caso do Marrocos, a iniciativa está associada a uma parceria entre a organização marroquina Dar Si Hmad, a Wasserstiftung e o designer alemão Peter Trautwein, além de apoio institucional de entidades como a Munich Re Foundation.

Segundo informações divulgadas pela Munich Re Foundation, o projeto em Boutmezguida recebeu financiamento do Ministério Federal Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento.
A instalação passou por fases de teste e ampliação a partir da segunda metade da década de 2010.
A fundação descreve a estrutura como a maior operação de coleta de neblina em funcionamento no mundo naquele período.
Produção de água varia conforme a presença de neblina
Os números apresentados pelos responsáveis pelo CloudFisher variam conforme as condições climáticas e o método de medição.
A Wasserstiftung informa que, em dias com neblina intensa, a produção pode alcançar cerca de 37 mil litros, enquanto médias de longo prazo são expressas em litros por metro quadrado de malha ao ano.
Esses dados não indicam produção contínua.
Quando não há neblina, a captação é reduzida ou inexistente, o que torna o armazenamento e a gestão local aspectos centrais do sistema.
Documentos do projeto destacam que os reservatórios permitem compensar períodos menos favoráveis e manter o abastecimento básico.
A mesma documentação associa a rede a uma oferta média em torno de 12 litros por pessoa por dia nas comunidades atendidas.
Em vilarejos de pequeno porte, esse volume é apontado como suficiente para suprir necessidades essenciais, como consumo, preparo de alimentos e higiene básica, segundo parâmetros usados pelos operadores do sistema.
Manutenção local e limites da captação atmosférica
Apesar da aparência simples das redes, o funcionamento depende de manutenção regular.
Relatos institucionais indicam que moradores locais recebem treinamento para inspeção e pequenos reparos, o que reduz a dependência de equipes externas e facilita a continuidade do projeto.
Especialistas em gestão hídrica ressaltam que a coleta de neblina não substitui políticas amplas de saneamento e acesso à água.

Estudos acadêmicos sobre o tema classificam a técnica como adequada para regiões com ocorrência frequente de névoa, mas destacam a variabilidade do rendimento e a necessidade de integração com outras fontes e estratégias.
O que é possível afirmar sobre o volume total de água produzida
A referência a “milhões de litros” está associada ao potencial acumulado da produção ao longo do tempo, considerando sucessivos dias de neblina.
No entanto, os dados públicos disponíveis sobre o projeto de Boutmezguida apresentam a produção principalmente em termos diários ou por área de malha.
Não há um balanço consolidado que detalhe um volume total acumulado em um período específico.
Assim, é possível afirmar que a instalação produz dezenas de milhares de litros em dias favoráveis e atende centenas de pessoas em múltiplos vilarejos.
Já a soma exata em milhões de litros depende da frequência anual de neblina e de relatórios consolidados que não são apresentados de forma padronizada pelas entidades envolvidas.
Se a captação de água a partir da névoa já integra o abastecimento de comunidades em uma região marcada pela escassez, de que maneira soluções semelhantes podem ser avaliadas e adaptadas a outros contextos climáticos?
esa wea se hace en chile hace mas de 4 décadas
Eso lo hacen en América del Sur hace muchos años!!!
En Canarias se lleva haciendo de forma tradicional con las nieblas.